Treinador do Benfica deixou rasgados elogios ao argentino, que teve de cumprir jogos de suspensão no início da época

Capitão Lenglet, ode a Prestianni e garantia sobre Dedic: tudo o que disse Marco Silva

Primeira parte foi «melhor», José Neto sentiu «estalo» no ombro e gestão de centrais estava planeada em partida com vários propósitos para as águias

Marco Silva analisou, na sala de imprensa do Tynecastle Park, o empate entre Benfica e Hearts (1-1) na segunda mão da 3.ª pré-eliminatória da UEFA Europa League.

—Que análise faz ao jogo?

— Melhor a primeira parte do que a segunda. Na primeira parte vimos coisas bem positivas: conseguirmos ser dominadores, controlar bem o jogo e criar oportunidades, mais uma bola no ferro. O número de oportunidades não foi tão grande como nos últimos jogos, mas foi suficiente para estarmos em vantagem ao intervalo. E a segunda parte não foi positiva. Basicamente, olhando para as duas, estamos muito mais satisfeitos com a primeira parte. A segunda parte não foi ao nível que podemos fazer. Já esperávamos alguns jogadores com algumas dificuldades de aguentar o jogo ao ritmo que queríamos e percebeu-se isso no momento que não tínhamos bola. Não fomos tão agressivos com bola como temos sido nos últimos jogos e claramente há jogadores que têm de ganhar essa capacidade. Não têm jogado os minutos suficientes para poderem aguentar e jogar com a intensidade, com e sem bola, que queremos. Passámos à próxima eliminatória como queríamos, era esse o objetivo, com uma vitória em casa [6-1] e um empate fora [1-1]. Queríamos vir aqui ganhar e manter o resultado da primeira mão, não conseguimos. De uma forma geral, a eliminatória foi passada e, ao mesmo tempo, permitiu-nos ver jogadores e gerir. Não querendo estar num jogo já a pensar no outro, mas permitiu-nos isso também para o jogo de segunda feira.

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—Porque é que escolheu o Lenglet como capitão?

—Quis ser muito claro e dei-vos os cinco de seguida e a hierarquia. Dificilmente vão ver, se tivermos possibilidade, um guarda-redes a capitão. O Samu no ano passado, ao contrário do que muita gente disse, já fazia parte dos capitães do Benfica. Muita gente achou muito estranho este ano continuar. Se calhar esperavam que chegasse ao Benfica e tirasse o Samuel de capitão. Sempre que for possível e acharmos que o devemos fazer, o capitão do Benfica será um jogador de campo, independentemente da hierarquia definida. Fazer parte de um grupo de capitães é muito mais do que meter a braçadeira no braço, é muito mais do que isso. Para nós é muito importante ter um jogador de campo a capitão e sempre que o desejarmos e for possível é o que vamos tentar fazer.

—Porque é que Lenglet saiu ao intervalo?

— Está ligado ao planeamento. Temos de ser inteligentes e cautelosos na gestão que fazemos. Estamos a competir de três em três dias. Neste momento da temporada, ainda não há muita fadiga física ou mental, será mais complicado em novembro, dezembro ou janeiro, mas ao mesmo tempo precisamos de ser cautelosos. O Tomás ainda não tem assim tantas semanas de trabalho, mesmo o próprio Lenglet não começou nos primeiros dias connosco. Depois do resultado que conseguimos na primeira mão e do excelente jogo que fizemos, sabíamos que teríamos de ser sérios e ambiciosos para tentar ganhar esta noite, mas ao mesmo tempo permitia-nos duas coisas: dar minutos a jogadores que queria ver em competição, é diferente vê-los, queria dar o máximo de minutos que podia dar. Fizemos sete alterações, que têm sempre impacto de um jogo para o outro. Desses sete jogadores, seis ainda não tinham começado um único jogo esta época e para nós era muito importante. Tínhamos planeado gerir o esforço do Enzo e dos centrais. Tínhamos planeado dar 45 minutos a cada um, não se passou nada com o Lenglet. O objetivo era dar os 90 minutos ao Manu numa posição que ele conhece, mas onde não tem jogado tanto, e, ao mesmo tempo, gerir os dois centrais que temos neste momento para lhe darmos treino em competição.

