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Tebas quer demissão de Infantino: «É difícil, há cúmplices ativos e passivos»
Javier Tebas, presidente da LaLiga, voltou a insurgir-se contra o líder da FIFA e exige a sua demissão.
«Infantino não está interessado no futebol, mas tem o apoio das federações, porque ninguém ousa enfrentá-lo», afirmou o dirigente espanhol, numa entrevista publicada pela Gazzetta dello Sport.
As duras críticas vindas da Liga espanhola partem dos rumores crescentes sobre a iminente expansão do formato do Campeonato do Mundo: de 48 para 64 seleções em 2030.
A publicação de Alejandro Dominguez, presidente da CONMEBOL, sobre o próximo Mundial — «A próxima edição será jogada em casa. Uruguai, Argentina e Paraguai vão acolher o Campeonato do Mundo de 2030 [receberão primeiros jogos das respetivas seleções por ocasião do centenário]» — não ajudou a serenar os ânimos.
«A FIFA organiza as coisas como quer, para o que quer e para os seus próprios interesses, certamente não para o futebol. Portanto, se precisar de uma pausa de 27 minutos, fá-lo!», afirmou, acrescentando: «As pausas para hidratação são uma mentira. Temos na LaLiga, mas só quando está muito calor. Aqui, os campos em Dallas, Los Angeles e Atlanta tinham ar condicionado. Tive de vestir uma camisola na bancada. Foi uma mentira, uma pausa publicitária. E depois houve o caso Balogun.»
«Isto demonstra que somos governados por uma instituição que faz e decide o que quer, como e quando quer, seguindo apenas os seus próprios interesses sem pensar – muito menos consultar – o resto do futebol. E, em muitos casos, age em detrimento do futebol», criticou.
Questionado se não há forma de mudar as coisas, Javier Tebas intensificou o seu ataque: «É difícil, porque existem cúmplices ativos no sistema que colaboram neste tipo de decisões, mais outros cúmplices passivos que se calam, não denunciam e não fazem nada para impedir que certas coisas aconteçam novamente. Criticam o sistema no bar, ao café, ou ao telefone em conversas privadas, mas depois não fazem nada para acabar com tudo isto. A suspensão da suspensão do jogador americano é uma questão extremamente grave.»
«Tiveram sorte que a Bélgica eliminou os EUA, caso contrário teria provocado um escândalo maior, que poderia ter custado o cargo a Gianni Infantino. Uma vez que a Bélgica venceu, conseguiram enterrar o problema... Mas estas coisas são apenas a ponta do icebergue», reforçou.
«As competições nacionais são as que sustentam o futebol. A FIFA destrói a indústria do futebol, aquela que gera dezenas de milhares de empregos para um evento que dura 40 dias e ao qual vai uma minoria de jogadores», atacou, prosseguindo: «Chegam lá os melhores futebolistas? Claro, mas também estão nas nossas ligas. Precisamos de menos seleções nacionais e de mais proteção para o futebol nacional, a todos os níveis. Não se apercebem disso de todo, tomam decisões irresponsáveis!»
Questionado sobre se Infantino deveria sair, foi perentório: «Na minha opinião, sim, acho que a sua hora chegou! Mas ele tem o apoio do sistema, das federações. Não há muito mais a dizer, certo? Não há nenhum candidato da oposição, ninguém quer perder. Este é o sistema e está doente desde a raiz.Não deveria ficar, mas o estado das coisas dita que não vai sair. Nestes dias, na América, ouvi tantas pessoas contra Infantino, que não concordam com o que ele faz. Dizem-no, mas não fazem nada. Não sei o que é pior, o silêncio ou a cumplicidade, porque aqueles que se calam estão perfeitamente cientes dos danos que o futebol sofre.»
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