Charles foi à zona Miszta, Samu e Strata fizeram 'flash' (crónica)
Artistas em campo, adeptos nas bancadas, jornalistas presentes. Tudo pronto para o espetáculo. Sendo que, refira-se, falar em espetáculo (assim mesmo, com redundância) é ser demasiado simpático para com o que se passou no relvado do D. Afonso Henriques. Porque a bola, se não chorou, chegou a tremer em alguns momentos. Especialmente na primeira parte. Nessa fase, houve motivos para (largos) bocejos.
Oumar Camara atirou à malha lateral (13') e Samu soltou a bomba, superiormente negada por Cezary Miszta (41'). E sobre os 45 minutos iniciais... estamos conversados. Ah! Talvez valha acrescentar que o Rio Ave não fez um remate à baliza.
O ponto positivo ao intervalo? Tudo o que surgisse na etapa complementar seria... lucro.
João Mendes (48') e Oumar Camara (52') anunciaram ao que vinha o Vitória, mas o perigo real que se aproximava tinha sotaque vila-condense. Os comandados de Sotiris Silaidopoulos, que já haviam demonstrado uma excelente organização defensiva, ousaram começar a pisar terrenos ofensivos e em pouco mais de 10 minutos chamaram Charles à palestra.
O brasileiro demonstrou que ser guarda-redes de clube grande (sim, o Vitória é um grande) é isto mesmo: responder afirmativamente mesmo depois de largos minutos afastado do jogo. Que o digam Dario Spikic (56'), Olinho (67') e Jalen Blesa (69'). Três microfones ligados para respostas afirmativas do camisola 27 dos conquistadores. Tudo isto em plena zona... Miszta.
Mas quem tinha o discurso devidamente preparado era Samu. O capitão do emblema minhoto puxou a si a responsabilidade e ao minuto 72 fez aumentar os decibéis do Castelo: cruzamento de Tony Strata (que bela entrada do jovem lateral-direito romeno), desvio de Telmo Arcanjo, ao segundo poste, assistência de Gustavo Silva, em zona frontal, e desvio vitorioso do médio-ofensivo português a dar calor à plateia vimaranense (72').
Já com mais um caderno de apontamentos para reforçar as ideias, o Rio Ave tentou o empate, em período de compensação, mas Charles voltou a fechar o livro perante Rafael Lobato (90+2').
E para fim de festa... mais uma flash. O entrevistado, desta feita, foi Tony Strata. Que belo remate em arco do internacional sub-21 romeno para que a última linha do discurso fosse com um sublinhado de alto nível. Golaço!
Sendo certo que a tarefa parece quase impossível, a matemática diz que os vitorianos ainda podem sonhar com a Europa. E enquanto a calculadora funcionar, ninguém desliga a ficha em Guimarães...
Depois do pouco espaço de que dispôs na primeira parte para poder pegar na bola, como tanto gosta, e coordenar as dinâmicas ofensivas da equipa, o capitão viu-se com mais algum espaço depois do intervalo e soube aproveitá-lo para carrilar jogo no último terço. A sagacidade que costuma ter em aparecer em zonas de finalização voltou a sobressair e lá estava ele, aos 72', para abrir o ativo.
Se houve momento que na etapa inicial mereceu, ealce, então o guarda-redes polaco foi o protagonista. Talvez ainda esteja com a mão direita a arder, mas foi a forma que encontrou para desviar o míssil de Samu e impedir que o nulo fosse desbloqueado naquela altura. Acabou, depois, por sofrer dois golos sem que nada pudesse fazer para os evitar: Samu desviou na pequena área e Stata atirou colocadíssimo.
As notas dos jogadores do Vitória de Guimarães:
Charles (7), Maga (5), Óscar Rivas (5), Thiago Balieiro (6), João Mendes (5), Diogo Sousa (5), Beni (6), Oumar Camara (6), Samu (7), Noah Saviolo (6), Gustavo Silva (5), Tony Strata (7), Miguel Nogueira (6), Gonçalo Nogueira (6), Telmo Arcanjo (6) e Nélson Oliveira (—).
As notas dos jogadores do Rio Ave:
Cezary Miszta (7), Marious Vrousai (6), Jakub Brabec (5), Gustavo Mancha (5), Nelson Abbey (5), Tamas Nikitscher (6), Andreas Ntoi (6), Diogo Bezerra (5), Olinho (6), Dario Spikic (6), Jalen Blesa (6), João Tomé (5), Ryan Guilherme (5), Tamble Monteiro (5), Omar Richards (5) e Rafael Lobato (5).
Gil Lameiras (treinador do Vitória de Guimarães):
Temos de valorizar a nossa vitória, bem como os dois golos marcados e o facto de não termos sofrido. Há muito mérito dos jogadores. Nas vezes em que conseguimos mostrar as dinâmicas que treinámos, as bolas entraram na área e criámos perigo.
Sotiris Silaidopoulos (treinador do Rio Ave):
Na primeira parte não houve grandes oportunidades, foi um jogo mais tático. Na etapa complementar dominámos, criámos várias oportunidades, e a única coisa que posso lamentar é que não marcámos. É continuar e trabalhar para melhorar.
Notícia atualizada às 23h55