Cucurella: «Eu não teria despedido Maresca»
O lateral-esquerdo do Chelsea, Marc Cucurella, abordou o projeto do clube londrino para esta temporada, comentando sem assombro a saída do treinador Enzo Maresca e a chegada de Liam Rosenior. Em entrevista ao The Athletic, abordou ainda o descalabro nos oitavos de final da UEFA Champions League contra o PSG, que acabou com um agregado de 8-2 para os franceses.
A conversa decorreu longe de Londres. «Vir para a seleção nacional é um sopro de ar fresco para todos», disse Cucurella ao The Athletic antes da vitória por 3-0 contra a Sérvia em Villarreal. «Às vezes, sinto que os jogos que temos de jogar nem são o mais importante – só queremos passar tempo com estas pessoas. Criámos laços tão fortes que a semana passa antes mesmo de darmos por isso», comentou.
O futebolista de 27 anos tem dificuldade em aceitar a forma recente do Chelsea – a equipa de Liam Rosenior venceu apenas quatro dos últimos 12 jogos, perdendo seis vezes, tendo uma das mais duras sido frente ao PSG: «Faltou-nos experiência. Para muitos jogadores, este foi o primeiro jogo de tal calibre e pagámos o preço. Às vezes, se estás em boa forma, a pausa para as seleções pode quebrar um pouco o ímpeto, mas esta vai fazer-nos bem a nível de clube», afirmou Cucurella.
Maresca e Rosenior
O espanhol falou sobre a troca de treinadores, depois de Maresca ter sido despedido no início do ano. «Rosenior é uma excelente pessoa e está a fazer um trabalho fantástico na gestão do grupo, dos temperamentos. Gosta de estar perto de nós e as suas ideias de futebol são boas, mas não temos tempo para as treinar. Treinamos em jogos competitivos, porque jogamos de três em três dias e isso não nos deixa tempo para trabalhar no campo de treino. Neste contexto, é normal que os planos por vezes não resultem e, então, passamos por momentos difíceis», afirmou o lateral-esquerdo espanhol.
«Com Maresca, éramos mais estáveis porque trabalhámos juntos durante 18 meses. Se olharmos para a nossa primeira pré-época com ele (o Chelsea venceu apenas uma vez em seis jogos amigáveis, perdendo três), havia dúvidas. Cada jogador precisa de um processo para entender o que devemos fazer. Nos nossos últimos meses com Maresca, jogávamos quase de cor. Se mudássemos o sistema, sabíamos o que era exigido de nós. É preciso esse tempo. Vejam o Arsenal agora, que luta por todos os troféus. Estão com (Mikel) Arteta há quase sete anos e não ganharam muito. Mas essa fé no projeto dá resultados. Sabíamos o que Maresca queria de nós. Ganhar um título como o Mundial de Clubes também ajuda, fortalece a ligação e criam-se ótimas relações durante as celebrações. Quando um treinador te dá essa confiança e te oferece uma plataforma para lutar por títulos, morrerias por ele», acrescentou.
«O momento em que Maresca saiu afetou-nos muito. São decisões tomadas pelo clube. Se me perguntassem, eu não teria tomado essa decisão, não o teria despedido. Para fazer uma mudança como essa, o melhor é esperar até ao final da época. Assim, dar-se-ia a todos – jogadores e novo treinador – tempo para se prepararem, para terem uma pré-época completa. Em suma, a instabilidade no clube vem daí», acrescentou Cucurella.