Benfica e Mourinho: as 'finais' são para ganhar
Se é da Pedreira que vem a notícia do empate dos leões, é na Luz, na receção ao líder, que o Benfica não pode deixar pedra sobre pedra. Num campeonato em que nem FC Porto nem Sporting perderam muitos pontos, desperdiçar oportunidades para recuperar em duelos diretos tem sido pecado-maior. A equipa, já com Mourinho no banco, deixou fugir dois momentos, no Dragão e em casa, diante dos verde e brancos, em que podia ter reentrado na luta. Só terá outros dois, o primeiro hoje, o último talvez tarde demais.
Não basta um campeonato sem derrotas, faltam vitórias. Os empates com Rio Ave, Casa Pia e Tondela fizeram mossa e trouxeram à superfície habituais problemas no ataque posicional, porém, quando não derrotou os rivais falhou duplamente: não só não encurtou distâncias como não provocou dúvidas aos rivais. Pior, embora fora destas contas, ainda foi arrasado pelo SC Braga na meia-final da Taça da Liga e caiu na prova-rainha na Invicta, nos quartos.
Não resta mais nada ao Benfica senão vencer, o que não só devolveria peso à matemática como colocaria sob pressão um primeiro classificado a quatro pontos e o segundo a apenas um, com a tal visita a Alvalade em abril para concluir a ultrapassagem. Claro que não será fácil, mas empate e derrota só servem aos outros, que inclusive se têm apresentado mais consistentes até aqui. Os portistas, vencendo, terão o título à mercê, por isso, para os encarnados, é a hora de Mourinho fazer o que sabe. E, para alguém que é letal em finais, muitas tem perdido ele desde que regressou à Luz. Porque todos os jogos desde então têm essa dimensão e urgência.
Já no SC Braga-Sporting que incendeia o clássico, impõe-se, mais uma vez, a segunda parte dos minhotos. É do melhor ataque posicional por cá. Reação à perda eficaz, cerco mantido numa posse simples e paciência para encontrar espaços na área. Não foram muito os momentos de finalização, mas nunca se viu tal capacidade em FC Porto, Sporting ou Benfica. Só que, depois, esse mesmo SC Braga, ainda que já olhe para o setor, no mercado, com outros olhos, continua a sofrer com demasiada facilidade, implodindo quando se esperava firmeza e afirmação.
É genial o empate, contudo. Há tanto talento carregado no passe de Moutinho quanto na receção orientada de Zalazar, e tremenda se tornou depois a explosão libertada pelo pé esquerdo de Horta! O mundo de Rui Borges abanou! Até no final o empate se abater sobre a sua cabeça.