Cândido Barbosa, presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo (Facebook/Volta a Portugal)
Cândido Barbosa, presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo (Facebook/Volta a Portugal)

Cândido Barbosa: «Colégio de Comissários deu nota máxima à Volta a Portugal»

Presidente da federação destaca a avaliação positiva pelos responsáveis da UCI à organização da corrida portuguesa, mas refere que o acidente mortal de Finlay Tarling é referenciado no relatório

O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), Cândido Barbosa, promete «mais trabalho e mais dedicação» para garantir uma melhor organização na edição de 2027 da Volta a Portugal, a corrida em que a prova assinalará o centenário.

No balanço à 87.ª edição, em conferência de imprensa realizada após a conclusão da 10.ª e última etapa, no Porto, o dirigente reconheceu que uma comunicação mais forte com as populações, articulada com os poderes de proximidade, poderá contribuir para reforçar a segurança da prova.

A edição deste ano ficou ensombrada pela morte de Finlay Tarling, ciclista britânico de 19 anos que representava a NSN Development e que colidiu com um veículo alheio à caravana durante a oitava etapa, em Ponte de Lima.

Apesar da fatalidade, Cândido Barbosa vincou a avaliação positiva feita pelo colégio de comissários da corrida à organização da Volta a Portugal.

«O senhor presidente do Colégio de Comissários deu nota máxima à Volta a Portugal em todos os aspetos, mas referiu que houve um incidente que vai ser referenciado no relatório. Não vamos dizer o contrário, porque houve um acidente e uma fatalidade de uma morte», afirma.

O presidente da FPC defendeu ainda o trabalho da GNR, responsável pela sinalização da corrida, sob a orientação do responsável do destacamento eventual de trânsito, Tiago Machado. Apesar da morte de Finlay Tarling, considerou que a força de segurança realizou «um excelente trabalho» e lembrou que prosseguem «as averiguações do incidente que vitimou mortalmente o ciclista Finlay Tarling».

Para Cândido Barbosa, as forças de segurança e a empresa espanhola Emesports, liderada por Ezequiel Mosquera, diretor da prova, organizaram «tudo na perfeição» dentro daquilo que era «controlável».

Entre os exemplos apontados esteve a operação de segurança durante a descida do Monte Farinha, na etapa de sábado, na Senhora da Graça, onde foi possível impedir que o público colocasse em risco os corredores.

«Naturalmente que a segurança tem vindo a ser trabalhada pela União Ciclista Internacional na última década. É notável o trabalho feito: todos os avisos, todas as bandeiras, todas as sinalizações. É difícil controlar 1.500 quilómetros de prova, mas estamos disponíveis para reforçar a segurança», disse.

Proposta de alteração do Código da Estrada

No balanço da Volta a Portugal, Cândido Barbosa anunciou também que a Federação Portuguesa de Ciclismo equaciona apresentar uma proposta para incluir no Código da Estrada punições específicas para quem desobedeça às autoridades durante eventos desportivos disputados na via pública.

A proposta surge na sequência da conclusão da 87.ª Volta a Portugal e pretende reforçar a sensibilização dos automobilistas para os riscos associados à realização de competições desportivas em estradas abertas ao trânsito.

«Estamos a pensar fazer uma proposta para que o Código da Estrada possa ter uma punição para quem não obedece a uma autoridade, para sensibilizarmos os automobilistas que, quando há desporto na via pública, a segurança é primordial», disse Cândido Barbosa, no átrio da Câmara Municipal do Porto, após a conclusão da 10.ª e última etapa da prova, na Avenida dos Aliados.

Com o centenário da Volta a Portugal no horizonte, em 2027, a Federação Portuguesa de Ciclismo assume assim o compromisso de reforçar o trabalho de organização e segurança, depois de uma edição marcada pelo triunfo de Alexis Guérin, mas também pela tragédia que vitimou Finlay Tarling.

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