Mundial
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Seleção: um final de ciclo quase penoso
Viajar para as Américas em ambiente de final de ciclo talvez não tenha sido a melhor das ideias. Numa Seleção com qualidade, mescla quase matemática entre experiência e juventude, talvez não tenha valido a pena colocar a tónica nas últimas danças. Talvez tivesse sido preferível colocar toda a gente a dançar a mesma música, como numa seleção onde um certo «melhor do Mundo à vez» continua em grande mas Otamendi, por exemplo, se senta no banco sem ondas.
Sim, sei que é ligeiramente provocatório falar de Messi e da Argentina quando Portugal falhou. Mas cada um deita-se na cama que faz, e nós andamos há duas décadas a fazer a cama sempre com o mesmo lençol verde e encarnado, recusando ver os méritos estéticos de um lençol azul e branco, por exemplo. Só que isso está longe de explicar tudo.
Deixemo-nos de imagens e metáforas: talvez Cristiano Ronaldo devesse ter jogado menos tempo do que o que lhe foi dado por Roberto Martínez. Talvez Gonçalo Ramos devesse ter tido mais oportunidades e Trincão merecesse mais que uma viagem sem nada de apelativo pela América, quando podia ter estado a descansar no Mónaco, no Algarve ou na Arábia. Mas sobretudo não devíamos ter partido para este Mundial com a certeza de que Martínez ia embora, a quase certeza de que Jorge Jesus viria substituí-lo e alguma convicção sobre o final da carreira de CR7 na Seleção (esta parte é mais difícil de adivinhar).
O Mundial começou com um dececionante empate e a consequente declaração do selecionador de que «falar em ser campeão não ajuda». Ora, falar em ser campeão foi o que o presidente da FPF, Pedro Proença, andou a fazer durante meses. Convenhamos que as quase certezas se transformaram em evidências logo aí, quando ainda não sabíamos (mas desconfiávamos) que vínhamos embora para casa mais cedo.
Pedro Proença disse esta quarta-feira que «a direção técnica» não foi uma escolha dele. Isto é verdade, mas apenas em parte. Se é certo que não contratou Martínez, é sabido que o manteve. E manteve porque ele venceu a Liga das Nações (já agora convinha não esquecer).
Se não era o treinador dele, essa teria sido a altura ideal para contratar Mourinho ou Jesus. Como o final deste Mundial, mesmo que Martínez o ganhasse, seria altura da rendição. Se as vitórias em sub-17 e sub-20 foram de Proença, então este semifracasso no fim de ciclo também tem de ser. O Sol nasce para todos.