Haaland com um guaxinim (IMAGO)
Haaland com um guaxinim (IMAGO)

Quando estas linhas entrarem na gráfica, pelo jornal, ou passarem a estar online no site de A BOLA, o vencedor absoluto do Mundial 2026, depois de 104 jogos disputados, estará encontrado, Espanha ou Argentina, embora Keyne, irmão de 3 anos de Lamine Yamal, esteja numa categoria especial de vencedor. Mas interessa-me mais outro tipo de vencedores, aqueles que passaram por Estados Unidos, México ou Canadá e, mesmo não tendo levantado taças, ficaram connosco.

A Escócia só distribuiu amor em Boston (também levou consigo toda a cerveja) e os sul-coreanos sentiram-se em casa no México; os selecionadores Javier Aguirre (México) e Gustavo Alfaro (Paraguai) mostraram-se mestres das conferências de imprensa e num nicho surpreendente, a seleção da Argélia foi adotada em grande comunhão pela sua vila do campo-base, Lawrence, no Kansas, cuja filarmónica local até aprendeu o hino argelino. O Irão lutou como pôde perante uma logística muito difícil, o Japão arrumou, como é costume, a Jordânia deixou doces.

De Cabo Verde para o Mundo, obviamente, Vozinha. O guardião de 40 anos encontrou fama mundial em poucos dias, depois do jogo com a Espanha e 30 dias depois de o campeonato ter começado, já anda entre os consagrados, a fazer jogos de lendas da FIFA em Nova Iorque. 

Anunciadas as 48 equipas, muitos diziam ‘para que queremos jogos como o Curaçau-Equador?’ Pois bem, de que outra maneira teríamos tido as 15 defesas do guarda-redes Eloy Room na seleção que, desconfio, tinha as melhores camisolas da competição? E como veríamos Lumumba, o adepto-estátua da RD Congo?

Mas mudando das balizas para a frente, os americanos descobriram Erling Haaland. A jogar sem a pressão de candidato ou favorito, ou candidato a favorito, ou outro rótulo que se calhar Portugal faria bem em adotar, a seleção da Noruega foi avançando na competição relaxada, com um marketing simpático desde o início - das fotos ‘à viking’ até à remada feita em comunhão entre adeptos e mais para a frente com os jogadores no final dos jogos no relvado - com exceção daquele cidadão que pediu rigor histórico e se recusou a fazê-la, umas vez que os vikings não remavam em oceanos, apenas em rios.

Haaland e os companheiros adaptaram-se a tudo, do calor à cultura, momento que culminou com a chegada a Oslo com guanixim empalhado.

Por muito polémica que a organização tenha tido, sobretudo com interferências como o vermelho ao americano Balogun 'perdoado', uma coisa ficou: o hino cantado por todos o jogadores no círculo central é algo que manteria.

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