César Peixoto, treinador do Gil Vicente - Foto: Rogério Ferreira/KAPTA+
César Peixoto, treinador do Gil Vicente - Foto: Rogério Ferreira/KAPTA+

César Peixoto: «Tentámos jogar de igual para igual com o Sporting»

Treinador do Gil Vicente mostrou-se satisfeito com a exibição coletiva frente aos leões e disse-se «de consciência tranquila» perante a saída de Pablo, avançado que foi oficializado como reforço do West Ham

— A equipa sofre o golo em cima do intervalo mas veio para a segunda parte a saber que tinha de 'esticar a manta' e sai com um ponto.

— Sim. Foi um jogo difícil, perante uma boa equipa, que sabíamos que nos ia causar muitos problemas. Foi uma primeira parte muito tática, com as duas equipas bem organizadas, a tentarem aproveitar os espaços que cada uma ia fazendo surgir. Foi um jogo equilibrado, nós tivemos uma ou outra situação, o Sporting teve uma ou outra situação. Depois, quando estávamos melhor, organizados e a crescer no jogo, acabámos por sofrer o golo. Gostava de ver melhor o lance, acho que há uma hesitação do Andrew, ainda não vi. Viemos para o intervalo num jogo equilibrado, com o Sporting com um pouco mais de bola, nós, organizados, à espera do momento certo. Ao intervalo corrigimos uma coisa ou outra. A equipa transcendeu-se e acho que, na segunda parte, fomos mais 'nós'. Fomos à procura, fomos mais agressivos, pressionámos alto na segunda parte praticamente toda. O Sporting tentou ir buscar as nossas costas. Fomos agressivos, saltámos [na pressão], conseguimos condicionar. Depois da expulsão voltamos a acreditar ainda mais, fazemos o golo e temos ainda duas situações em que a bola andou ali a saltar. Podíamos ter feito o golo da vitória, que também não nos assentava mal, perante uma equipa muito difícil, uma boa equipa, que está a fazer um excelente campeonato. Mas hoje demos uma boa resposta. Tentámos jogar de igual para igual com o Sporting, uma equipa grande, que luta pelo título. Este é o nosso ADN, não mudamos. Tenho muito orgulho no campeonato que estamos a fazer, nos meus jogadores, no trabalho que estamos a fazer. Não abdicam de jogar, de pressionar alto. A nossa ideia é mesmo esta. Acho que ficou provado hoje que, independentemente do resultado e do adversário, tivemos outra vez caráter para irmos à procura. Não nos desorganizámos e, quiçá, podíamos ter vencido.

— Fez duas alterações depois da expulsão. Teria tirado os dois laterais e assumido o risco máximo mesmo que estivesse 11 contra 11?

— Não. Quando vi a expulsão, arrisquei mais. Peguei no Martin [Fernández], que é número 10. Ele é muito inteligente taticamente, já o coloquei a jogar em quase todas as posições, coitado... Não temos outro lateral, o Konan está na seleção. Pusemos o Mutombo, que veio de lesão e sentiu outra vez, que é uma coisa má que aconteceu. Arriscámos com dois avançados e fomos felizes. Estávamos a precisar de mais presença na área, a equipa acredito. Fico feliz pelo Carlos [Eduardo, autor do golo do empate], atravessou uma travessia no deserto e fez um golo importante para a confiança dele e para a equipa também. Arriscámos tudo à procura da vitória, à procura de fazer um golo e depois tentar outra vez chegar lá. Foi por pouco, mas parabéns à minha equipa e aos meus jogadores, fizeram um grande jogo.

— Pode ter sido o 'clique' para o Carlos Eduardo?

— Passou por uma lesão durante algum tempo. Entrou bem nos últimos jogos. Tínhamos cá o Pablo e o Varela, estavam a ser as opções. Entrou bem. Mas a equipa empurrou completamente o Sporting. Fizemos 18 remates, 10 à baliza. O Sporting teve quatro enquadrados apenas. Fizemos bastantes mais remates, fomos mais incisivos na frente, chegámos muito à frente, criámos muito perigo nas bolas paradas. Tudo do trabalho de casa para conseguirmos ser fortes nesse momento. O Carlos foi feliz, fico feliz por ele, porque é importante para a confiança dele, esteve muito tempo lesionado. Mas o importante é o coletivo. Viu-se outra vez uma equipa que trabalha, que sabe o que há de fazer sem bola, com bola, que joga de igual para igual, independentemente do resultado. Estando a perder, a ganhar, empatado, joga sempre da mesma forma, sempre à procura de mais um golo e de querer chegar à frente. Alargámos aqui o histórico da primeira volta do clube na Primeira Liga, é importante para nós. Queríamos ter vencido, não vencemos, mas fica um bom jogo da minha equipa.

— O treinador do Flamengo esteve na bancada, diz-se que esteve a ver o Andrew. Já perdeu o Pablo, imagino que não queira perder muito mais gente em janeiro, mas uma equipa que faz uma primeira volta assim, arrisca-se...

— Estou de consciência tranquila. Sei do trabalho que estamos a fazer e o do projeto em que estou inserido. O nosso projeto não é só resultados. São importantes, são a alavanca para o clube estar a crescer da forma como está a crescer. Mas sei que também é a valorização de jogadores, de ativos. É um clube que não tem SAD, não tem investidor. Fizemos um bom trabalho no mercado. Temos dois jogadores por posição, com qualidade, jovens, que é normal que se valorizem com esta campanha que estamos a fazer. Não só pela campanha, mas também pela ideia de jogo audaz, com capacidade de ter bola, de pressionar, de querer ser protagonista. Acho que isso dá mais nas vistas para quem vem ver os jogadores, é natural. Estou muito tranquilo em relação a isso. Internamente, sabemos o caminho que temos de percorrer. Não estou minimamente preocupado se vai sair mais alguém ou não. Temos de fazer o nosso caminho. A valorização de jogadores faz parte do nosso trabalho. Sou um treinador de projeto, por isso, fico feliz com o que consegui ajudar o Pablo a crescer. Os colegas pensam exatamente da mesma maneira. É essa a forma de estar que temos aqui no dia a dia: vivemos as coisas de forma positiva, para conseguirmos crescer enquanto clube, equipa, equipa técnica. Os resultados estão à vista.

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