Manuel Pinto Brasil: «Estive, estou e estarei sempre do lado da solução»
Manuel Pinto Brasil, antigo candidato à presidência do Vitória de Guimarães, teceu duras críticas a António Miguel Cardoso, classificando o ato do ex-líder vimaranense como um «atropelamento e fuga», numa carta aberta dirigida aos sócios, na qual não descartou a possibilidade de avançar.
«Estive, estou e estarei sempre do lado da solução» foi a garantia deixada aos associados do clube vimaranense, no fim de uma nota repleta de reparos à «péssima gestão», à «venda desesperada de jogadores», e com alerta acerca da centralização dos direitos televisivos: «O Vitória terá de assumir um papel de autoridade nessa negociação.»
Carta Aberta aos sócios do Vitória de Guimarães
Prezados sócios,
Sejamos claros! O que acabamos de assistir no Vitória, é muito mais do que uma demissão. É um atropelamento e fuga!
Atropelamento aos nossos cofres que estão depauperados. E sobretudo um atropelamento à nossa sensatez! Ninguém acredita que António Miguel Cardoso se demitiria se o Vitória tivesse saúde financeira. Ou, pelo menos, alguma saúde! Demitiu-se na sequência de uma péssima gestão que resultou financeiramente num poço sem fundo que o próprio já não consegue tapar. E perante este quadro calamitoso, António Miguel Cardoso resolveu fugir. Se a honra da palavra fosse o argumento único, convocaria eleições assumindo uma recandidatura para ser escrutinado pelos sócios.
Na hora da recente demissão, António Miguel Cardoso não declarou o deplorável estado financeiro do Vitória. Não disse que na Liga de futebol, o Vitória regista a pior classificação entre as cinco equipas minhotas da prova. Não disse que a aposta de jogadores da formação foi um recurso em aflição, por não haver dinheiro para contratar jogadores mesmo depois da estranha venda de elementos preponderantes da equipa. Não disse que na Taça de Portugal, humilhantemente fomos eliminados pelo Aves (e no ano passado pelo Elvas). Não disse que despediu o treinador que tinha aproveitado (e bem) o novo formato da Taça da Liga para vencer o troféu, dois meses antes de ser corrido do Vitória. Também não falou do corrupio de treinadores: 12 em quatro anos de presidente!
O que acaba de acontecer ao Vitória, é infelizmente, a consequência de um alerta que fiz por escrito há menos de um ano, em maio de 2025, quando terminou a época desportiva.
Publiquei nessa altura uma carta aberta aos sócios em que manifestei o meu desagrado por «uma época medíocre com o Vitória, a ficar em segundo lugar no campeonato dos últimos, atrás do Santa Clara».
Prometi aos sócios, nessa carta, que jamais seria um sócio conformado e acomodado. Hoje, reafirmo o meu elogio ao empenho e dedicação dos jogadores e de todos os vitorianos. Mas também reafirmo o que disse há um ano: «O presidente do Vitória continua a semear a instabilidade. A venda desesperada de jogadores desequilibrou a equipa e deu um sinal de fragilidade ao mercado. O negócio da venda de 46% da SAD à V Sports foi um fiasco. E perante este quadro danoso, o presidente foi apático, cinzento e distanciado. O clube perdeu influência no futebol português. Um presidente curto para uma instituição de tão grande dimensão.»
Lastimosamente para o presente e futuro do Vitória, o tempo deu-me razão. Fui sempre vigilante e com intervenção pública responsável, em momentos que não perturbassem o desempenho da equipa. E lembro a advertência que deixei, na imprensa de Guimarães, em setembro de 2022 no centenário do Vitória, sobre o rumo que estava a ser dado ao clube por António Miguel Cardoso: «paragem no tempo, instabilidade diretiva, gestão nociva, opções inaceitáveis de mercado e um inegável atraso para a concorrência».
Fiquei a pregar sozinho! Bem como no fim da época 24/25.
E hoje, reafirmo: basta! Alerto para a necessidade de avaliar o verdeiro estado financeiro da SAD do Vitória. A partir desse passo, construir um plano de salvação. E depois, lançar bases seguras para consolidar o clube e torná-lo pujante, capaz de lutar a partir de 2028/29 pelo campeonato dos primeiros, saindo de vez da luta pelo pódio da Liga dos últimos.
2028/29 é o ano do início da centralização dos direitos televisivos, e o Vitória terá de assumir um papel de autoridade nessa negociação, à altura dos seus pergaminhos e da sua enorme força social.
Para o atual Vitória, impõe-se a eleição de um verdadeiro líder! Um homem de credibilidade inquestionável, com provas dadas no mundo empresarial, experiência de vida, boa imagem local, nacional e internacional e que chegue ao cargo, desapegado de qualquer interesse pessoal, e com o único propósito de engrandecer e prestigiar o Vitória!
É a única solução possível para no presente o Vitória poder acreditar no futuro!
Os sócios precisam de ponderar entre a escolha desta solução ou o aventureirismo, paraquedismo e ilusionismo que nos poderá levar ao precipício.
Estive, estou e estarei sempre do lado da solução.
Viva o Vitória!
Manuel Pinto Brasil