Zlatan Ibrahimovic
Zlatan Ibrahimovic - Foto: IMAGO

Ibra lembra roleta com Mourinho e problema com Guardiola: «Estacionei o meu Ferrari em frente ao escritório dele»

Antigo internacional sueco percorreu episódios da carreira no (In)Sucesso dos Campeões

Zlatan Ibrahimovic passou em revista alguns episódios importantes da carreira, na terceira e última parte do programa (In)Sucesso dos Campeões, com Slaven Bilic, incluindo os momentos em que foi treinado por Pep Guardiola e por José Mourinho.

Primeiro, recordou a saída do Inter rumo ao Barcelona, em 2009/10: «Naquela altura, o Barcelona era o topo... Como equipa, a forma como jogavam, tudo era novo. E o Barcelona procura-te... eles tinham conquistado a Liga dos Campeões nesse ano. Então disse 'Estive três anos no Inter, ganhei o Scudetto três vezes, duas Supertaças... quero um novo desafio. Vou para Espanha. Ou Barcelona ou Real Madrid.»

«Disse que queria ir para lá e queria experimentar a liga deles. Tinham jogadores de topo. Vou para comparar-me a eles... para não estar mais na zona de conforto», recordou, antes de lembrar que foi uma das experiências mais difíceis da sua carreira. «Aí paguei um pouco e aprendi que, por vezes, é melhor que um sonho continue a ser um sonho do que tornar-se realidade. Os sonhos podem matar-te... eu não estava feliz», contou.

«Antes de chegar ao clube, escrevia-se que o meu caráter não era bom para o Barcelona, que eu era diferente... isso fez-me voltar a Malmo, sentia-me diferente. Pensei demasiado nisso e quando cheguei ao Barcelona disse a mim mesmo que pensaria duas vezes antes de fazer algo – para que eles gostassem de mim... Tu és perfeito quando és tu mesmo, mas lá eu estava a tentar ser algo que não era...», disse.

E focou-se na relação com o treinador Pep Guardiola e no primeiro aviso: «No primeiro dia, Guardiola diz-me 'Olha, aqui os jogadores não vêm de Ferrari'. Perguntei-me 'Que mensagem é esta?! Eu tenho de ser quem sou. Se venho ou não venho de Ferrari, o que é que isso muda realmente?! Não muda'. Isso ficou-me na cabeça e pensava sempre duas vezes antes de fazer qualquer coisa. E isso não está certo. A forma como te sentes fora do campo é a forma como te sentes em campo.»

«Os primeiros seis meses foram bons. Jogava, marcava golos e depois algo aconteceu. Até hoje, Guardiola não me disse o quê. Depois desses seis meses, deixei de jogar», explicou, acrescentando que, mesmo não sendo um jogador que procura explicações, teve de reagir.

«Não sou de ir ter com o treinador e perguntar porque não jogo... Mas fui um grande investimento. Pagaram 70 milhões de euros... Não jogo e no fim fui ter com Guardiola e digo-lhe 'Antes de mais, quero dizer-te que não quero criar problemas. Tu és o treinador, tu és o patrão. O que decidires, assim é. Respeito isso, mas também tenho os meus desejos e quero ajudar-te a ti e à equipa.»

«Disse-lhe que achava que ele me estava a sacrificar em benefício de outros jogadores. E que precisava de espaço para fazer a minha parte, senão o que é que estava a fazer ali? Que era melhor jogar... Falámos durante uma hora e no fim disse 'Não é para criar confusão – sou profissional'. E ele responde-me 'Banco, banco, banco'. Desde então, não percebi qual era o problema dele, ele nunca me disse que havia um problema. Seis meses passaram... eu não estava feliz... nem queria treinar, nem queria estar ali, sentia-me diferente dos outros. Ele fez-me sentir indesejado e isso não está certo... e quando é assim não desfrutas do futebol. No dia seguinte, vim de Ferrari e estacionei em frente ao escritório dele. Agora é ego contra ego... Depois disso, saí do Barcelona e fui para o Milan», afirmou, recordando a felicidade encontrada em Itália: «Senti-me vivo de novo.»

Seguiu-se o PSG, o primeiro desafio contra a sua vontade — «Eu não queria ir. Essa é a diferença. Foi a primeira vez que não quis ir. Mas venderam-me devido à situação financeira... o meu desejo era ficar. Quando lá estive, não era o mesmo clube de hoje. A situação era completamente diferente da atual. O desafio para mim era elevar o PSG a um novo e nível superior de futebol... Disse ao Nasser [Al Khelaifi, dono] 'Todo o projeto precisa de um arquiteto. Para o teu projeto, o arquiteto fui eu'.»

Depois de Paris, a chegada ao Manchester United, então treinado por José Mourinho, em 2016/17, foi vista como um investimento de todo o seu legado. «Mourinho liga-me e quer que eu vá... Vou colocar os meus vinte anos de experiência na Premier League... E tenho 35 anos... Agora está em jogo o meu orgulho, o meu legado. É como na roleta quando se aposta tudo num número. Eu aposto vinte anos no Manchester...», disse.

A lesão no joelho foi a primeira interrupção grave na carreira. «Lesionei-me no joelho. Essa foi a minha primeira lesão grave. Entrei em pânico... Tenho 36 anos, joguei a carreira toda e vou terminar assim?! Isso não é o Ibra...»

Voltou aos relvados sete meses depois. Mourinho acreditava que jogaria de imediato, no entanto foi mais difícil que isso: «Comecei a jogar e algo não está bem, não me sinto livre, não me sinto forte, não me sinto 'Ibra'... Disse ao José para não me colocar a jogar: 'Não consigo ajudar-te em campo, devido à forma como me sinto atualmente.»

Numa análise global à carreira, não se mostrou rogado: «Todos dizem que eu era um jogador egoísta, um individualista. Mas tenho 34 troféus coletivos. Se tens 34 troféus coletivos nas maiores ligas, não é possível não seres um jogador egoísta