Bruno Pinheiro, 49 anos, treinador do Académico Viseu - Foto: Académico de Viseu Futebol Clube
Bruno Pinheiro, 49 anos, treinador do Académico Viseu - Foto: Académico de Viseu Futebol Clube

Bruno Pinheiro: o jogo quase perfeito do Benfica, a Luz vazia, os elogios a Marco Silva e muito mais

Treinador do Académico Viseu acredita que a equipa poderá criar mais dificuldades ao Benfica do que o Hearts

Bruno Pinheiro não revela a estratégia do Académico de Viseu para o jogo com o Benfica, domingo, na Luz, às 20 horas, mas promete que a equipa não vai jogar para o pontinho no campeonato. Acredita que pode fazer melhor que o Hearts contra um adversário «sem pontos fracos» no duelo da Liga Europa.

— Antes de uma estreia, há muita, com certeza, ansiedade da equipa técnica e dos jogadores. A equipa está preparada para enfrentar o Benfica, que ainda ontem goleou o Hearts?
— Essa é uma pergunta sempre fácil de responder. Nós, treinadores, gostaríamos sempre de ter mais tempo para trabalhar e, honestamente, contra estas equipas grandes, nunca é fácil estar totalmente preparado para enfrentá-las. Mas, dentro do tempo que tivemos, acho que sim, podemos dizer que estamos preparados. Vai ser um jogo extremamente difícil, contra uma equipa que tem muita qualidade, que ainda ontem o demonstrou com um jogo quase perfeito. Mas estamos focados em nós. Sabemos que a caminhada é longa. Nada se decide na primeira jornada; não é como se começa, será sempre como termina. Espero fazer um jogo competente. Pelo menos trabalhámos para isso. Teremos certamente um jogo diferente para apresentar do que o adversário de ontem do Benfica. Esperemos que essas diferenças possam criar mais problemas ao Benfica do que os adversários têm causado até agora.

— É uma desilusão jogar à porta fechada ou, por outro lado, uma motivação extra e uma esperança redobrada por o estádio não estar cheio?
— Compreendo a sua pergunta. Restringimo-nos à realidade e sem pensar muito nisso. É o que é. E, quando saem as informações, já estamos em modo de trabalho e acaba por não alterar rigorosamente nada. Não provoca qualquer tipo de sentimento. Obviamente, toda a gente sabe que o futebol é bom com o público, que também seria bom para os nossos adeptos terem a possibilidade de ver o Académico na primeira jornada no Estádio da Luz. Também não o vão poder fazer, obviamente. Não estariam em maioria, mas também seria interessante ter os nossos adeptos. Contaremos com o apoio deles à distância e no próximo jogo, no Fontelo. Quanto a eventuais vantagens? De facto, a multidão galvaniza os jogadores. Esperemos que a ausência de público possa equilibrar um bocadinho mais as contas entre as equipas.

— Apenas quatro jogadores têm experiência de I Liga. Será fragilidade ou, pelo contrário, isso poderá ser compensado pelo empenho da estreia?
— Quatro, mas um deles [Luís Silva] não estará presente. Mais uma vez, não penso nisso. Numa fase inicial, quando caracterizámos o plantel, temos consciência dessa situação. O plantel fez um bom trabalho no ano passado e não dá para trocar tudo o que estava a correr bem. É importante trazer os jogadores com outra experiência quando os que estiveram cá demonstraram ter qualidade. A qualidade não terá tanto a ver com a experiência. A experiência ajuda na gestão do ritmo do jogo, por exemplo, ajuda num estádio cheio, o que se calhar na II Liga nem sempre se consegue ter. Mas não nos focamos nisso. Não pode ser considerado um handicap, se não era melhor nem começar o campeonato. Partimos do princípio de que os jogadores demonstraram qualidade no ano passado e temos essa confiança. A experiência adquire-se. Se fôssemos só pela experiência, nunca os jogadores novos chegariam lá.

— Quais os pontos fracos e fortes do Benfica?
— Pontos fracos, ontem não vi. Há que dar mérito às pessoas quando o têm. O Marco [Silva] é um excelente treinador e está a fazer um bom trabalho. Como ponto forte, para lá da qualidade individual e coletiva que o Marco também conseguiu acrescentar, o Benfica vai para o quarto jogo oficial, enquanto este será o nosso primeiro. O Benfica é sempre superior individualmente; coletivamente também, fruto das suas individualidades, e com certeza que irá impor o seu jogo. Agora, a diferença de ritmo competitivo do quarto jogo e o embalo de vitórias muito moralizadoras são os pontos fortes do Benfica.

