Um jogo i-nes-que-cí-vel!
Há várias gerações de sportinguistas que hoje sentem um orgulho especial. É que esta não é uma quarta-feira qualquer. É dia de chegar à escola, ao trabalho ou ao café com altivez, muitos de camisola verde e branca ainda vestida e com a voz ainda rouca. É que, ontem à tarde, o Sporting entrou em campo a perder por 0-3 e virou a eliminatória frente ao Bodo/Glimt com um massacre sobre os noruegueses como poucas vezes se vê no grande palco que é a Liga dos Campeões. Numa palavra: i-nes-que-cí-vel!
Só uma entrada de leão faria a equipa de Alvalade acreditar, mas o que se viu foi uma exibição épica ao longo de toda a partida. Mesmo com muitos falhanços quase inexplicáveis, o Sporting nunca perdeu o foco, como se soubesse do resultado antes dele acontecer e estivesse tranquilo com isso.
O descanso da Liga no fim de semana trouxe jogadores mais frescos, mas sobretudo terá dado tempo a Rui Borges para cozinhar esta mentalidade avassaladora. Decisão certeira do Sporting, ainda que os quartos de final da Champions tragam agora um novo problema para a calendarização do jogo com o Tondela. Mas adiante. Mérito ainda para a comunicação do clube, que foi preparando os adeptos para este momento, com um apelo ao qual responderam na perfeição.
Se o conto de fadas do Bodo/Glimt estava a encantar a Europa, pois então que agora as atenções se virem para o bicampeão português, que até já tinha derrotado o campeão europeu em título e que até já tinha ficado nos oito primeiros da fase de liga, mas a quem faltava uma tarde como esta para se afirmar entre as equipas que alcançam os impossíveis quando o assunto é Champions.
A nível individual haverá muitos elogios a fazer, mas o momento que retive como o mais simbólico deste feito sportinguista ocorreu já no último minuto do prolongamento e foi uma falta sofrida por Morten Hjulmand. Depois de uma exibição monstruosa, o médio dinamarquês pressionou, caiu ao chão, bateu primeiro na relva com fúria - uma fúria de quem trabalhou muito para chegar ali! - e depois celebrou como se fosse um golo. Quando se joga assim, é impossível não celebrar cada segundo!
Agora vêm aí os quartos, que há mais de 4 décadas fugiam aos leões, ou os leões fugiam deles. Há tempo para digerir esta magnífica vitória e preparar outras tardes ou noites europeias inesquecíveis em Alvalade. Há várias gerações de sportinguistas que não estavam até agora habituadas a pensar assim, em grande, mas esta é a nova realidade. Parabéns, leões!
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