Mundial
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Aveiro no sangue e coração dividido: quem é a voz ‘secreta’ da Seleção?
PALM BEACH GARDENS — Chama-se Gabriela, é brasileira, e por esta altura é uma das figuras mais requisitadas, ainda que invisíveis, no quartel-general da Seleção Nacional na Florida.
Num Mundial onde o mediatismo atinge níveis estratosféricos, a comunicação na sala de imprensa é uma barreira que tem de ser derrubada ao segundo. É aí que entra a voz, a rapidez de raciocínio e a frescura desta jovem que, de um momento para o outro, trocou o rigor das viagens médicas pelo frenesim dos microfones onde se discutem as táticas e as exibições de Portugal.
A história da chegada de Gabriela à estrutura de apoio do Mundial confunde-se com o dinamismo e as oportunidades que surgem nos Estados Unidos.
«Foi um trabalho para o qual um amigo me chamou. Eles estavam a precisar de uma pessoa para fazer a interpretação das conferências, de inglês para português, e eu acertei», diz-nos a sorridente Gabriela, uma das figuras mais simpáticas da internacional sala de imprensa de Portugal em Palm Beach Gardens.
O que parecia ser apenas mais um desafio de tradução rapidamente se transformou numa experiência de vida avassaladora. Adepta confessa de futebol, «como qualquer boa brasileira», Gabriela confessa que a sua realidade profissional costuma ser bastante mais cinzenta e ligada a contextos médicos.
«Nunca tinha feito este tipo de trabalho em futebol. Eu faço tradução em ambiente médico para brasileiros e para falantes de espanhol também. Já trabalhei em viagens médicas, como intérprete e essa tem sido a minha experiência», continua.
A transição dos relatórios clínicos e diagnósticos para as salas de conferência onde traduz as palavras dos nossos internacionais foi um choque benéfico. A viver na zona de Palm Beach e recém-licenciada, a jovem prepara-se para ingressar na escola de farmácia já no próximo mês de agosto. Este desvio pelo futebol é a lufada de ar fresco perfeita antes de regressar aos laboratórios.
«Tem sido um presente»
Estar frente a frente com figuras do topo do futebol mundial nas conferências de imprensa exige uma concentração de ferro. Gabriela confessa que a oportunidade tem sido uma surpresa diária.
«Tem sido muito diferente, muito legal. Eu realmente não esperava ter esta oportunidade, então cada dia em que estou aqui tem sido um presente. Estou muito grata de poder ver estas pessoas, de estar envolvida com a FIFA e poder aprender um pouco mais sobre futebol e sobre os processos do Mundial. Tem sido um sonho», confessa.
Nomes como Vitinha ou Rúben Dias passaram recentemente pelo seu crivo de tradução, mas o impacto não se fica pelo profissionalismo. A convivência com a cultura portuguesa e com a própria comitiva tem deixado uma marca profunda na jovem brasileira: «Tem sido muito boa, os portugueses são muito graciosos, muito felizes. Estou muito feliz de estar aqui e de ver que o português de Portugal e o do Brasil não é tão diferente, a gente se entende e tem sido maravilhoso.»
O sonho de uma final Portugal-Brasil
Apesar de nunca ter visitado Portugal, a ligação de Gabriela ao nosso país tem raízes familiares profundas: «Tenho muita vontade de ir a Lisboa e eu tenho família em Aveiro. Então tenho vontade de visitar, com certeza», diz-nos.
Ao ver o ambiente que se vive na Florida, a intérprete arrisca um palpite ambicioso para o desfecho deste torneio e não esconde o cenário ideal para encerrar esta aventura na Florida com chave de ouro: «Uma final entre Portugal e Brasil seria muito legal, muito legal. Mas aí se calhar estaria a torcer pelo Brasil. Eu estaria a torcer, sim, com certeza. Mas acho que Portugal vai chegar bem longe neste Mundial.»
Resta saber se, até lá, a voz de Gabriela continuará a ditar o rumo das palavras dos nossos internacionais na sala de imprensa, numa viagem que começou nos hospitais e promete terminar no topo do futebol mundial.
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