Amor é quando uma boina ganha forma... de um anel de noivado (crónica)
Em pleno Dia de São Valentim, o amor esteve no ar em Rio Maior. Ou, melhor, o amor continua no ar em Rio Maior. Como se sabe, é ali, na referida cidade ribatejana, que o Casa Pia disputa as suas partidas na condição de visitado, pelo que o anfiteatro riomaiorense é o primeiro palco dos festejos quando os gansos conseguem somar.
E somar é, precisamente, o que tem feito Álvaro Pacheco. Desde que assumiu o comando técnico da equipa, há pouco mais de um mês, o experiente treinador enamorou-se pelo emblema de Pina Manique e a sua célebre boina já ganhou forma de... anel de noivado. O casamento ainda está fresco, mas a verdade é que os indicadores dizem que tem tudo para ser duradouro. E feliz. Afinal, o experiente técnico, de 54 anos, tem vindo a comprovar todos os atributos que o levaram a construir um currículo de respeito e desde que pegou nos lisboetas soma duas vitórias e dois empates — baqueou apenas na estreia, em Alvalade, diante do bicampeão Sporting (0-3).
E se os adeptos do Casa Pia tinham tido, há cerca de duas semanas, uma festa de arromba em Rio Maior, com o inédito triunfo sobre o FC Porto (2-1), ontem houve novo banquete. Cujo prato principal, diga-se, foi servido nos primeiros 45 minutos: que jogatana!
Os lobos chegaram à vantagem por intermédio de Iván Barbero, a após assistência de Tiago Esgaio que se seguiu a uma jogada de laboratório de compêndio (11'), mas os gansos reagiram e Rafael Brito cabeceou para o empate (21').
A reviravolta chegaria logo de seguida, quando Cassiano aceitou o ramo de flores de Jérémy Livolant (25').
O jogo estava de parada e resposta e uma infelicidade de Abdu Conté, que desviou de cabeça para a própria baliza, voltou a deixar tudo empatado (38').
Porém, o intervalo não chegaria sem novo golo: Cassiano, de penálti — lance que teve intervenção do VAR, após duelo entre Jose Fontán e João Goulart — bisou e deu nova vantagem aos casapianos.
Que haveria de ser definitiva, já que a etapa complementar, apesar do domínio do Arouca, não teve, de todo, a mesma espetacularidade — apenas Pablo Gozálbez, já no período de compensação, esteve perto de celebrar, mas Patrick Sequeira foi gigante entre os postes.
O Casa Pia joga a mais de 80 quilómetros de Pina Manique, mas não há perto nem distante quando se quer realmente. O amor está no ar. E supera qualquer obstáculo.
As notas dos jogadores do Casa Pia:
Patrick Sequeira (6), João Goulart (6), Khaly (5), David Sousa (5), Larrazabal (6), Rafael Brito (6), Lawrence Ofori (6), Abdu Conté (5), Jérémy Livolant (6), Cassiano (7), Korede Osundina (5), João Marques (5), Dailon Livramento (-), Iyad Mohamed (-) e Clau Mendes (-).
As notas dos jogadores do Arouca:
Arruabarrena (5), Tiago Esgaio (5), Javi Sánchez (5), Jose Fontán (4), Bas Kuipers (5), Espen van Ee (5), Taichi Fukui (6), Alfonso Trezza (5), Lee Hyunju (5), Nais Djouahra (6), Iván Barbero (6), Brian Mansilla (5), Dylan Nandín (5), Pablo Gozálbez (5), Miguel Puche (-) e Diogo Monteiro (-).
Álvaro Pacheco (treinador do Casa Pia):
Na primeira parte fomos capazes de ferir o adversário e ir para o intervalo em vantagem, na etapa complementar soubemos ser matreiros. Faltou, talvez, um golo que nos desse a tranquilidade. Foi mais uma prova de caráter da equipa.
Vasco Seabra (treinador do Arouca):
Faltou-nos um pouco mais de último terço. Tivemos sempre o domínio, com mais posse, mas faltou definição. O relvado já estava mau, hoje estava muito pior. Percebo as intempéries, mas há condições mínimas. Fica a chamada de atenção.