Vermelho pintou uma porta de esperança em tons de... (auri)verde (crónica)
Ainda havia adeptos a tomarem os seus lugares na bancada do anfiteatro tondelense e já os simpatizantes do Alverca tinha razões para festejar. Logo aos 4 minutos, Nabili Touaizi cruzou com conta, peso e medida, do lado direito, e Marezi tinha golo escrito na testa.
O tento madrugador ajudou a desbloquear o jogo e a primeira parte (tal como também haveria de ser a segunda) foi bastante interessante. E na resposta imediata, Cícero só não empatou por André Gomes foi gigante (7').
Os dois contendores apresentaram ideias de jogo distintas — o Tondela, em 4x2x3x1, a privilegiar a posse e os ataques mais elaborados (ainda que nem sempre com a devida objetividade no último terço), o Alverca, em 3x4x3, a primar pelo rigor defensivo e a nunca descurar as transições rápidas —, algo que ofereceu condimentos de qualidade assinalável ao embate.
E se André Gomes tinha negado o empate aos da casa, Bernardo Fontes evitou que os forasteiros aumentassem a vantagem: o brasileiro travou as investidas de Nabili Touaizi (15') e de Marezi (28').
Até ao intervalo, nota ainda para o tiro de Pedro Maranhão (38'), que saiu a rasar o poste direito, e para o aquecedor de luvas que Rodrigo Conceição ofereceu ao jovem guarda-redes que está no Ribatejo por empréstimo do Benfica (45+7').
A etapa complementar não defraudou as expectativas e continuou a ser altamente intensa, por vezes com parada e resposta. Não podemos falar um espetáculo de monta, mas devemos, em consonância com a verdade, elogiar o empenho e a determinação dos artistas, que nunca permitiram que o sono saltasse para primeiro plano num duelo que em pleno Inverno teve o pontapé de saída às 20h45...
Juan Rodríguez e Makan Aiko tentaram dar corpo à revolta tondelense, mas foi do outro lado que a rede esteve verdadeiramente perto de (voltar a) balançar: Chiquinho deixou Christian Marques para trás e rematou forte, de pé esquerdo, fazendo a bola tirar tinta ao poste esquerdo (62').
Além de não ter conseguido, nessa altura, dobrar a vantagem, o Alverca ainda ficou pior apenas cinco minutos depois, quando Bastien Meupiyou viu o segundo cartão amarelo e deixou a sua equipa reduzida a 10 elementos.
O Tondela carregou incessantemente em busca da felicidade, dispôs de várias situações para marcar, mas o único a acertar no alvo foi o estreante João Silva: cabeçada certeira do central após assistência de Brayan Medina, na sequência de canto de Hugo Félix.
O vermelho pintou (parte da) porta de esperança a... (auri)verde.
As notas dos jogadores do Tondela:
Bernardo Fontes (6), Bebeto (5), Christian Marques (5), Brayan Medina (7), Rodrigo Conceição (6), Yaya Sithole (5), Cícero (6), Pedro Maranhão (6), Joe Hodge (5), Makan Aiko (5), Benjamin Kimpioka (5), Juan Rodríguez (5), Hugo Félix (6), João Silva (7), Arjen van der Heide (5) e Tiago Manso (-).
As notas dos jogadores do Alverca:
André Gomes (6), Kaiky Naves (5), Sergi Gómez (5), Bastien Meupiyou (4), Nabili Touaizi (6), Rhaldney (5), Vasco Moreira (6), Francisco Chissumba (5), Figueiredo (5), Marezi (6), Chiquinho (6), Davy Gui (5), Mathis Clairicia (5), Julián Martínez (5), Steven Baseya (-) e Cedric Nuozzi (-).
Cristiano Bacci (treinador do Tondela):
Começámos a perder, com um golo evitável, mas reagimos bem e podíamos ter empatado. A primeira parte foi dividida, na segunda fomos melhores. O futebol é amargo, mas a equipa teve alma. A jogar assim, vamos conseguir, não duvido.
Custódio Castro (treinador do Alverca):
Entrámos muito bem no jogo e chegámos à vantagem. Na segunda parte até tivemos uma grande oportunidade, pelo Chiquinho, e depois da expulsão tivemos de defender e sofrer. A equipa foi exemplar. Resultado acaba por ser justo.