— O poder de adaptação de Sudakov a estas dinâmicas que o Marco quer implementar pode dar-lhe mais tempo de jogo e mais relevo no jogo ofensivo do Benfica?

É o que esperamos. Estamos a dar-lhe caminhos e algum posicionamento no campo para que a bola lhe chegue em condições como chegou tantas vezes esta noite. Se contabilizarmos, principalmente na primeira parte, o número de bolas que o Sudakov conseguiu receber entre linhas, mesmo dentro da área em alguns momentos, percebemos que são os caminhos que lhe queremos dar. Queremos fazer que a bola lhe chegue em boas condições e ele liberta o adversário direto. Na primeira parte conseguimos isso, mesmo para o próprio Andreas no corredor esquerdo, foi por aí muitas vezes que conseguimos chegar ao último terço. Parece-me que faltou um pouco de mais assertividade na última decisão e acima de tudo maior agressividade dentro da área para podermos criar ainda mais claras oportunidades de golo. Sabemos que o Sudakov é um jogador com características diferentes do Ríos, que jogou no outro lado do nosso triângulo, do Leandro ou do Fredrik, quando jogar. É o que queremos dar ao jogador naquela posição: não deambular pela frente de ataque e ter paciência. Ali tem que vir a criatividade e outras coisas que são importantes a este nível.

— Sente que José Neto está claramente em condições de concorrer com Samuel Dahl no lado esquerdo da defesa?

Achámos que era o momento de ele começar, a estreia nas competições europeias para um jovem jogador. Um jogador que é muito inteligente, não só dentro do campo como fora, percebe bem aquilo que pretendemos e que naturalmente terá que crescer. É melhor para ele crescer a competir do que não competir. E sempre que nós lhe pudermos e acharmos que é o momento de lhe darmos a oportunidade teremos que a dar. Teve uma boa pré-temporada, é um jogador em quem nós, Benfica, acreditamos muito. Acreditamos que pode vir a ser um jogador muito importante para o clube. Um jogador que fez 18 anos em abril, muito jovem, como é o Banjaqui, o Anísio, o Miguel [Figueiredo]. Aos poucos podermos ir dando jogo e momentos de competição a este nível é importante para eles irem crescendo. E esta noite foi o momento para o Neto. Teve algumas dificuldades, sentiu um estalo no ombro na primeira parte. Uma primeira parte com alguns momentos bons com bola a poder suportar aquilo que era o triângulo no corredor esquerdo com o Sudakov e com o Andreas. No momento do golo também, onde conseguiu colocar-se numa zona mais interior e ter a capacidade depois de decidir o passe para o Lukebakio. É isso que lhe queremos dar, muitas vezes a construir a três com ele a ser o jogador mais posicionado e depois libertar-se para o corredor para completar o nosso triângulo. Nos momentos defensivos sabe que tem de crescer em termos de agressividade que o jogo pede, mas é um jogador em quem nós acreditamos bastante.

—O jogo de hoje serviu para não deixar o Dedic cair no esquecimento, num momento em que pode sair?

O mercado tem zero influência nas minhas decisões. Se em algum momento me for dito que o jogador A, B ou C não é mais do Benfica, isso é uma coisa. Enquanto não me for dito, para mim não há mercado que controle aquilo que são as minhas decisões e isso vos garanto. O meu objetivo é olhar sempre para aquilo que são os interesses do Sport Lisboa e Benfica. Em relação ao Dedic, foi essa a tomada de decisão.Importa-me pouco o que se passa por trás, o que é normal neste momento de mercado também. Nós queremos e há outros clubes que querem jogadores, faz parte daquilo que é o mercado e isso tem zero influência nas minhas decisões e naquilo que eu acho que é o melhor para o Benfica. De certeza absoluta que irá ser assim até ao último dia e ao último minuto do mercado.

