Papu Gómez representa o Padova, em Itália

Campeão do mundo e o doping: «Depois da sentença, fiz terapia»

Papu Gómez aborda tempos difíceis depois de ter sido castigado. Regressou aos relvados em dezembro e veste a camisola do Padova, na Serie B italiana

Papu Gómez, atualmente no Padova, da Serie B italiana, abordou, em entrevista ao Gazzetta dello Sport, a suspensão de dois anos por doping que enfrentou, período que o levou a procurar ajuda psicológica e a reavaliar a sua vida e carreira. O internacional argentino, que venceu o Mundial em 2022, no Qatar, garante que pretende cumprir o contrato com o emblema transalpino, pelo qual realizou nove partidas em 2025/26.

A sanção por doping foi o golpe mais duro da carreira do avançado que brilhou na Atalanta, um episódio que o jogador de 38 anos descreve como «quase um filme». «A tosse durante a noite, o medicamento do meu filho, o controlo surpresa no dia seguinte», recorda. Após o choque inicial, Gómez tentou encarar a situação com uma nova perspetiva: «A vida prega-nos estas partidas, e eu disse a mim mesmo: Tinha de acontecer. E depois de um erro, agora torna-te uma pessoa melhor».

O período que se seguiu à suspensão foi de grande incerteza e isolamento. «Quando tudo corre bem, estás rodeado daqueles a quem chamo os amigos do campeão», afirmou, admitindo que muitos desapareceram. «Neste circo que é o mundo do futebol, com tanto ego e tanto espetáculo, tentei ter um círculo muito restrito, mas aconteceu na mesma. Contudo, agora sei quem está realmente presente, quais são as pessoas verdadeiras».

Com a sentença definitiva, o mundo do jogador desabou. «Um dizia-me 'Vão dar-te seis meses', outro 'um ano', outro ainda 'Vamos ao TAS'. Eu continuava a treinar sozinho, mas com a sentença definitiva tudo ruiu», confessou. A suspensão impediu-o até de frequentar cursos de treinador ou de agente, uma situação que descreve como «uma loucura». Foi nessa altura que considerou abandonar o futebol.

Para lidar com o impacto psicológico, Alenjandro «Papu» Gómez recorreu a terapia. «Foram mais ou menos seis meses: sessões à distância com um analista argentino. Não precisava de desabafar, apenas de quatro ou cinco conselhos para o meu dia a dia», explicou. O apoio da sua esposa, Linda, foi fundamental. «Ela está anos à frente. Estuda psicologia, fez o curso de coaching mental. Nos momentos sombrios, percebemos o valor de ter alguém assim ao nosso lado».

Este processo de introspeção ajudou-o a focar-se no presente. «Percebi que tinha dificuldade, especialmente na minha profissão, em viver o presente. Perseguia memórias ou pensava: hoje jogo aqui, amanhã onde jogarei? Tinha de aproveitar mais o momento: o que importa é quem sou e o que faço hoje», refletiu.

Atualmente, o argentino recupera de uma lesão no tornozelo e viaja diariamente 200 quilómetros até Bolonha para tratamentos, com o objetivo de estar apto para a pré-época do Padova a 10 de julho. Apesar dos rumores sobre a sua continuidade, Gomez é claro quanto ao seu futuro: «Tenho mais um ano de contrato e estou bem em Padova, a minha família está bem aqui. Não, não tenho intenção de sair. Os oito jogos que fiz com esta camisola não me chegam».

Aos 38 anos, a motivação para continuar a competir vem de um lugar simples: o amor pelo jogo. O jogador confessa que já não assiste a muitos jogos de futebol e que os treinos, os estágios e as viagens se tornaram mais difíceis de suportar. No entanto, a sensação de entrar em campo e sentir o cheiro da relva continua a ser a sua maior fonte de felicidade.

Com mais de 300 jogos na Serie A, sente que deixou a sua marca no futebol italiano. «Talvez tenha feito um pedacinho da história do futebol italiano: para mim, é o máximo assim», concluiu.

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