— Que Académico vamos ter na Liga?
— Assinava já a manutenção. Pontinho a pontinho, não, mas assegurar a manutenção assinava já. Precisamos ter noção da realidade. O Académico esteve 37 anos ausente da Liga e, quer se queira, quer não, criou-se um fosso. Um fosso em geral. Agora, quem me conhece sabe que sou um treinador humilde. Também encontrei um clube humilde e vamos ter de fazer da humildade uma força, mas vamos ter ambição. Adoro que as minhas equipas assumam o jogo, que não tenham receio de jogar com bola. Se jogar para o pontinho é jogar fechado atrás, não será a estratégia que pretendemos. Agora, quando os adversários nos empurrarem e tivermos de fazê-lo, seremos humildes para o fazer, vamos ser solidários, sabendo que a nossa vontade será sempre controlar o jogo através do domínio da bola e, a partir daí, fazer um jogo de que toda a gente goste, fazendo-lo acima de tudo por acreditarmos que a melhor forma de ganhar o jogo será sabendo jogar com bola. Será sempre uma equipa que terá como ambição jogar mais com bola do que o seu adversário. Quando formos obrigados a defender atrás e fomos empurrados, também o faremos e teremos de o fazer com todas as forças e com toda a alma possível.

— Os holofotes com a estreia contra o Benfica têm algum efeito na equipa ou preferia começar, por exemplo, contra uma equipa que, à partida, tem o mesmo objetivo?
— Temos um início de campeonato, em teoria, difícil. Mas a verdade é que temos de jogar contra esses adversários e, mais uma vez, não adianta ficar aqui a pensar se o início é difícil ou se não é. Tem de ser feito. Estamos cá. Também podemos ver a coisa de outra maneira. Se as coisas saem muito bem, podemos embalar para um campeonato diferente. Não dá para escolher adversários. É o que é. Vamos jogar contra o Benfica. Se tem um peso junto da equipa, honestamente, durante a semana não o senti. Espero não senti-lo no domingo. Acredito que não. A partir do momento em que a bola começar a rolar, há aquele impacto inicial, mas depois tudo se torna normal. É mais um jogo de futebol.A única diferença é ser contra um dos ditos grandes do nosso campeonato. É uma equipa grande e que está muito bem. Essa é a única diferença. Depois de a bola começar a rolar, será um jogo normal para toda a gente.

— Sente necessidade de reforçar mais alguma posição?
— Vou repetir o que disse há uma semana. O clube está atento ao que há no mercado. Não se fecharam portas agora. Sempre que se identificarem alguns jogadores que de facto sejam uma mais-valia, o clube irá certamente fazer um esforço para que esses jogadores possam ingressar, mas nada de loucuras. Estamos atentos e estamos a trabalhar nisso. Certamente há uma ou outra posição que poderá ser revelada, mas é provável que ainda entrem dois ou três jogadores.

— Esta é a sua terceira experiência na Liga. Como caracteriza este desafio?
— Pessoalmente, é, se calhar, o meu maior desafio enquanto treinador. É um desafio grande. No Estoril, tínhamos sido campeões e a maioria do plantel ficou. Os jogadores dominavam a ideia de jogo e viram que foi uma Liga muito... Andámos meio campeonato nos cinco primeiros e foi um campeonato muito tranquilo. No Gil Vicente, entrei num contexto sem pré-época. Ter de passar esta ideia de jogo que exige coragem e muita interpretação de jogo.. E em contexto competitivo é completamente diferente. Mas mesmo aí tivemos um sucesso considerável. Aqui é um contexto diferente: pegamos numa equipa que acabou de subir, que tem qualidade porque subiu. Acreditamos na qualidade dos nossos jogadores. Agora sabemos que é um grupo que tem essa pouca experiência, mas não passa disso. Vamos crescer durante o campeonato. Temos noção de que será um percurso difícil, mas não somos só nós que temos um percurso difícil. Há 4/5 equipas que estão num contexto muito superior. Depois há sempre duas ou três que fazem um campeonato tranquilo e as outras todas sofrem. Portanto, não vamos fugir à regra.

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