O italiano Pecco Bagnaia é um dos pilotos mais ativos na comissão de segurança. IMAGO
O italiano Pecco Bagnaia é um dos pilotos mais ativos na comissão de segurança. IMAGO

Bandeiras vermelhas no MotoGP: após caos e drama, Bagnaia pede união aos pilotos

Seis pilotos penalizados, três largadas canceladas, dois pilotos hospitalizados e um campeão mundial agredindo fisicamente membros de sua própria equipa: eis o resumo do Grande Prémio da Catalunha de MotoGP, a corrida mais dramática dos últimos anos

Os acidentes ocorridos durante o Grande Prémio da Catalunha, no passado domingo, em Montmeló, reacenderam o debate sobre a segurança em MotoGP. Após a corrida, as opiniões dividiram-se sobre se a prova deveria ter sido concluída, com a maioria dos pilotos a criticar a forma como o fim de semana terminou.

Os protagonistas admitiram, no entanto, a complexidade de alcançar um consenso entre os 22 pilotos da grelha. «É preciso entender que, embora possa não parecer, somos bastante egocêntricos; procuramos sempre a nossa oportunidade», resumiu Acosta.

Apesar das divergências, o paddock partilhou uma reflexão comum: a urgência de reforçar o papel da Comissão de Segurança e analisar como as atuais motos de MotoGP levaram certas situações ao limite. A gestão dos acontecimentos de domingo não convenceu, mas a segurança do circuito de Montmeló não foi posta em causa.

Ainda assim, vários pilotos apontaram a curva 12 como um ponto a necessitar de melhorias. «Não é um circuito inseguro. Há pontos um pouco justos que têm de ser melhorados, como a curva 12», afirmou Rins. Maverick Viñales concordou: «Para mim, o único ponto que creio estar muito perto do muro é a curva 12. De resto, o circuito fez um trabalho excecional». Acosta e Aldeguer partilharam da mesma preocupação, com este último a recordar a queda de Jorge Martín nos treinos livres: «Há curvas como aquela onde o Jorge [Martín] caiu no FP1, em que o muro estava bastante perto. Isso tem de ser corrigido».

Já no que toca à curva 1, o traçado catalão foi ilibado de culpas. O problema, segundo os pilotos, reside na aerodinâmica das motos. «Com tanta aerodinâmica, mesmo que não vás em excesso, o cone de ar suga-te e não consegues evitar causar um incidente», explicou Raúl Fernández. Rins detalhou o problema técnico: «O problema é que chegamos com as motos baixas à frente e atrás e com tanta aerodinâmica que não consegues reduzir a velocidade, porque não tens ar limpo que te trave». O piloto mostrou-se esperançado que a eliminação de alguns dispositivos de altura, prevista para 2027, ajude a mitigar estas situações. Joan Mir acrescentou que «o espetáculo é o mesmo se chegarmos em terceira [velocidade]».

Estas questões serão discutidas na próxima reunião da Comissão de Segurança, que terá lugar em Mugello, palco da próxima etapa do Mundial, entre 29 e 31 de maio. Após os graves acidentes em Montmeló, Bagnaia fez um apelo aos seus colegas para que participem na reunião. «Não somos nós que decidimos, mas somos nós que podemos influenciar as decisões. Este fim de semana houve várias decisões discutíveis e espero que venham mais à próxima reunião», declarou.

O apelo parece ter surtido efeito. Bezzecchi confirmou a sua presença: «Estarei na Comissão de Segurança. Vou analisar tudo e, com a cabeça fria, talvez me surjam algumas ideias». Por sua vez, Mir assumiu uma quota-parte de responsabilidade pela ausência dos pilotos nestes fóruns. «Falhámos todos [ao deixar de ir à comissão]. Eu tentarei estar sempre presente, porque é o único momento em que podemos zelar pelos nossos interesses», confessou. Acosta concluiu, sublinhando a importância do momento: «Agora é que teremos de ver o quanto queremos arriscar a pele depois de acontecerem estas coisas».

Com seis pilotos penalizados, três largadas canceladas, dois pilotos hospitalizados e um campeão mundial agredindo fisicamente membros de sua própria equipa, o Grande Prémio da Catalunha de MotoGP foi a corrida mais dramática dos últimos anos.

Um Grande Prémio de 24 voltas que foi interrompido duas vezes devido a quedas graves e terminou com a vitória de Fabio Di Giannantonio, da Ducati, pouco mais de uma hora depois de ser atingido por uma roda que se soltou da moto acidentada de Alex Márquez, que foi levado para o hospital. O espanhol com uma fratura na clavícula direita e uma vértebra em risco e o piloto da Honda, Johann Zarco, com múltiplas lesões no joelho e ruptura da fíbula no tornozelo, mais tarde, após outro acidente, igualmente assustador.

Enquanto issp o australiano Jack Miller foi um dos cinco pilotos a receber penalidades de 16 segundos após a corrida por infrações relacionadas à pressão dos pneus. Já o campeão mundial de 2024, Jorge Martin, empurrou um membro importante da sua equipa depois de terminar em último lugar na terceira e última partida, depois de ter sido atingido na primeira volta pelo seu companheiro de equipa na Aprilia, Raul Fernandez, que não foi penalizado pelo incidente.

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