Rui Borges em conferência de imprensa.
Rui Borges em conferência de imprensa.

As baixas, Luís Guilherme e... Amorim: tudo o que disse Rui Borges

Treinador do Sporting elogiou o extremo brasileiro, confirmou as baixas de Debast e Mangas para o encontro frente ao V. Guimarães e reagiu ainda ao despedimento do agora ex-técnico do Manchester United

— Depois do último jogo em Barcelos, mudar de competição é o que a equipa precisa? Sobre Luís Guilherme, o que pode dar à equipa?

— Em relação ao Luís Guilherme, é um jogador que nós identificámos. É um jogador para o imediato, mas também, e acima de tudo, de futuro. Por isso, foi uma oportunidade que que tivemos. É um miúdo em quem nós vemos muito potencial, que nos pode dar algumas soluções em mais do que uma posição. É um acréscimo ao grupo em termos de qualidade técnica, mas também de personalidade e caráter. Tem muito a ver com aquilo que é o nosso grupo e a nossa equipa.

Sobre a competição em si, eles estão focados e percebem que é a disputa de um título. Queremos muito ganhar, a equipa está sempre com essa ambição de estar nas finais e disputar os troféus. Agora é focar no que estamos, que é a Taça da Liga, e, depois, mais à frente, voltarmos a focar-nos no campeonato. É mudar o chip, perceber que queremos competir. Eles são bem demonstrativos disso; apesar do jogo de Barcelos, ou do resultado acima de tudo, querem é competir e jogar para demonstrar o que são enquanto equipa e grupo.

— O que espera deste encontro com o V. Guimarães? Como faz a gestão das baixas num mês de janeiro que terá muitos jogos?

— Sim, vai ser um mês de janeiro e um início de fevereiro bastante intensos. Muitos jogos, não temos essas soluções todas, esperamos que elas voltem o mais rapidamente possível. Mais do que nos dar soluções táticas e estratégicas, retira-nos alguma sobrecarga de muitos jogadores que temos agora. Pode tornar-se perigoso, entramos num redline por essa sobrecarga nos mesmos atletas, o que pode levar a lesões musculares. Agora é esperar que apareçam mais soluções e que a malta que está de fora volte para nos ajudar.

Sobre o jogo, será totalmente diferente do do campeonato. É um jogo a eliminar. O Vitória, com toda a certeza, vai querer disputar a final da Taça da Liga e ganhar um troféu, pela sua massa associativa e pela grandeza do clube. Será um jogo muito competitivo, em alguns momentos mais calculado, porque ambas as equipas querem estar na final. O Vitória está a fazer um belíssimo campeonato apesar das mudanças de jogadores. Ganharam ao FC Porto, eliminaram-os desta competição... vai exigir muito de nós. Seremos competentes, não fugindo àquilo que nós gostamos: ter qualidade sermos donos do jogo, ter bola e produzir muito.

— Qual é a extensão da lesão do Ricardo Mangas? Um comentário ao despedimento de Ruben Amorim.

— Solidariedade, em relação ao Ruben, como com qualquer treinador. Infelizmente, o futebol é feito disto. Por mais que queira dar opinião, não vou muito por aí; é solidariedade, é um colega de profissão. Estava em quinto ou sexto classificado e acaba por ser despedido. Apesar de tudo, é um grande treinador e com toda a certeza no futuro terá grandes projetos e grandes clubes para continuar o seu grande trabalho.

Em relação ao Mangas, não sei dizer ao certo a extensão de tempo. Vou atirar um bocado para o ar, mas talvez entre três a quatro semanas desde a lesão. Deve ser por aí.

— Ainda é possível uma recuperação de Debast para este jogo? Se não for o caso, quem jogará ao lado do Eduardo Quaresma no centro da defesa?

— O Zeno não está. Não estava no treino. Está no processo final da recuperação, felizmente. Acredito que nos próximos dias começará a treinar de forma normal com a equipa, mas para este jogo não estará. Quanto às opções, dentro do que temos, vamos arranjar uma solução. Há os miúdos da B que têm feito um belíssimo campeonato na Liga 2 e que estão preparados para dar resposta se forem chamados.

— Como viu esse regresso de Daniel Bragança e quando pode entrar nas contas na equipa principal?

— Muito feliz. Foi explícito o sentimento do grupo quando o Daniel entrou. Isso exemplifica bem a força deste grupo e desta equipa, a amizade que existe. Feliz por vê-lo voltar bem. Acredito que nos ajudará muito no futuro. Já está a treinar connosco há alguns dias. Estar preparado para o jogo tem muito a ver com o ganhar confiança e perder aquele receio que ainda possa existir, que é natural. Por isso é que se calhar foram importantes estes minutos na equipa B, para ganhar essa confiança. Nos próximos tempos estará disponível para a exigência da equipa principal.

