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As críticas, a obrigação de dar resposta e o Uzbequistão: o que disse João Cancelo
HOUSTON — Sobre as declarações após o empate com a RD Congo, considera que Portugal não tem qualidade com bola? E, se não, porquê?
O que disse foi que, no jogo contra a RD Congo, não tivemos qualidade com bola, não que não temos qualidade com bola. Isso ficou percetível no jogo que tivemos: não criámos oportunidades de golo e isso não é normal para uma equipa como a nossa. Temos jogadores de uma qualidade individual dos melhores do mundo e temos de mostrar isso no campo; no jogo contra a RD Congo não o conseguimos fazer.
— Como é que lidou com o ruído à volta da Seleção?
Eu tento abstrair-me disso. Se calhar, há cinco anos, ligava um bocado mais, mas com o meu crescimento enquanto pessoa fui mudando um pouco essa parte. Mas claro que acaba sempre por chegar algumas coisas, e, muitas vezes, de maneira injusta. Nós sabemos aquilo que fizemos mal no primeiro jogo, sabemos que falhámos, que tínhamos obrigação de ganhar, mas não foi possível. No dia a seguir, a equipa estava cabisbaixa, mas isso é porque nós queremos tanto dar alegrias a Portugal e aos portugueses. Esta semana de trabalho foi muito importante porque vi todos os jogadores motivados, vi todos os jogadores com vontade de dar uma resposta. É isso que é importante para amanhã: que nos mantenhamos positivos, que os portugueses estejam connosco, e abstrair-nos dessas críticas, porque não é positivo nem benéfico para o nosso grupo.
— Vai cumprir 70 jogos por Portugal, leva 12 golos, mas ainda não marcou em Mundiais. É amanhã?
Deus o ouça. Se assim for, e que dê para ajudar a equipa, principalmente, que é o que eu e todos os meus colegas queremos. Mas o mais importante amanhã é mesmo a vitória. Temos essa obrigação, sabemos, temos pouca margem de erro neste momento e queremos fazer um grande jogo, com futebol atrativo e sairmos com a vitória.
— Nestes cinco dias de trabalho, o que é que viu a equipa evoluir em relação ao que falhou, para que seja quase impossível que falhe neste jogo?
Vi uma grande atitude dos meus colegas, pela forma como queremos encarar o jogo de amanhã, porque sabemos a responsabilidade que temos em cima de nós. Claro que não é uma obrigação ganharmos o Mundial, mas tudo faremos para o conseguir. Este grupo é fantástico, é um grupo espetacular. Estamos todos a remar para o mesmo lado e peço-vos a vocês também, e a todos os portugueses, que estejam connosco porque, ao fim ao cabo, estamos todos a representar uma nação. Toda a gente quer que Portugal ganhe; nós, principalmente, porque sabemos que se falharmos as críticas vão cair em cima de nós, e com razão, porque somos nós que jogamos. Peço que se mantenham positivos e que amanhã seja um grande dia para Portugal.
— Quais são as diferenças entre a RD Congo e o Uzbequistão?
São uma equipa completamente diferente da da RD Congo. A RD Congo era uma equipa muito mais física. O Uzbequistão é uma equipa muito organizada e com jogadores muito rápidos na frente. No Al Hilal, tive a oportunidade de ver e jogar contra equipas do Uzbequistão e é um país que está a evoluir no futebol. Vai ser um jogo difícil amanhã.
— Como se transforma a pressão em motivação?
Está um ambiente muito bom dentro do grupo. Só no dia a seguir ao jogo é que estivemos um bocado cabisbaixos, porque toda a gente estava desiludida com o jogo que fizemos, e com razão. Éramos favoritos e tínhamos muita vontade de entrar com o pé direito neste Mundial. A partir do segundo dia após o jogo, a atitude dos jogadores e do grupo foi excelente. Como disse, temos um grupo fantástico e é nestes momentos difíceis que os grandes jogadores têm de responder. Espero que respondamos amanhã.
— Provavelmente, teremos o regresso do Rúben Dias à linha defensiva. Qual é a importância deste regresso e qual o impacto da liderança dele na equipa?
O Rúben Dias é um pilar da nossa Seleção, não há como esconder. É muito importante para a nossa defesa, mas não quero desvalorizar o trabalho que fez o Tomás Araújo e o Renato Veiga, que fizeram um bom jogo contra a RD Congo. Todos temos de estar preparados para jogar. O Rúben, se amanhã entrar e jogar, claro que vai ser muito importante para nós, mas tanto o Tomás como o Renato, o Gonçalo Inácio, o Diogo Dalot ou o Rúben Neves (que pode jogar ali), todos têm de estar prontos para dar o contributo à equipa.
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