Stopira passará a ser sinónimo de história em Torres Vedras. Cabo-verdiano guiou emblema azul e grená até ao maior feito da história do clube - Foto: TIAGO PETINGA/LUSA
Stopira passará a ser sinónimo de história em Torres Vedras. Cabo-verdiano guiou emblema azul e grená até ao maior feito da história do clube - Foto: TIAGO PETINGA/LUSA

Carnaval azul e grená teve Stopira como rei da folia: as notas do Torreense

Uma exibição que ficará gravada para sempre na história do futebol português. Na inesquecível festa do Jamor, o Torreense foi heroico e Stopira tornou-se o rosto eterno da conquista. Sereno, líder e inabalável nos momentos de maior pressão, comandou a resistência da equipa de Torres Vedras e escreveu o capítulo mais bonito da carreira aos 113 minutos, quando assumiu a responsabilidade máxima e marcou o golo que levou os azuis e grenás à glória
Homem do Jogo: Stopira (8)

Aos 38 anos, escreveu o capítulo mais marcante da história do Torreense. Capitão, líder e rosto da resistência azul e grená no Jamor, foi muito mais do que um central experiente: foi o homem que guiou emocionalmente a equipa até à conquista mais importante do clube. Dentro de campo, trouxe serenidade à linha defensiva, orientou colegas nos momentos de maior aperto e revelou inteligência no posicionamento e nos timings de corte. Sofreu, como toda a defesa, com a qualidade ofensiva do Sporting e acabou batido no lance em que Luis Suárez rodou para o empate, mas nunca perdeu a compostura. E depois chegou o instante eterno. Aos 113 minutos, perante a maior pressão da carreira e com o Jamor suspenso na respiração, foi ele a assumir a responsabilidade máxima. O capitão pegou na bola, caminhou para a marca dos onze metros e converteu o penálti que deu ao Torreense a Taça de Portugal. Stopira não levantou apenas um troféu: entrou definitivamente na memória do clube, da cidade de Torres Vedras e do futebol português.

Lucas Paes (7) – Pareceu que entrou algo nervoso no jogo e logo aos 14 minutos deixou escapar uma bola que originou canto para o Sporting. A partir daí cresceu e foi uma das figuras da final. Seguro entre os postes e atento nas saídas, foi ganhando confiança e segurou o Torreense em momentos importantes. A defesa a remate de Suárez, perto do intervalo, foi de grande nível, já na reta final do segundo tempo, voou para travar um disparo de Hjulmand que podia ter decidido o encontro e, no tempo extra, voltou a travar as intenções do colombiano. Sem culpas no golo sofrido.

David Bruno (6) – Exibição muito focada na missão defensiva. Pouco subiu no terreno, preferindo controlar o corredor direito e proteger a profundidade. Competente nas coberturas, destacou-se num corte importante sobre Maxi Araújo já na segunda parte.

Ali Diadié (7) – Jogo exigente perante a mobilidade de Luis Suárez. Tentou manter-se sempre próximo do avançado do Sporting e foi seguro durante largos períodos. Acabou ligado ao golo do empate, ao aliviar mal uma bola que sobrou para o colombiano finalizar, mas foi um erro que não apaga a grande exibição do central da Mauritânia. Já no prolongamento, foi o primeiro a soltar a festa azul e grená, mas estava em fora de jogo.

Javi Vázquez (7)– A equipa procurou-o assim que começava a construir os ataques e mostrou-se atrevido desde os primeiros minutos e, especialmente, no primeiro tempo. Um dos jogadores mais confortáveis com bola nos pés, mostrou o porquê de ser um dos melhores laterais da Liga 2. Sofreu defensivamente em alguns momentos perante a velocidade e dinâmica do lado direito leonino, sobretudo com Geny e Quenas, e as sobreposições de Vagiannidis. Mesmo assim, nunca se escondeu do jogo. Deu tudo o que tinha e saiu exausto.

Léo Azevedo (7) – Uma das figuras mais equilibradas do Torreense. Inteligente a ocupar espaços, ajudou constantemente os centrais — integrando-se numa linha de 5 na defesa — e foi importante a tapar o corredor central. Surgiu bem ao primeiro poste na assistência para o golo de Zohi e ainda protagonizou um corte fundamental no início da segunda parte. Jogo muito maduro taticamente.

Liberato (6) – Trabalhou muito sem bola e teve como prioridade fechar o espaço central à frente da defesa. Nem sempre conseguiu dar fluidez ao processo ofensivo, sobretudo, mas compensou com entrega e sentido posicional.

Costinha (6) – Exibição de garra e crer, um exemplo do que foi o Torreense. Trouxe intensidade ao meio-campo e não teve receio de subir quando encontrou espaço. Experiente, procurou manter a equipa ligada ao jogo mesmo nos momentos de maior aperto.

Quintero (5) – Passou algo ao lado da partida. Teve dificuldades para se impor fisicamente e raramente conseguiu desequilibrar no um para um. Acabou muitas vezes remetido a tarefas defensivas e nunca encontrou espaço para criar perigo. Saiu a meio da segunda parte após uma atuação discreta.

Zohi (7) – Foi o homem da esperança azul e grená. Bem posicionado no lance do golo, aproveitou a infelicidade de Morita e deu vantagem ao Torreense na única ocasião de que dispôs. A velocidade causou incómodo aos centrais leoninos e tentou ser sempre uma ameaça nas poucas vezes que teve espaço. Acabou desgastado pelo esforço e saiu na segunda parte, mas deixou marca no Jamor.

Dany Jean (8)– Talvez o jogador que mais assustou o Sporting. A velocidade pura foi uma arma constante e cada vez que arrancava criava sensação de perigo. Também ajudou bastante defensivamente no corredor, sobretudo a travar Geny Catamo. A condição física começou a traí-lo no início da segunda parte e saiu pouco depois, mas, enquanto esteve em campo, foi a figura da turma de Torres Vedras.

Drammeh (7) – Uma das apostas certas de Tralhão. Entrou para dar energia ao ataque na segunda parte. Forte fisicamente e rápido a atacar a profundidade, conseguiu incomodar os centrais do Sporting em alguns lances e manteve a equipa ligada às transições ofensivas — como na que conduziu e deu origem à grande penalidade.

Seydi (7) – Outro jackpot do treinador torreense. Tentou replicar a profundidade e velocidade que Dany Jean tinha dado ao ataque e, ao início, nem sempre conseguiu ser tão eficaz. Contudo, a vontade de explorar o espaço nas costas da defesa leonina acabou por dar frutos. Aliás, foi dessa forma que se tornou decisivo, ao conquistar o penálti que deu o golo da vitória — foi tão importante nesse lance que aquele falhanço de baliza aberta, a acabar, nem deverá ser lembrado...

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Alfaro (6) – Entrada estratégica. Reforçou o meio-campo numa fase em que o Torreense precisava de pernas e capacidade de resistência sem bola. Cumpriu defensivamente e ajudou a fechar espaços. Providencial ao cortar o lance perigoso de Suárez, aos 100’.

André Simões (6) – Foi a jogo já perto do fim da segunda parte para dar frescura ao centro do terreno. Esteve muito perto de se tornar herói quase de forma improvável, ao intercetar um passe de Diomande que passou a centímetros da baliza, em cima do minuto 90.

Pité (6) - Aposta de Tralhão no prolongamento numa altura em que o desgaste torreense era claro. Espírito de entreajuda ajudou no caminho até à glória.

Danilo Ferreira (6) - Rendeu Vázquéz com a missão de continuar o bom trabalho do espanhol. Aguentou a pressão do momento e não comprometeu.

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