Rali de Marrocos: João Ferreira a 17 segundos do pódio à entrada para o último dia
João Ferreira está em plena discussão pelos lugares de honra no Rali de Marrocos, quarta ronda do Campeonato do Mundo de todo-o-terreno. Ao volante da Toyota Hilux e navegado por Filipe Palmeiro, o piloto português concluiu a quarta etapa na sétima posição e ascendeu ao quarto posto da classificação geral, distando escassos 17 segundos da terceira posição.
A penúltima tirada da prova marroquina teve como vencedor o sueco Mattias Ekström (Ford Raptor), com o registo de 3:02.52 horas, recuperando dos problemas mecânicos sofridos na véspera. O sul-africano Henk Lategan (Toyota Hilux) foi o segundo mais rápido, a 35 segundos, seguido pelo norte-americano Mitch Guthrie (Ford Raptor), a 2.32 minutos. A dupla lusa cedeu 4.26 minutos para o vencedor do dia.
Na liderança da prova instalou-se o norte-americano Seth Quintero (Toyota), que tirou partido das contrariedades de Carlos Sainz (Ford Raptor). O piloto espanhol cometeu um erro de navegação antes do quilómetro 100, acabou ultrapassado por Quintero e perdeu cerca de 12 minutos, caindo para o terceiro lugar da geral, a 5.41 minutos do topo.
Entre ambos surge Lategan, no segundo lugar, a 2.45 minutos do comandante. Quintero procura o segundo triunfo consecutivo no Mundial e tem a possibilidade de sair de Marrocos no comando do campeonato, face aos atrasos dos pilotos da Dacia, Nasser Al-Attiyah e Sébastien Loeb.
A batalha pelo último lugar do pódio promete intensidade máxima para o dia decisivo: João Ferreira segue a 5.58 minutos da liderança e a 17 segundos de Sainz, tendo o espanhol Nani Roma (Ford Raptor) logo atrás, no quinto posto, a 6.09 minutos — após ter sofrido uma penalização que o fez descer duas posições. Guthrie surge no sexto lugar, a 6.54 minutos.
«Foi outro dia bom, com um ritmo forte e sem problemas, que é aquilo de que precisávamos. Estamos a andar bem, o carro está bem e isso dá-nos confiança para a última etapa», sublinhou João Ferreira, destacando que, «depois de um início de semana tão complicado», alcançar o top 3 constituiria «um resultado muito importante» para a equipa.
Domínio luso nos Challenger
Na categoria Challenger, Alexandre Pinto e Bernardo Oliveira (Taurus) voltaram a estar em destaque ao alcançarem a terceira vitória em etapas na prova. A dupla portuguesa cumpriu os setores seletivos em 3:30.02 horas, batendo o argentino Manuel Andújar (Taurus) por 5.49 minutos e o sul-africano Johan Els (Taurus) por 6.02 minutos.
Com este desempenho, Pinto e Oliveira consolidaram a liderança da classe, detendo uma folgada vantagem de 44.41 minutos sobre os compatriotas Rui Carneiro e Filipe Mota (Taurus), segundos classificados. Andújar ocupa o terceiro posto, a 52.32 minutos.
«Uma vez que estamos na liderança com algum tempo de vantagem, o nosso objetivo é mesmo chegar ao fim e foi isso que fizemos. Apesar de tudo, o ritmo foi bom», salientou Alexandre Pinto.
Martim Ventura segura comando nos Rally2
Nas duas rodas, Martim Ventura (Honda) assegurou o terceiro posto na divisão Rally2, a 2.11 minutos do sul-africano Michael Docherty (Hero), que venceu à frente do francês Neels Theric (Kove), segundo a 1.35 minutos.
O piloto português segue confortável na liderança dos Rally2, dispondo de 29.25 minutos de margem sobre Docherty, ocupando ainda a quinta posição da geral absoluta das motas, a 13.44 minutos do australiano Daniel Sanders (KTM), novo comandante da prova com 1.26 minutos sobre Edgar Canet (KTM) e 8.09 sobre Ricky Brabec (Honda).
Ruben Faria, responsável pela estrutura oficial da Honda, contextualizou a tirada de Ventura: «O Martim pilotou muito bem, mas perdeu-se perto do início da etapa e teve também um problema com o interruptor do roadbook, que lhe dificultou a navegação e levou a um erro. Apesar do problema, terminou hoje em terceiro.»
Ainda nas motos, Gonçalo e Salvador Amaral (Honda) também concluíram a penúltima etapa, superando o tempo despendido na procura de um ponto de passagem obrigatório para manterem a meta de terminar o evento.
A edição deste ano do Rali de Marrocos encerra no sábado com a realização de um setor seletivo de 259 quilómetros traçado em redor de Zagora.