Mundial
Mundial
Messi não vê o mesmo que Cristiano Ronaldo
Cristiano Ronaldo e Lionel Messi não anunciaram o adeus às seleções de Portugal e Argentina, até ver, mas o Campeonato do Mundo deste ano foi visto como uma última dança de ambos, pelo que não deixa de fazer sentido, agora que terminou a prova, olhar para o futuro de ambas as seleções sem estas lendas que inspiraram o futebol mundial nos últimos vinte anos.
Com oito golos e quatro assistências no torneio, Messi mostrou que, mesmo aos 39 anos, continua a ser um dos melhores do mundo, se é que não foi mesmo o elemento mais preponderante do campeonato. O corpo já não terá a reação de outros tempos, mas a relação entre a cabeça e o pé esquerdo continua sobrenatural, naquela genialidade tão individualista e coletiva ao mesmo tempo. Toda a gente sabe que a bola vai lá chegar, mas ele consegue encontrar espaço para a receber, mesmo que o adversário tenha montado uma teia para o tentar controlar. Se está sozinho contra um adversário, desequilibra; se atrai dois ou mais, entrega ao colega que ficou solto. Tão simples e tão distintivo ao mesmo tempo.
Mas aquilo que Messi fez no Mundial 2026, quando comparado com o rendimento de jogadores como Lautaro Martínez, Julián Alvarez, Nico González, Thiago Almada ou Giuliano Simeone, mostra que a dependência terá sido mais elevada até do que em 2022. E o problema não está só na frente: tirando Valentín Barco e Nico Paz, que pouco jogaram no Mundial, a Albiceleste tem pouco sangue novo para revitalizar a equipa.
Para Portugal, que mais tarde ou mais cedo vai ter de seguir em frente sem Cristiano Ronaldo, esse exercício parece mais auspicioso, tendo em conta que a convocatória para o Mundial tinha sete jogadores com menos de 25 anos: Tomás Araújo, Gonçalo Inácio, Renato Veiga, Nuno Mendes, João Neves, Francisco Conceição e Gonçalo Ramos, que completou um quarto de século de vida durante o torneio. A Argentina tinha apenas três: Valentín Barco, Nico Paz e Giuliano Simeone.
Portugal não precisa de vitórias morais — nem sequer o argumento de que foi eliminado pelo campeão do mundo, ou que foi a equipa que mais perigoso criou aos espanhóis —, mas pode agarrar-se a argumentos positivos para o futuro.
O legado de Cristiano Ronaldo (e de Lionel Messi) é tremendamente pesado, até do ponto de vista financeiro, mas a última dança não levou todos os artistas.