Enrico Maassen destacou importância de sair da primeira mão, em casa, com um bom resultado

Treinador do St Gallen avisa: «Queremos incomodar o Benfica»

Enrico Maassen atribui favoritismo às águias, mas quer colocar as águias «em dificuldades» na 2.ª pré-eliminatória da Liga Europa. Do «dinâmico» Kaminski à «máquina» Barreiro, sobram elogios para a matéria prima encarnada

Enrico Maassen é o porta-voz da ambição do St Gallen, vice-campeão suíço e vencedor da Taça da Suíça em 2025/26. O treinador de 42 anos frisa que os comandados querem deixar «desconfortável» o «adversário mais difícil» que podiam defrontar na segunda pré-eliminatória da Liga Europa. O primeiro duelo é já na quinta-feira, em casa dos suíços.

O técnico germânico, que comanda o St. Gallen desde 2024, antecipou os duelos contra as águias, relativizou derrotas averbadas na pré-época e elogiou profundidade do plantel encarnado, em entrevista A BOLA.

-Que expectativas tem para a eliminatória contra o Benfica?
- Vamos jogar contra uma equipa que é, naturalmente, a clara favorita. O Benfica é um dos maiores clubes do mundo, e o maior de Portugal. Este é um grande jogo para o nosso clube e estamos muito ansiosos. Queremos ser um adversário desconfortável contra uma equipa muito forte tecnicamente. Queremos incomodar o adversário, tentar deixar a nossa marca no jogo e depois logo veremos qual será o resultado final.

-O capitão do St. Gallen, Lukas Gortler, disse há semanas que a passagem do St. Gallen à próxima fase seria «muito improvável». Concorda?
-É o adversário mais atrativo que nos podia ter calhado, mas também o mais difícil.. Queremos agora dar o primeiro passo, que é fazer um jogo muito bom em casa. Se conseguirmos equilibrá-lo ou até vencê-lo — o que não é impossível — veremos o que acontece. Mas é claro que não será fácil contra uma equipa tão forte. Penso que ninguém espera que passemos à próxima fase, e isso também pode ser uma oportunidade para nós.

- Qual é o peso desta eliminatória para o St. Gallen? 

- Sabemos que o Benfica é uma equipa de nível de Liga dos Campeões, extremamente elevado. Mas é um jogo oficial e encaramo-lo com a vontade de vencer e passar à próxima eliminatória. Todos podemos aprender muito com estes jogos. Queremos mostrar o nosso ADN: pressão alta, momentos de transição rápida e muito verticais com a bola. Queremos colocar o Benfica em dificuldades.

- Na época passada ganharam a Taça da Suíça, mas ficaram a cinco pontos do título. A conquista da liga tornou-se um objetivo?
- Fizemos uma temporada excecional no ano passado. Agora temos a carga das competições europeias, que é um desafio para o clube. Já passámos por isso há dois anos na Conference League e aprendemos com essa experiência.. O objetivo tem de ser, primeiro que tudo, ter um bom início de época. Claro que queremos sempre melhorar, mas não é fácil quando ficas em segundo e ganhas a Taça. Mas vamos fazer tudo o que seja preciso para que a equipa continue com fome de vitórias.

- O St. Gallen perdeu de forma algo pesada contra Lyon (3-6) e Norwich (0-3) na pré-época...
-
Antes da época começar, queríamos adversários com qualidade. Tivemos um com nível de Liga dos Campeões e outro com qualidade física. Tivemos alguns problemas com pequenas lesões de jogadores importantes durante a preparação, mas agora temos todos disponíveis. Estamos noutro nível em termos de condição física. Depois de uma época passada tão boa, precisávamos de adversários assim, que nos levassem aos nossos limites porque o Benfica também vai ter este nível. Já não precisávamos de uma equipa contra a qual ganhássemos sem esforço.

- Que Benfica é que espera na quinta-feira?

- Um novo treinador significa sempre uma nova ideia de jogo. Vimos todos os jogos de preparação, sabemos mais ou menos o que nos espera. É uma equipa fantástica e creio que o jogo passará por pressionarmos homem a homem. Temos de nos afirmar nos duelos individuais, mas ao mesmo tempo apoiar-nos mutuamente. É uma equipa forte tecnicamente, muito refinada e com muitos jogadores de elite. Quando falamos de jogadores-chave no Benfica, falamos de muitos.Não adianta focarmo-nos apenas num.

-  Coincidiu com o Franjo Ivanović no Augsburgo...
-  Ele ainda jogava na equipa B, era um jogador muito jovem. O Franjo é uma pessoa muito positiva, gostávamos muito dele na altura em Augsburgo. É alguém que traz muita energia para o campo, trabalha muito para a equipa e procura a finalização com determinação. Teve uma evolução enorme. Sei que não teve um inicio fácil no Benfica, mas conheço as suas qualidades.

Ivanovic ao serviço do Augsburgo B, em 2023 - Foto. IMAGO

-Jogou também contra o Jakub Kaminski e o Leandro Barreiro na Bundesliga

- O Kaminski é um jogador muito dinâmico e tecnicamente evoluído, conheço-o de muitos jogos nos últimos anos na Bundesliga. Tem valências que podem ajudar muito o Benfica. O Barreiro é uma 'máquina' a recuperar bolas. Em Mainz era super intenso, super agressivo, corria imenso e era uma peça fundamental em Mainz. É fantástico ver a evolução que teve e o papel tão importante que desempenha num clube tão grande. 

- As ausências de jogadores do Benfica que estiveram no Mundial podem potenciar as hipóteses de sucesso do St. Gallen na primeira mão?

- Creio que os jogadores que vão jogar têm uma qualidade muito elevada e vão querer aproveitar a oportunidade para se mostrarem enquanto os outros ainda não chegaram. Por isso, não espero qualquer quebra de rendimento.

-O que é que consideraria um bom resultado para o St. Gallen na quinta-feira?

-Gostaria de ter um jogo renhido em que demonstrássemos aquilo em que acreditamos, com intensidade, corajosos e pressão. Queremos ser uma equipa contra a qual ninguém gosta de jogar. Se conseguirmos fazer isso, o resultado será positivo para nós.

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