Jefté Betancor bisou frente ao Real Madrid, permitindo ao Albacete seguir em frente na Taça do Rei
Jefté Betancor bisou frente ao Real Madrid, permitindo ao Albacete seguir em frente na Taça do Rei - Foto: IMAGO

«Carrasco» do Real Madrid trabalhou como eletricista e quer eliminar o Barcelona

Jefté Betancor mostrou-se otimista para o encontro desta terça-feira com os 'culé'

Jefté Betancor, avançado do Albacete que com dois golos eliminou o Real Madrid da Taça do Rei, concedeu uma entrevista à Marca, na qual falou da vitória sobre os merengues, do período difícil que viveu, marcado por problemas de saúde mental, além de fazer a antevisão do duelo com o Barcelona, agendado para esta terça-feira.

«Estou muito feliz. Eliminar o Real Madrid, e ainda por cima marcar golos, é uma das coisas mais bonitas que me aconteceram. Agora temos outro desafio entusiasmante, embora saibamos que será muito difícil. Veremos como entramos em campo e como daremos o nosso melhor», afirmou ao jornal espanhol.

«Depois de eliminarmos o Real Madrid, temos de entrar em campo com a mentalidade de tentar eliminar também o Barcelona. Esta é a nossa mentalidade: entrar em campo para vencer. Somos competitivos e queremos dar o máximo, conscientes de que será um jogo muito difícil. Mas, mesmo que as nossas chances sejam mínimas, vamos tê-las», disse.

«Foi um dia magnífico, um dia de sonho. Ainda aparecem vídeos e as pessoas recordam, e isso é o mais bonito. Ainda me arrepio quando revejo as imagens. É um dia com que qualquer um sonha desde pequeno, e para mim foi assim. Sabia que tínhamos de dar tudo, e eu só queria que a equipa seguisse em frente. No final, foi o que aconteceu e consegui marcar os dois golos, por isso estou muito feliz», reforçou o jogador da equipa da LaLiga2.

O avançado falou ainda sobre a infância, o início da carreira e um momento difícil em que decidiu fazer uma pausa no futebol.

«Se fosse criança novamente, escolheria a mesma infância. Morava num bairro onde só jogávamos futebol e passávamos o dia todo no parque. Não era como agora, que mal se veem crianças na rua. Saíamos todos os dias, a qualquer hora, para jogar futebol e estar com os amigos. Escolheria sempre essa infância», afirmou.

«Consegui realizar muitos sonhos e lutei muito desde pequeno. Guardo todos os momentos que aconteceram na minha vida, porque acredito que isso me tornou mais forte. Graças a Deus, sempre tive os meus pais ao meu lado. Na minha vida e na minha família, acreditamos em Deus e consideramos que tudo Lhe é devido», acrescentou.

«Os primeiros meses foram complicados depois de sair de Espanha, especialmente no que diz respeito à relação com as pessoas e com os colegas. Havia dias em que ia para a cama afetado, mas sabia que no dia seguinte tinha de esquecer tudo e dar o máximo no treino. Naquele momento não estava bem mentalmente e decidi fazer uma pausa no futebol. Trabalhei como eletricista. Para mim, devido aos valores que os meus pais me incutiram, o mais importante é ser uma boa pessoa. Considerei que era o momento de trabalhar a parte mental para poder continuar a ir o mais longe possível e ser uma boa pessoa ao mesmo tempo», sublinhou.

«A minha família, a minha esposa e o meu psicólogo ajudaram-me muito. No final, estivemos todos unidos, todos lutávamos pelo mesmo objetivo e, sinceramente, até hoje, como disse, tudo correu bem», concluiu.