— Tem sido sempre muito cauteloso quando fala de arbitragem. De alguma forma teme que esse comportamento possa prejudicar a equipa em relação aos rivais? O João Virgínia mantém a sua confiança nesta competição?

— Em relação ao Virgínia, vou responder como respondo sempre: tanto pode jogar o Virgínia como o Rui [Silva] como qualquer outro guarda-redes. Não é um dado adquirido que este joga esta competição e aquele joga a outra. No momento, e dentro da estratégia, tomamos a decisão que acharmos melhor.

Não vou falar de arbitragens. Já disse que não falava. Por mais que as outras partes possam falar ou não, tento abstrair-me ao máximo. Todos erram: erram jogadores, erram treinadores, erram os árbitros. Faz parte. Eu sou daqueles que acredita sempre na parte boa das coisas e nunca nas negativas. Espero apenas que o ruído não se faça sentir e que se valorize mais o futebol português e o nosso campeonato, mais do que qualquer ruído que possa condicionar o que quer que seja. Em relação aos casos, eu tenho notado algo diferente, porque parece que só a mim é que me perguntam no final dos jogos se vi os lances. Os lances duvidosos é sempre ao treinador do Sporting que perguntam. Mas dentro disso, é focarmo-nos no que controlamos: o nosso jogo.

— O Sporting na época passada perdeu a final da Taça da Liga, sente um orgulho ferido na equipa para querer conquistar este troféu? Um comentário aos incidentes com o Luis Suárez no final do jogo com o Gil Vicente.

— Em relação ao Luis, li pelos jornais, pela primeira vez. Pode ter sido algo a quente, não sei, não vou entrar muito por aí. Não houve, com toda a certeza, qualquer tumulto, fosse com árbitros ou com a equipa adversária. Zero tumultos nesse sentido.

Não tem a ver com orgulho ferido, tem a ver com a ambição da equipa. No ano passado, perdemos nos penáltis, que é algo muito específico onde não fomos tão competentes. De resto, queremos estar lá a disputar as competições e estar nas finais. O futebol é isso: seguir, levantar e voltar a lutar para estar novamente nas finais. É o que queremos muito, disputar o jogo de amanhã para estarmos na final e tentarmos vencer a competição, porque eles não se cansam de ganhar e querem acrescentar história ao Sporting.

— Onde é que o Luís Guilherme e Maxi Araújo podem ser mais uteis?

— O Maxi tem-nos dado duas soluções [a extremo e a lateral]. Dada a nossa lista de ausências e as características dele, tem conseguido dar resposta numa e noutra posição. Por isso, dentro daquilo que perspetivamos para o jogo com o Vitória, ele tanto pode jogar numa posição como noutra. Uma coisa é certa: vai jogar. Agora se a lateral, se a médio ou extremo, é uma decisão que tomaremos até amanhã.

O Luís Guilherme poderá ou não ir a jogo. Não é um dado adquirido. É um miúdo que nos dá várias soluções. No West Ham jogava mais à esquerda, no Palmeiras jogava mais à direita, a sua formação foi a 10. Vai demorar o seu tempo a perceber as dinâmicas da equipa, mas é um jogador para o agora e muito para o futuro pela sua margem, idade e qualidade.

— Que gestão é que está a pensar fazer face ao calendário pesado e às lesões? Consegue perceber a que se deve esta onda de lesões e os períodos de recuperação alongados?

— Os que demoram mais a recuperar são lesões traumáticas, que nós não controlamos. Em relação àquilo que podemos olhar, que são as lesões musculares e, felizmente, não temos tido muitas. O Pote teve agora esta recidiva que vai demorar um bocadinho mais, mas tirando isso, as mais demoradas não as controlamos; é o próprio jogo, que é de contacto. Temos a CAN também esta época, que nos retira dois jogadores importantes. O que nós controlamos, temos feito muito bem. O departamento de performance e médico têm sido excecionais. Nesta fase é difícil haver muita gestão porque não temos essas soluções todas para gerir e precaver algumas coisas, e entramos naquele redline de sobrecarga. Dezembro e janeiro é se calhar a fase mais crítica da época, muitos jogos e fadiga acumulada. Temos de saber contrariar estas coisas menos positivas que vão acontecendo pelo caminho, e a equipa tem dado uma boa resposta.