Samu deu o exemplo aos companheiros e abriu caminho ao triunfo do Vitória diante do Rio Ave — Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA
Samu deu o exemplo aos companheiros e abriu caminho ao triunfo do Vitória diante do Rio Ave — Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA

Charles foi à zona Miszta, Samu e Strata fizeram 'flash' (crónica)

Guarda-redes dos vila-condenses fez uma grande defesa na primeira parte, Charles brilhou na etapa complementar. Médio e lateral 'tomaram a palavra'

Artistas em campo, adeptos nas bancadas, jornalistas presentes. Tudo pronto para o espetáculo. Sendo que, refira-se, falar em espetáculo (assim mesmo, com redundância) é ser demasiado simpático para com o que se passou no relvado do D. Afonso Henriques. Porque a bola, se não chorou, chegou a tremer em alguns momentos. Especialmente na primeira parte. Nessa fase, houve motivos para (largos) bocejos.

Oumar Camara atirou à malha lateral (13') e Samu soltou a bomba, superiormente negada por Cezary Miszta (41'). E sobre os 45 minutos iniciais... estamos conversados. Ah! Talvez valha acrescentar que o Rio Ave não fez um remate à baliza.

O ponto positivo ao intervalo? Tudo o que surgisse na etapa complementar seria... lucro.

João Mendes (48') e Oumar Camara (52') anunciaram ao que vinha o Vitória, mas o perigo real que se aproximava tinha sotaque vila-condense. Os comandados de Sotiris Silaidopoulos, que já haviam demonstrado uma excelente organização defensiva, ousaram começar a pisar terrenos ofensivos e em pouco mais de 10 minutos chamaram Charles à palestra.

O brasileiro demonstrou que ser guarda-redes de clube grande (sim, o Vitória é um grande) é isto mesmo: responder afirmativamente mesmo depois de largos minutos afastado do jogo. Que o digam Dario Spikic (56'), Olinho (67') e Jalen Blesa (69'). Três microfones ligados para respostas afirmativas do camisola 27 dos conquistadores. Tudo isto em plena zona... Miszta.

Mas quem tinha o discurso devidamente preparado era Samu. O capitão do emblema minhoto puxou a si a responsabilidade e ao minuto 72 fez aumentar os decibéis do Castelo: cruzamento de Tony Strata (que bela entrada do jovem lateral-direito romeno), desvio de Telmo Arcanjo, ao segundo poste, assistência de Gustavo Silva, em zona frontal, e desvio vitorioso do médio-ofensivo português a dar calor à plateia vimaranense (72').

Já com mais um caderno de apontamentos para reforçar as ideias, o Rio Ave tentou o empate, em período de compensação, mas Charles voltou a fechar o livro perante Rafael Lobato (90+2').

E para fim de festa... mais uma flash. O entrevistado, desta feita, foi Tony Strata. Que belo remate em arco do internacional sub-21 romeno para que a última linha do discurso fosse com um sublinhado de alto nível. Golaço!

Sendo certo que a tarefa parece quase impossível, a matemática diz que os vitorianos ainda podem sonhar com a Europa. E enquanto a calculadora funcionar, ninguém desliga a ficha em Guimarães...

O melhor em campo: Samu (7)

Depois do pouco espaço de que dispôs na primeira parte para poder pegar na bola, como tanto gosta, e coordenar as dinâmicas ofensivas da equipa, o capitão viu-se com mais algum espaço depois do intervalo e soube aproveitá-lo para carrilar jogo no último terço. A sagacidade que costuma ter em aparecer em zonas de finalização voltou a sobressair e lá estava ele, aos 72', para abrir o ativo.

A figura: Cezary Miszta (7)

Se houve momento que na etapa inicial mereceu, ealce, então o guarda-redes polaco foi o protagonista. Talvez ainda esteja com a mão direita a arder, mas foi a forma que encontrou para desviar o míssil de Samu e impedir que o nulo fosse desbloqueado naquela altura. Acabou, depois, por sofrer dois golos sem que nada pudesse fazer para os evitar: Samu desviou na pequena área e Stata atirou colocadíssimo.

As notas dos jogadores do Vitória de Guimarães:

As notas dos jogadores do Rio Ave:

Gil Lameiras (treinador do Vitória de Guimarães):

Temos de valorizar a nossa vitória, bem como os dois golos marcados e o facto de não termos sofrido. Há muito mérito dos jogadores. Nas vezes em que conseguimos mostrar as dinâmicas que treinámos, as bolas entraram na área e criámos perigo.

Sotiris Silaidopoulos (treinador do Rio Ave):

Na primeira parte não houve grandes oportunidades, foi um jogo mais tático. Na etapa complementar dominámos, criámos várias oportunidades, e a única coisa que posso lamentar é que não marcámos. É continuar e trabalhar para melhorar.

Notícia atualizada às 23h55