E se Pablo Felipe for a peça que faltava à Seleção?
O tempo passa rápido e em menos de nada o Mundial-2026 estará aí à porta. Tal como acontece em todos os anos de Campeonatos do Mundo e da Europa, o mercado de inverno que precede as grandes competições continentais é marcado por movimentações que vão ao encontro da vontade de os jogadores terem a maior visibilidade possível antes das convocatórias – ou armazenarem a maior bagagem para se apresentarem em grande forma na prova estival.
Vejamos por exemplo o caso de João Cancelo, disposto a abdicar de metade do salário de €17 milhões que aufere no Al Hilal da Arábia Saudita para jogar novamente pelo Barcelona; ou, por outro lado, os primeiros sinais que começam a surgir sobre um hipotético desconforto de Gonçalo Ramos sobre os minutos que não tem no PSG e que gostaria (e precisaria) de ter para ganhar outra embalagem no verão.
Os grupos tendem a ser fechados (e o de Portugal é assumidamente um deles), mas há decisões que são influenciadas pela ponta final das respetivas temporadas desportivas. No caso dos avançados, é crível que haja uma atenção redobrada de Roberto Martínez ao que se vai passar nos próximos meses, porque essa é claramente uma posição com vaga em aberto - Ronaldo, Gonçalo Ramos e outro.
E por isso vale muito a pena estarmos atentos ao que fará Pablo Felipe no West Ham. O ponta de lança luso-brasileiro, filho ao antigo goleador do FC Porto, Pena, protagonizou uma transferência surpreendente, saindo do Gil Vicente para a formação cujo treinador é Nuno Espírito Santo, num negócio de €20 milhões (metade vai para o Famalicão, clube que tem mostrado ser um caso de sucesso na partilha de passes).
Já era conhecida a vontade de o jogador representar a Seleção Nacional e é público que a Federação Portuguesa de Futebol está a realizar todos os esforços para que ele possa ter o passaporte português. É curioso que a maior parte dos media ingleses apresentaram Pablo como um futebolista brasileiro, desconhecendo que se trata na verdade de um futebolista com dupla nacionalidade e desejo já assumido de preferir Portugal ao Brasil como o escudo a defender.
A medida de pressão dependerá do que fará Pablo em Inglaterra. Ter um ponta de lança a marcar golos num clube de pequena dimensão em Portugal é uma coisa, mas é totalmente diferente se mantiver o mesmo registo no melhor campeonato do mundo. Bem vistas as coisas, quando se pensava que Portugal já tinha uma seleção de topo mundial, eis que ainda pode haver um bónus.
ELEVADOR DA BOLA
A subir
Thiago Silva, central do FC Porto
Não são todos os jogadores que aos 41 anos têm uma porta aberta como a do FC Porto. É uma contratação fruto das circunstâncias (lesão de Nehuén Pérez), mas acertada por um clube que viu sair Pepe (cinco meses mais velho) no verão de 2024.
Estagnado
Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem da FPF
Decidiu o CA suspender os programas TV de análise à arbitragem. Entende-se a vontade de trazer paz social, mas contraria o princípio da transparência. Ademais, os juízes sabem que esta é uma atividade pública. É uma medida para proteger uma classe, não o futebol
A descer
Gabriel Batista, guarda-redes do Santa Clara
Tal como os árbitros, aos guarda-redes não se perdoam os erros. A diferença é que a estes não se aponta dolo, apenas azar ou incompetência. Para a história ficará o erro incrível que deu a vitória do FC Porto nos Açores. De tão bizarro quanto inesperado.