Cândido Barbosa: «Colégio de Comissários deu nota máxima à Volta a Portugal»
O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), Cândido Barbosa, promete «mais trabalho e mais dedicação» para garantir uma melhor organização na edição de 2027 da Volta a Portugal, a corrida em que a prova assinalará o centenário.
No balanço à 87.ª edição, em conferência de imprensa realizada após a conclusão da 10.ª e última etapa, no Porto, o dirigente reconheceu que uma comunicação mais forte com as populações, articulada com os poderes de proximidade, poderá contribuir para reforçar a segurança da prova.
A edição deste ano ficou ensombrada pela morte de Finlay Tarling, ciclista britânico de 19 anos que representava a NSN Development e que colidiu com um veículo alheio à caravana durante a oitava etapa, em Ponte de Lima.
Apesar da fatalidade, Cândido Barbosa vincou a avaliação positiva feita pelo colégio de comissários da corrida à organização da Volta a Portugal.
«O senhor presidente do Colégio de Comissários deu nota máxima à Volta a Portugal em todos os aspetos, mas referiu que houve um incidente que vai ser referenciado no relatório. Não vamos dizer o contrário, porque houve um acidente e uma fatalidade de uma morte», afirma.
O presidente da FPC defendeu ainda o trabalho da GNR, responsável pela sinalização da corrida, sob a orientação do responsável do destacamento eventual de trânsito, Tiago Machado. Apesar da morte de Finlay Tarling, considerou que a força de segurança realizou «um excelente trabalho» e lembrou que prosseguem «as averiguações do incidente que vitimou mortalmente o ciclista Finlay Tarling».
Para Cândido Barbosa, as forças de segurança e a empresa espanhola Emesports, liderada por Ezequiel Mosquera, diretor da prova, organizaram «tudo na perfeição» dentro daquilo que era «controlável».
Entre os exemplos apontados esteve a operação de segurança durante a descida do Monte Farinha, na etapa de sábado, na Senhora da Graça, onde foi possível impedir que o público colocasse em risco os corredores.
«Naturalmente que a segurança tem vindo a ser trabalhada pela União Ciclista Internacional na última década. É notável o trabalho feito: todos os avisos, todas as bandeiras, todas as sinalizações. É difícil controlar 1.500 quilómetros de prova, mas estamos disponíveis para reforçar a segurança», disse.
Proposta de alteração do Código da Estrada
No balanço da Volta a Portugal, Cândido Barbosa anunciou também que a Federação Portuguesa de Ciclismo equaciona apresentar uma proposta para incluir no Código da Estrada punições específicas para quem desobedeça às autoridades durante eventos desportivos disputados na via pública.
A proposta surge na sequência da conclusão da 87.ª Volta a Portugal e pretende reforçar a sensibilização dos automobilistas para os riscos associados à realização de competições desportivas em estradas abertas ao trânsito.
«Estamos a pensar fazer uma proposta para que o Código da Estrada possa ter uma punição para quem não obedece a uma autoridade, para sensibilizarmos os automobilistas que, quando há desporto na via pública, a segurança é primordial», disse Cândido Barbosa, no átrio da Câmara Municipal do Porto, após a conclusão da 10.ª e última etapa da prova, na Avenida dos Aliados.
Com o centenário da Volta a Portugal no horizonte, em 2027, a Federação Portuguesa de Ciclismo assume assim o compromisso de reforçar o trabalho de organização e segurança, depois de uma edição marcada pelo triunfo de Alexis Guérin, mas também pela tragédia que vitimou Finlay Tarling.
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