Defesa-central faturou na primeira aparição com a camisola tondelense e resgatou um ponto para a sua equipa - Foto: Paulo Novais/LUSA
Defesa-central faturou na primeira aparição com a camisola tondelense e resgatou um ponto para a sua equipa - Foto: Paulo Novais/LUSA

Vermelho pintou uma porta de esperança em tons de... (auri)verde (crónica)

Marezi deu vantagem aos ribatejanos, logo a abrir o desafio, mas João Silva, em estreia absoluta, empatou para os beirões. Expulsão de Meupiyou pesou

Ainda havia adeptos a tomarem os seus lugares na bancada do anfiteatro tondelense e já os simpatizantes do Alverca tinha razões para festejar. Logo aos 4 minutos, Nabili Touaizi cruzou com conta, peso e medida, do lado direito, e Marezi tinha golo escrito na testa.

O tento madrugador ajudou a desbloquear o jogo e a primeira parte (tal como também haveria de ser a segunda) foi bastante interessante. E na resposta imediata, Cícero só não empatou por André Gomes foi gigante (7').

Os dois contendores apresentaram ideias de jogo distintas — o Tondela, em 4x2x3x1, a privilegiar a posse e os ataques mais elaborados (ainda que nem sempre com a devida objetividade no último terço), o Alverca, em 3x4x3, a primar pelo rigor defensivo e a nunca descurar as transições rápidas —, algo que ofereceu condimentos de qualidade assinalável ao embate.

E se André Gomes tinha negado o empate aos da casa, Bernardo Fontes evitou que os forasteiros aumentassem a vantagem: o brasileiro travou as investidas de Nabili Touaizi (15') e de Marezi (28').

Até ao intervalo, nota ainda para o tiro de Pedro Maranhão (38'), que saiu a rasar o poste direito, e para o aquecedor de luvas que Rodrigo Conceição ofereceu ao jovem guarda-redes que está no Ribatejo por empréstimo do Benfica (45+7').

A etapa complementar não defraudou as expectativas e continuou a ser altamente intensa, por vezes com parada e resposta. Não podemos falar um espetáculo de monta, mas devemos, em consonância com a verdade, elogiar o empenho e a determinação dos artistas, que nunca permitiram que o sono saltasse para primeiro plano num duelo que em pleno Inverno teve o pontapé de saída às 20h45...

Juan Rodríguez e Makan Aiko tentaram dar corpo à revolta tondelense, mas foi do outro lado que a rede esteve verdadeiramente perto de (voltar a) balançar: Chiquinho deixou Christian Marques para trás e rematou forte, de pé esquerdo, fazendo a bola tirar tinta ao poste esquerdo (62').

Além de não ter conseguido, nessa altura, dobrar a vantagem, o Alverca ainda ficou pior apenas cinco minutos depois, quando Bastien Meupiyou viu o segundo cartão amarelo e deixou a sua equipa reduzida a 10 elementos.

O Tondela carregou incessantemente em busca da felicidade, dispôs de várias situações para marcar, mas o único a acertar no alvo foi o estreante João Silva: cabeçada certeira do central após assistência de Brayan Medina, na sequência de canto de Hugo Félix.

O vermelho pintou (parte da) porta de esperança a... (auri)verde.

O melhor em campo: João Silva (Tondela)
Jogar pouco mais de meia hora, ainda para mais no encontro que marcou a sua estreia absoluta com a camisola dos tondelenses e ser decisivo para o ponto resgatado? Sim, é possível. João Silva, um defesa-central de raiz, fez de... ponta de lança e, no interior da pequena área, na sequência de uma bola parada, selou o empate para o emblema beirão. Não deu para mais, mas chegou para deixar marca.
A figura: Nabili Touaizi (Alverca)
Não sendo novidade para quem tem acompanhado a época dos ribatejanos, a verdade é que o hispano-marroquino é mesmo jogador que tem tudo para chegar a outros patamares. Sente-se como peixe na água a fazer todo o flanco direito — beneficia (e muito) com o facto de a equipa jogar com três centrais — e foi numa dessas subidas que assistiu Marezi para o golo. Mas fez (bem) mais.

As notas dos jogadores do Tondela:

As notas dos jogadores do Alverca:

Cristiano Bacci (treinador do Tondela):

Começámos a perder, com um golo evitável, mas reagimos bem e podíamos ter empatado. A primeira parte foi dividida, na segunda fomos melhores. O futebol é amargo, mas a equipa teve alma. A jogar assim, vamos conseguir, não duvido.

Custódio Castro (treinador do Alverca):

Entrámos muito bem no jogo e chegámos à vantagem. Na segunda parte até tivemos uma grande oportunidade, pelo Chiquinho, e depois da expulsão tivemos de defender e sofrer. A equipa foi exemplar. Resultado acaba por ser justo.