O esperado: três golos, três pontos, oitavos na mão e menos dois jogos (a crónica do FC Porto-Rangers)
O FC Porto sofreu pequeno susto a abrir o jogo, mas rapidamente deu a volta ao texto: 3-1 ao intervalo. O Rangers parecia uma equipa de meninos frente a frente a uma equipa de homens e, assim sendo, a vitória surgiu de forma tranquila para Farioli e seus ragazzi. Três golos, três pontos, quinto lugar, oitavos de final assegurados e, igualmente muito interessante, menos dois jogos em fevereiro.
A profundidade do plantel é agora tão grande, ao contrário do que acontecia em 2024/2025, que Francesco Farioli se deu ao luxo de trocar cinco jogadores relativamente ao jogo com o Gil Vicente e, mesmo assim, o FC Porto arrancou com um onze fortíssimo: Diogo Costa; Alberto Costa, Bednarek, Kiwior e Francisco Moura; Alan Varela, Froholdt e Rodrigo Mora; William Gomes, Samu e Pepê.
O que não invalidou que, logo ao minuto 6, o Rangers tivesse marcado. Péssima saída de bola de Kiwior, cruzamento de Curtis para a pequena área, Gassama desvia de cabeça e Bednarek, com uma abordagem de principiante, deixa a bola entrar na baliza do espantado Diogo Costa. Era o golo mais madrugador que os dragões sofriam em 2025/2026.
Poderia este golo levantar algum fantasma em redor do FC Porto? Depressa se viu que não. Os azuis e brancos tomaram conta do jogo e confirmou-se, em poucos minutos, que a equipa escocesa (só com um escocês no onze: Findlay Curtis) estava a anos-luz da dimensão do adversário. Ou, no mínimo, a meses-luz, se esta expressão existe. Mais bola, mais perigo, mais quase tudo para a equipa de Farioli.
Até que, pouco antes da meia hora, Mora fez aquilo a que pomposamente se chama uma receção orientada a meio-campo. Ou seja, recebeu a bola e progrediu com ela logo no primeiro toque, cedeu-a a Alan Varela, que abriu na largura para William Gomes. O brasileiro tentou o que sempre tenta, um pouco como Robben fazia: entrar da direita para a esquerda e rematar para golo. O remate encontrou um adversário pela frente, a bola sobrou para o pé direito de Mora e o 86 fez golo. O mais jovem em campo iniciou e finalizou a jogada: 1-1.
Os múltiplos cruzamentos de resultados dos restantes jogos colocavam agora o FC Porto no 10.º lugar da fase de liga da Liga Europa. Um abaixo daquele com que iniciara a jornada 8. Era, pois, preciso fazer mais qualquer coisa para chegar a mais golos e à vantagem para que, assim, se recolocasse nos oito primeiros, de forma a evitar os dois jogos do play-off. E, nos últimos dez minutos da primeira parte, já após um corte impetuoso de Emmanuel Fernández sobre Pepê na área do Rangers, o FC Porto transformou o empate numa vantagem relativamente confortável. Bednarek lançou Francisco Moura na área adversária, Tavernier e Butland atrapalharam-se e o lateral-esquerdo, a dois toques — o último de calcanhar —, colocou os dragões na frente. Pouco depois, canto de Francisco Moura e Emmanuel Fernández, de cabeça, a fazer autogolo.
Pior, meu caro Rangers, era quase impossível. Sofrer o primeiro após um ressalto, o segundo a chegar após falha do lateral-direito e do guarda-redes e o terceiro a aparecer num autogolo. Que culpa tinha o FC Porto? Zero. E quando o intervalo chegou, pouco depois do 3-1, o líder da Liga portuguesa estava, sossegadamente, na sexta posição e com menos dois jogos na segunda metade de fevereiro, ‘entalados’ entre Nacional, Rio Ave e Arouca.
A segunda parte foi de gestão portista, com um momento inicial de algum perigo para a baliza de Diogo Costa, com Raskin a rematar de muito longe e o guarda-redes do FC Porto a ser obrigado a uma defesa apertada para canto. Se a tendência se mantivesse, a vantagem poderia estar em perigo. Mas foi sol de pouca dura. Aliás, de nenhuma dura. Logo a seguir, Aarons mostrou às cerca de 38 mil pessoas presentes no Dragão a razão por que o Rangers tinha apenas quatro pontos: caramba, Max, aquela piscinice na área portista não é de Liga Europa, é mesmo de Champions. Nem Taremi, Jonas ou Manuel Fernandes (Deus o tenha!) fariam melhor. Ou pior, como é o caso.
A seguir, claro, aumentou a gestão de Farioli: William por Borja (61), Alberto por Martim (61), Samu por Gul (68), Froholdt por Rosario (68) e Mora por Gabri (80). Depois, a bola foi, de algum modo, oferecida ao Rangers para que tentasse provar que está a anos-luz (sim, afinal era mesmo a anos-luz) do FC Porto. Nada provou e, assim sendo, foi só esperar que monsieur Jasper Vergoote apitasse pela última vez. E, quando o fez, surgiu a confirmação: menos dois jogos em fevereiro para Francesco Farioli e companhia.