Paulo Fonseca, treinador do Lyon - Foto: IMAGO

Paulo Fonseca faz balanço de época no Lyon: «Era difícil fazer melhor que 4.º lugar»

Treinador português aponta que a equipa não dava para mais depois de início de temporada atribulado; vai disputar o play-off da Champions

O treinador Paulo Fonseca defendeu o quarto lugar conseguido com o Lyon na Ligue 1, considerando-o um «feito magnífico» dadas as circunstâncias da época. O técnico português antecipa agora um defeso onde as vendas ditarão as contratações, com o objetivo de disputar play-off de acesso à UEFA Champions League, uma vez que o acesso direto acabou falhado na última jornada.

Em entrevista ao jornal L´Équipe, fez o balanço de uma temporada que descreveu como «mentalmente muito difícil», admitindo a necessidade de descansar. «Estou cansado. Preciso de descansar um pouco. Tivemos de gerir os nossos altos e baixos», confessou, acrescentando que, apesar do desgaste, se sente «muito motivado» para os desafios futuros. O treinador fez um balanço da temporada, abordando as dificuldades financeiras do clube, a gestão do plantel e o seu próprio futuro, garantindo que pretende continuar no comando técnico da equipa francesa.

Fonseca reconhece que o desfecho da época deixou «sentimentos mistos», com a frustração das derrotas nos dois últimos jogos (1-2 com o Toulouse e 0-4 contra o Lens) a contrastar com a satisfação pelo quarto lugar. «Ser 4.º com tudo o que aconteceu no início e durante a época, é magnífico», afirmou, explicando que tentou gerir as expectativas após a vitória sobre o Rennes, que fez muitos acreditarem no terceiro lugar. «Tentei moderar essa euforia, manter o equilíbrio. Sabia que seria complicado. Conheço a minha equipa. Talvez não tivéssemos a experiência para enfrentar esses momentos de pressão», admitiu.

O treinador português sublinhou as profundas alterações no plantel como um fator decisivo, lembrando as saídas de jogadores como Rayan Cherki, Alexandre Lacazette, Georges Mikautadze e Thiago Almada. «Esta equipa é totalmente diferente da época passada. Não tínhamos a mesma qualidade individual», frisou. A isto somaram-se as lesões e o desgaste de disputar três competições com um plantel limitado. «Os nossos jogadores não estavam habituados a disputar tantos jogos», explicou.

Questionado sobre a comparação com equipas como o Lens e o Lille, que obtiveram melhores resultados, Fonseca apontou diferenças claras. «O Lens fez um mercado muito inteligente, com jogadores experientes», referindo nomes como Saint-Maximin, Édouard, Thauvin e Said. Já sobre o Lille, destacou a «continuidade» do projeto. «Eles têm um historial mais longo com o seu treinador e os seus jogadores», disse, lembrando que a diferença pontual para o Lille foi de apenas um ponto.

Fonseca também comparou o poderio financeiro do Lyon com o de outros clubes: «O Rennes tem muito mais dinheiro. O mesmo para o Monaco e o Marseille. Quanto investiu o Strasbourg? E o Paris FC? Se tens os melhores jogadores, tens mais possibilidades. Aceito a frustração. Mas, razoavelmente, não podíamos fazer melhor do que este 4.º lugar.»

Para o futuro, o treinador revelou que está a analisar possíveis mudanças nas equipas técnica e médica, em conjunto com o diretor desportivo Matthieu Louis-Jean. «Estamos a estudar a questão. Veremos quais são as possibilidades para as melhorar», concluiu.

«Não posso esquecer o que o clube fez por mim»

Apesar de ter mais um ano de contrato, até junho de 2027, o técnico não se mostra preocupado com a renovação. «Vou ficar. Não posso esquecer o que o clube fez por mim durante os meus nove meses de suspensão. Foi difícil ter mais apoio», afirmou, sublinhando a sua ambição para o Lyon: «Penso que o Lyon é um grande clube, com dificuldades pontuais. Tenho ambição já para a próxima época, quero ser mais competitivo. Podemos conseguir.»

No entanto, o cenário financeiro continua a ser um desafio. Questionado sobre os meios para a próxima temporada, a resposta foi clara: «Não imediatamente. É impossível. Temos de ser realistas. O problema financeiro não está resolvido.» O técnico detalhou a situação, explicando que «em 2025-2026, foi o ano zero. Em 2026-2027, será o ano 0,5. Precisamos de vender, pois não há dinheiro para investir.»

Recordando o início da época, o treinador descreveu um clube «em depressão» e com «medo», após a decisão judicial que colocou o Lyon na segunda divisão. «Eu quis ficar. Porque era difícil e porque gostava do clube, das pessoas, da atmosfera», confessou. A reviravolta começou quando a decisão foi revertida, permitindo ao clube manter-se na Ligue 1. «Criámos um grupo diferente. Desenvolvemos um ambiente no clube, desde o diretor ao staff, jogadores e funcionários. Este grupo precisava de ser uma equipa e de não depender mais das suas individualidades. A humildade é a sua principal força.»

Sobre a comunicação no balneário, esclareceu que usa o inglês nas reuniões para que todos compreendam, mas fala francês no campo e em conversas individuais, reservando o português para os jogadores portugueses e brasileiros. Quanto à sua interação com o plantel, afirmou: «Depende dos momentos. Falo durante as sessões de vídeo individuais. Às vezes, não falo. Não sou o tipo de treinador que se justifica por tudo o que faz.»

A época foi marcada por altos e baixos, incluindo uma série de 13 vitórias consecutivas, seguida por momentos difíceis, como as derrotas com o Strasbourg (1-3) e o Marselha (2-3), a eliminação nos penáltis na Taça de França frente ao Lens (2-2, 4-5 nos penáltis) e a derrota em inferioridade numérica contra o Celta de Vigo (0-2) na Liga Europa. «Tínhamos muitas ambições nas três competições. Foi difícil mentalmente para a equipa», admitiu. A solução passou por corrigir problemas nas transições defensivas, o que permitiu à equipa voltar aos bons resultados.

O treinador recordou ainda o ceticismo da imprensa após o empate com o Angers (0-0), a 5 de abril. «Toda a imprensa nos dava como mortos. Ninguém esperava que ficássemos nos cinco primeiros. Ganhámos em Paris (2-1, a 19 de abril)», rematou. Se pudesse mudar algo, seria «priorizar uma competição em detrimento de outra» e fazer «algumas alterações de jogadores».

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