Afonso Eulálio diz que as 'camisolas' não o mudaram como pessoa e ciclistas, apenas fizeram com que acreditasse mais nele próprio

Afonso Eulálio vai receber 5 ou 6 vezes mais após o Giro

Agente do jovem corredor português negoceia novo contrato, de longa duração, com a equipa Bahrain após sucesso na Volta a Itália

O desempenho destacado de Afonso Eulálio no Giro levou a Bahrain Victorious a ponderar sobre um novo contrato de longa duração para o corredor português, com um aumento salarial significativo. A revelação foi feita pelo agente do ciclista, Beñat Intxausti, à TopCycling, após Eulálio ter envergado a camisola rosa, vencido a classificação da juventude e terminado em sexto lugar na geral.

Apesar de o ciclista português já ter um contrato válido por mais dois anos, a exibição em Itália alterou o cenário. «Ele tem contrato até ao final de 2028, mas é verdade que as coisas mudaram muito com o Giro. A equipa está muito contente e quer oferecer-lhe um contrato de maior duração», afirmou Intxausti.

O valor de mercado de Eulálio disparou, com Intxausti a revelar a dimensão da valorização. «Temos um contrato assinado, mas estamos a negociar um contrato de longa duração com a Bahrain. Pode-se multiplicar isso por cinco ou seis em comparação com o que temos», explicou.

O agente sublinhou a lealdade do ciclista à equipa, que apostou nele quando ainda corria em Portugal, revelando que outras propostas foram ignoradas. «Neste inverno, três equipas do WorldTour perguntaram por ele, mas o Afonso sabia onde queria ficar. Reunimo-nos em dezembro e janeiro, e o Afonso sempre deixou claro que queria continuar na Bahrain porque foram eles que acreditaram nele», contou Intxausti.

A experiência na liderança da corrida transformou o estatuto de Eulálio no pelotão. «O Afonso que terminou o Giro é diferente do Afonso que o começou. É um ciclista com muito mais valor para a equipa e para o mundo do ciclismo», disse, acrescentando que o carisma do atleta também foi um fator chave. «Ele vestiu a camisola rosa, foi o melhor jovem, o seu valor desportivo aumentou significativamente, e é aí que entra o carisma de cada atleta. Há ciclistas muito bons que não têm este dom com a imprensa, e o Afonso conquistou o público e os jornalistas».

A ascensão de Eulálio não foi uma surpresa para a equipa, mas sim parte de um plano traçado antes da época, que se seguiu a um nono lugar nos Mundiais de 2025, no Ruanda. «Mesmo antes de negociar o contrato, eles já tinham um projeto de quatro anos para o Afonso», disse Intxausti. «Este projeto incluía fazer uma Grande Volta, o Giro, e aprender gradualmente a ser um líder».

Este plano foi, no entanto, acelerado pela queda do líder da equipa para a geral, Santiago Buitrago, na segunda etapa, o que forçou Eulálio a assumir um papel de maior destaque. «Falei com o Afonso e disse-lhe: ‘Abriu-se uma porta para seres o capitão da equipa e o líder’. Ele assumiu esse papel sem qualquer nervosismo, o que é raro num ciclista com pouca experiência, e aí vi que ele tem estofo de campeão».

A mentalidade do ciclista sob pressão convenceu Intxausti do seu potencial. «Ele gosta da pressão, sobressai sob pressão, não fica nervoso. Por exemplo, no dia do contrarrelógio, que foi o pior para ele, passei uns dias a visitá-lo e o Pelizzotti disse-me que o Afonso dormia 9-10 horas todos os dias, sendo o líder do Giro e com tudo o que isso implica», explicou.

Olhando para o futuro, o agente acredita que Eulálio também poderá ter sucesso nas clássicas das Ardenas. «Via-o mais como um ciclista para corridas de uma semana, para clássicas como a Liège-Bastogne-Liège ou a Flèche Wallonne, porque tem muita explosividade e tecnicamente é bom, sabe posicionar-se no pelotão e tem a audácia para as corridas de um dia», concluiu.

Após a campanha no Giro, Afonso Eulálio regressará à competição a 17 de junho na Volta à Suíça, prova que contará com o campeão do mundo Tadej Pogacar.

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