João Diogo Manteigas, foi candidato à presidência do Benfica nas eleições 25 de outubro de 2025 - Foto: Miguel Nunes
João Diogo Manteigas, foi candidato à presidência do Benfica nas eleições 25 de outubro de 2025 - Foto: Miguel Nunes

Benfica: Manteigas pede fim do silêncio da Direção e apresenta propostas para a arbitragem

Candidato nas últimas eleições considera ser «difícil ignorar o ruído e fatores externos que têm interferido com o normal decorrer da Liga»

João Diogo Manteigas, candidato nas últimas eleições do Benfica, divulgou um comunicado onde analisa o momento atual do clube e apresenta um conjunto de propostas relacionadas com a arbitragem. O documento combina mensagem de mobilização com críticas à atuação da Direção.

Manteigas começa por reconhecer que os resultados desportivos da época 2025/26 não atingem as expectativas dos sócios, lembrando que o investimento no plantel ultrapassou os €100 milhões pela quarta vez em seis anos. Considera que a responsabilidade deve ser partilhada entre Direção, equipa técnica e jogadores, sustentando que a exigência competitiva do clube deve manter-se.

No texto, o ex-candidato aponta também fatores externos que, no seu entendimento, têm influenciado o decorrer da Liga, nomeadamente critérios de arbitragem que classifica de inconsistentes. Refere uma «sensação de variação consoante as equipas em campo» e defende que esse cenário coloca em causa a equidade das decisões e o ambiente competitivo.

A crítica mais direta é dirigida à Direção do Benfica, que, segundo Manteigas, se mantém em «silêncio prolongado» face às declarações públicas de responsáveis de outros clubes sobre arbitragem e instituições desportivas. Recorda o caso da final da Taça de Portugal da época anterior como exemplo de uma reação tardia que, no seu entender, teve consequências para o clube.

Entre as medidas propostas, Manteigas defende que o presidente do Benfica deve pedir, de forma pública e imediata, a divulgação das avaliações das equipas de arbitragem e do VAR. Argumenta que este processo permitiria aos adeptos e ao público conhecer o trabalho dos árbitros e os critérios de quem os avalia, garantindo um maior escrutínio e contribuindo para a transparência do sistema.

Apresenta ainda um conjunto de questões e propostas concretas: esclarecimento sobre a nova estrutura de VAR criada no norte do país «através da Associação de Futebol do Porto»; publicação dos relatórios dos observadores de arbitragem; e divulgação dos fundamentos das nomeações das equipas arbitrais para os jogos das duas ligas profissionais. Defende também a elaboração de um projeto‑lei dedicado exclusivamente à arbitragem, definindo regras de formação, recrutamento, deontologia, incompatibilidades e enquadramento profissional dos árbitros.

Manteigas propõe que os árbitros passem a ter enquadramento jurídico idêntico ao de treinadores e jogadores, considerando que todos são agentes diretos no espetáculo desportivo. No final, volta a apelar à união dos adeptos e à concentração de esforços em torno da equipa principal, reforçando a ideia de que o Benfica deve manter vigilância institucional perante as instâncias que regulam o futebol português.

Comunicado de João Diogo Manteigas

Na semana em que celebrámos o 122.º aniversário do Sport Lisboa e Benfica, instituição ímpar mundial, importa mantermos uma reflexão contínua, serena e firme sobre os momentos que se têm vivido ao longo desta época.

Há que ter sempre presente a necessidade do constante apelo à união e coesão da família benfiquista. Este domingo volta a ser um momento crucial para apoiar a equipa principal, reforçando a confiança e concentração de energias que esse desafio nos exige a todos. Focados e determinados, moralizados pelo apoio superiormente audível nas bancadas de Madrid, reacenderemos o caminho rumo ao 39.º título de campeão!

Não escondemos que os resultados desportivos desta época não correspondem às expetativas dos sócios nem à grandeza do nosso Clube. Sobretudo quando, pela quarta vez nos últimos 6 anos, o investimento no plantel foi superior a 100 milhões de euros.

A responsabilidade é partilhada pela direção, equipa técnica e atletas. A nossa história constitui um fardo grande, mas no sentido positivo em que o objetivo tem de ser vencer sempre. Em todos os campos. Esta exigência jamais se extinguirá.

É, no entanto, verdade que se torna difícil ignorar o ruído e fatores externos que têm interferido com o normal decorrer da liga 2025-26. Os critérios de arbitragem são inconsistentes e questionáveis. Há uma sensação de variação consoante as equipas em campo, gerando dúvidas legítimas quanto à equidade das decisões. Estes episódios não justificam totalmente os pontos perdidos, mas deterioram o

clima competitivo, condicionam e não salvaguardam a verdade desportiva.

O silêncio prolongado da nossa Direção perante evidentes e sucessivas pressões públicas sobre a arbitragem e instituições desportivas que, ainda esta semana, foram protagonizadas pelos presidentes do Futebol Clube do Porto e do Sporting Clube de Portugal, fragiliza a defesa dos superiores interesses do Sport Lisboa e Benfica. Não são aceitáveis reações tardias, conforme ocorreu na época passada com o dano irreparável da final da Taça de Portugal. Os Benfiquistas não esquecerão.

Assim, deve o Presidente do Sport Lisboa e Benfica solicitar, imediatamente e de forma pública, a divulgação das avaliações sobre as equipas de arbitragem e de VAR. Deste modo, o público avaliará não só o trabalho dos árbitros, mas também a visão e critério de quem os avalia. O escrutínio é imperativo e tornou-se inevitável. Mas, para que tal aconteça, há que aceder à avaliação dos atos praticados por quem nos causa legitimidade para duvidar. A transparência é a única forma de sobrevivência no futebol português. Só assim se poderá confiar, um dia e de uma vez por todas, na arbitragem nacional.

Perante os sucedidos ao longo da presente época desportiva, o Sport Lisboa e Benfica tem o dever de vigilância institucional, podendo solicitar a convocação urgente de reuniões com o Presidente da FPF, LPFP e com todas as sociedades desportivas interessadas. O objetivo passa por promover a abertura do setor ao público em geral, com vista a garantir mais e maior integridade competitiva.

 

Contribuo com algumas questões e sugestões para este efeito:

— Com que justificação, meios e fins, foi implementada uma estrutura VAR

no norte do país através da Associação Distrital de Futebol do Porto? Servirá

apenas competições desportivas distritais ou pretende-se a sua ampliação a nível

nacional conforme o atual Presidente da FPF deu a entender?

— Necessidade de publicação dos relatórios dos observadores dos árbitros;

— Publicação do fundamento para as nomeações das equipas de arbitragem nos jogos da 1.ª e da 2.ª Liga;

— Apresentação urgente de uma base para um projeto-lei aplicável exclusivamente aos árbitros e que inclua, sem se limitar, a formação e respetivo plano de carreira das associações distritais até à FPF, as formas de recrutamento, as regras deontológicas, os regimes de incompatibilidades e impedimentos, e a definição do regime profissional, com recurso ou à figura de contratos de trabalho ou à de prestações de serviços.

Deve ser implementada, definitivamente, a equiparação legal entre árbitros, treinadores e atletas enquanto agentes diretos no espetáculo desportivo. Numa altura em que se caminha a passo rápido para a centralização dos direitos audiovisuais, o setor profissional do futebol não pode permitir que se duvide constantemente do rigor e seriedade dos árbitros, bem como deve sancionar severamente trocas de acusações pífias entre dirigentes bipolares.

Viva o Sport Lisboa e Benfica!