De Boston a Houston com passagem por Graceland - Foto: MIGUEL NUNES
De Boston a Houston com passagem por Graceland - Foto: MIGUEL NUNES

Chouriço e vinho à porta de Elvis Presley: emigrantes cruzam a América para ver Portugal

Febre lusa invadiu o Texas à vista do duelo com o Uzbequistão: entre a trégua pacífica com os argentinos e uma viagem de milhares de quilómetros desde Boston, houve quem parasse em Memphis para deixar oferendas nacionais

HOUSTON — O eco do fado viajou milhares de quilómetros, furou o asfalto das autoestradas americanas e instalou-se, de malas e bagagens, bem no coração de Houston. O Texas, conhecido pela sua imensidão e pela cultura de cowboys, rendeu-se à invasão pacífica de uma claque que não conhece fronteiras.

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A contagem decrescente para o decisivo duelo entre Portugal e o Uzbequistão transformou as imediações do estádio numa autêntica antevisão da grande festa que se espera para esta terça-feira. Curiosamente, o aquecimento da comitiva lusa começou com um pretexto inesperado: a transmissão do jogo da Argentina.

Festa argentina pela vitória misturou-se com a portuguesa - Foto: MIGUEL NUNES

Havia muitos adeptos argentinos misturados no recinto, mas as rivalidades antigas ficaram à porta. Não se sentiu qualquer réstia de animosidade relacionada com a eterna discussão entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, mesmo com o camisola 10 da albiceleste a somar já cinco golos na prova.

Por entre as camisolas vermelhas e verdes, o respeito prevaleceu, ainda que as preces dos portugueses fossem apenas numa direção: a de que CR7 comece, finalmente, a faturar com o carimbo habitual.

A confiança, essa, está blindada. Entre todos os adeptos com quem conversámos, o veredicto é unânime e não dá margem para cenários cinzentos: Portugal vai vencer o Uzbequistão e somar os três pontos que faltaram diante da RD Congo.

Esta é vista como a verdadeira rampa de lançamento para uma caminhada que a comunidade emigrante deseja longa, com destino traçado até New Jersey, palco da grande finalíssima a 19 de junho. O sonho é coletivo e alimenta-se da ambição de ver Cristiano Ronaldo erguer o troféu que falta à sua carreira lendária.

Nesta maré de apoio, há histórias que definem o que é ser português no estrangeiro. Um grupo de emigrantes, residente em Boston, personifica essa loucura de forma exemplar. Munidos de uma paixão inabalável, decidiram meter-se à estrada e atravessar a América profunda de carro, conduzindo milhares de quilómetros até ao Texas.

Fazem-no com o orgulho de quem acompanha a Seleção Nacional em todos os Mundiais e Europeus desde 2006. Mas esta viagem guardava uma paragem mística.

Ao passarem por Memphis, o grupo fez questão de visitar Graceland, a mítica mansão de Elvis Presley. Em jeito de promessa e com o humor típico de quem transporta a pátria na bagagem, decidiram deixar uma oferenda muito especial junto à propriedade: chouriça, carcaças e vinho.

Festa portuguesa em Houston, na véspera do Portugal-Uzbequistão - Foto: MIGUEL NUNES

Uma homenagem bem portuguesa ao Rei do Rock, que serviu também de talismã e de uma curiosa ligação ao outro rei — o do futebol português, Cristiano Ronaldo. Com o estômago aconchegado e a alma cheia, o contingente luso garante que a festa em Houston está apenas a começar.

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