—Disse que o jogo de hoje servia para testes. Com que certezas é que sai daqui e o que vai aproveitar para o resto da temporada?

Tinha dito que seria um jogo para ver jogadores. Não há aqui teste ou deixar de ser teste. Conheço-os em treino já, é óbvio que fiz a minha análise antes de chegar, mas preciso de vê-los em competição. Preciso de ver como é que reagem a momentos positivos, menos negativos, a momentos de pressão, que hoje não era tão grande devido ao resultado que tivemos, O muito bom trabalho que fizemos no primeiro jogo permitiu-nos fazê-lo com mais tranquilidade e mais confiança neste jogo. Mudar sete jogadores de um jogo para o outro quando estamos em início de temporada, a conhecer as ideias de uma equipa técnica nova com alguns jogadores a chegarem, tudo isso requer se calhar um pouco mais de consistência no que é o onze inicial e decidimos de uma forma diferente. Gostei da primeira parte em muitos momentos, da segunda parte já não gostei tanto e vamos analisar todos juntos para eles perceberem o porquê de na primeira parte ter sido muita coisa positiva e na segunda não tanto. E seguimos para o próximo que é o Casa Pia, que é o mais importante.

— Hoje saíram informações que Dedic terá chegado a acordo com o Newcastle. Podemos estar perante um caso parecido ao António Silva?

— Vocês têm informações, estão mais bem informados que eu, portanto isso também é normal, faz parte do vosso trabalho. Não vou comentar o que vem na comunicação social. Tomei a decisão que achei melhor para o Benfica e será sempre assim. Os interesses do Benfica estarão sempre acima de tudo enquanto estiver aqui nesta cadeira e for o treinador do Benfica, sem dúvida nenhuma.

— Tem Prestianni em boa forma, Schjelderup foi titular, preferiu utilizar Lukebakio e ainda há Kaminski custou 17 milhões ao Benfica. É muito esforço financeiro para uma terceira ou quarta opção?

— Disse que o Prestianni estava em boa forma... não. O Prestianni está em grande forma. «Também em boa forma» acho que parece muito pouco para aquilo que ele tem vindo a fazer. Sei que é só um cheirinho, foram poucos jogos e, como vocês também têm vindo a dizer, muito fáceis. Mas a realidade é que está em muito, muito boa forma. Tem sido um jogador que tenho gostado muito de ver, não só no jogo. É óbvio que o jogo é o teste final, mas naquilo que é a sua aplicação diária, aplicação no treino, o coração que tem, a alma que mete no jogo. Gosto muito deste tipo de jogadores e por isso mesmo é que ele deu sinais durante a pré-temporada que mal terminasse os jogos de castigo iria ser uma peça fundamental para nós e estou muito satisfeito. E se nós somos Benfica e queremos ganhar jogos e olhar para as competições com ambição, não chega só ter um ou dois jogadores bons. Se queremos ser competitivos ao sábado ou domingo e depois à quinta, temos de ter muita gente a trabalhar e lutar por lugares. Percebo as vossas análises e são vossas e vocês têm toda a legitimidade de as fazer. Não vou estar aqui a comentar qual é o preço do jogador A, B, C ou D porque não é esse o meu trabalho com vocês, independentemente de respeitar muito as vossas perguntas. A mim interessa-me é que haja competitividade, que o Benfica esteja capaz de lutar por lugares e haver competitividade durante a semana porque só assim é que os jogadores crescem. Se o jogador andar ali muito sossegadinho não cresce de certeza e eu gosto que eles tenham dúvidas, que sintam dúvidas, porque só assim é que nós poderemos ser melhores.

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