Acrobata que quase trocou futebol por ginástica pode saltar para o Benfica
Foram precisos vários flic-flacs para que o extremo que o Benfica tem na lista de prioridades para reforçar o plantel às ordens de Marco Silva se tornasse futebolista.
Literalmente! Porque o primeiro desporto de Jakub Kaminski, que o chegou a conciliar com o futebol, foi a ginástica acrobática. Por herança familiar, uma vez que os pais eram antigos ginastas e dirigiam uma academia na cidade de Ruda Śląska. E o miúdo até tinha jeito, como comprovam as medalhas que ainda arrecadou em algumas competições.
Contudo, ao ver que era ao pontapé na bola que o pequeno Kuba passava o tempo no jardim de casa, a progenitora fez-lhe a pergunta que ele tanto desejava: «Queres inscrever-te no clube de futebol?».
A resposta não podia ser outra! E a condição foi apenas que não deixasse a ginástica, que apesar de algo contrariado o jovem acatou, intercalando os treinos das duas modalidades. Aliás, após uma época desapontante no escalão de juvenis esteve perto de deixar o futebol, uma vez que as oportunidades para jogar como titular rareavam, o que o foi desmotivando.
«Quase desisti. Provavelmente teria voltado para a ginástica definitivamente, mas houve um jogo em que entrei, joguei muito bem e acho que marquei um golo e fiz uma assistência. Lembro-me que até escreveram no site do clube «Kaminski está a impressionar com sua qualidade». Acabei por ser a revelação da temporada e, mais tarde, comecei a ser convocado para seleções regionais», relatou, em 2020, numa entrevista ao site polaco Weszlo.
O sonho de qualquer treinador… de atletismo
O miúdo de talento discreto começou a sobressair e teve convites dos principais clubes polacos, mas até a escolha foi feita em família de forma ponderada por quem sabe o que é a dureza do desporto.
Foi por isso que Kaminski recusou mudar-se para o Legia Varsóvia, por exemplo, apesar de o convite ter deixado o jovem entusiasmado. Havia um senão. «O meu pai dá aulas na Academia de Educação Física e alertou-me que treinar em relvado sintético pode ser prejudicial em termos de lesões. E o clube só tinha campos de relva sintética para a formação, por isso recusámos em prol da minha saúde física», revelou.
A opção recaiu, pois, no Lech Poznan, clube ao qual chegou com 16 anos e impressionou pela velocidade, ao ponto de ouvir muitas vezes que era o sonho de qualquer treinador… de atletismo.
A decisão revelou-se acertada e aos 17 anos o rapaz que gostava de se manter longe de festas e de centros comerciais e tinha como hobbies «comer e dormir» estreou-se na equipa principal do clube e agarrou imediatamente um lugar.
Um ex-Benfica na história
A partir daí a ascensão foi meteórica. Aos 19 anos, o antigo médio internacional português que representou o Benfica, Paulo Sousa, então selecionador polaco, lançou-o na seleção, pela qual soma atualmente 31 internacionalizações e três golos.
O salto para a Bundesliga, na época 2022/23, não surpreendeu ninguém e logo no ano de estreia no Wolfsburgo somou cinco golos e duas assistências em 33 jogos.
Contudo, o ano seguinte foi mais modesto para o extremo polaco, que fez apenas 19 jogos. E no terceiro ano ao serviço do clube as três assistências somadas em 26 jogos também não se revelaram particularmente interessantes para as duas partes, razão pela qual foi cedido por empréstimo ao Colónia.
Uma vez mais, a decisão revelou-se certeira. Não só o polaco voltou a apresentar o melhor nível, com sete golos e três assistências em 36 jogos, como ajudou o Colónia a salvar-se da despromoção, algo que o Wolfsburgo não conseguiu fazer.
A intenção de acionar a opção de compra de Kaminski já tinha sido anunciada quando o clube lutava por fugir ao fundo da tabela, em abril, «independentemente da divisão em que o Colónia esteja», e agora os 5,5 milhões pagos pelo clube em junho podem multiplicar-se quase pelo triplo, com o Benfica a mostrar-se disponível para bater a cláusula de rescisão do antigo futuro acrobata.
Ele que já deixou de recorrer a mortais nas celebrações dos golos, mas que mantém intacta outra das características que o fizeram sobressair desde cedo: a velocidade.
Os dados da última época na Bundesliga mostram que o alvo do Benfica foi o segundo jogador com mais sprints realizados (747), apenas atrás de Bazoumana Touré (763), extremo do Hoffenheim que está perto de se mudar para o Newcastle, além de ter ficado no top-3 dos jogadores com mais corridas intensivas, num total de 2.648.
Resta saber se as águias têm a ginástica em dia para dar a Marco Silva este acrobata velocista da bola.