Cassiano bisou e foi festejar de forma peculiar com o seu treinador - Foto: Carlos Barroso/LUSA
Cassiano bisou e foi festejar de forma peculiar com o seu treinador - Foto: Carlos Barroso/LUSA

Amor é quando uma boina ganha forma... de um anel de noivado (crónica)

Com Álvaro Pacheco ao leme, gansos somam duas vitórias e dois empates em cinco jogos. Triunfo sobre os lobos selado em primeira parte espetacular e com direito a reviravolta. Arouquenses pouco profundos

Em pleno Dia de São Valentim, o amor esteve no ar em Rio Maior. Ou, melhor, o amor continua no ar em Rio Maior. Como se sabe, é ali, na referida cidade ribatejana, que o Casa Pia disputa as suas partidas na condição de visitado, pelo que o anfiteatro riomaiorense é o primeiro palco dos festejos quando os gansos conseguem somar.

E somar é, precisamente, o que tem feito Álvaro Pacheco. Desde que assumiu o comando técnico da equipa, há pouco mais de um mês, o experiente treinador enamorou-se pelo emblema de Pina Manique e a sua célebre boina já ganhou forma de... anel de noivado. O casamento ainda está fresco, mas a verdade é que os indicadores dizem que tem tudo para ser duradouro. E feliz. Afinal, o experiente técnico, de 54 anos, tem vindo a comprovar todos os atributos que o levaram a construir um currículo de respeito e desde que pegou nos lisboetas soma duas vitórias e dois empates — baqueou apenas na estreia, em Alvalade, diante do bicampeão Sporting (0-3).

E se os adeptos do Casa Pia tinham tido, há cerca de duas semanas, uma festa de arromba em Rio Maior, com o inédito triunfo sobre o FC Porto (2-1), ontem houve novo banquete. Cujo prato principal, diga-se, foi servido nos primeiros 45 minutos: que jogatana!

Os lobos chegaram à vantagem por intermédio de Iván Barbero, a após assistência de Tiago Esgaio que se seguiu a uma jogada de laboratório de compêndio (11'), mas os gansos reagiram e Rafael Brito cabeceou para o empate (21').

A reviravolta chegaria logo de seguida, quando Cassiano aceitou o ramo de flores de Jérémy Livolant (25').

O jogo estava de parada e resposta e uma infelicidade de Abdu Conté, que desviou de cabeça para a própria baliza, voltou a deixar tudo empatado (38').

Porém, o intervalo não chegaria sem novo golo: Cassiano, de penálti — lance que teve intervenção do VAR, após duelo entre Jose Fontán e João Goulart — bisou e deu nova vantagem aos casapianos.

Que haveria de ser definitiva, já que a etapa complementar, apesar do domínio do Arouca, não teve, de todo, a mesma espetacularidade — apenas Pablo Gozálbez, já no período de compensação, esteve perto de celebrar, mas Patrick Sequeira foi gigante entre os postes.

O Casa Pia joga a mais de 80 quilómetros de Pina Manique, mas não há perto nem distante quando se quer realmente. O amor está no ar. E supera qualquer obstáculo.

O melhor em campo: Cassiano (Casa Pia)
O experiente ponta de lança brasileiro, que no próximo mês de junho completa 37 anos (!), parece estar a reativar a veia goleadora que tem vindo a ser a sua imagem de marca ao longo da já extensa carreira e apontou o primeiro bis esta temporada. No primeiro tento aceitou a prenda de Jérémy Livolant, no segundo teve a frieza necessária para faturar da marca dos 11 metros. Dois golos... três pontos.
A figura: Nais Dhouahra (Arouca)
Já depois de ter obrigado Patrick Sequeira a aplicar-se, aos 24 minutos, na sequência de um remate de meia distância, o extremo franco-argelino dos arouquenses apontou com precisão o livre que originou o corte imperfeito de Abdu Conté e que, na altura, selava o 2-2. Na segunda parte, o camisola 7 foi sempre dos mais inconformados na tentativa de guiar o coletivo a outro resultado.

As notas dos jogadores do Casa Pia:

As notas dos jogadores do Arouca:

Álvaro Pacheco (treinador do Casa Pia):

Na primeira parte fomos capazes de ferir o adversário e ir para o intervalo em vantagem, na etapa complementar soubemos ser matreiros. Faltou, talvez, um golo que nos desse a tranquilidade. Foi mais uma prova de caráter da equipa.

Vasco Seabra (treinador do Arouca):

Faltou-nos um pouco mais de último terço. Tivemos sempre o domínio, com mais posse, mas faltou definição. O relvado já estava mau, hoje estava muito pior. Percebo as intempéries, mas há condições mínimas. Fica a chamada de atenção.