Que Dallas-2026 repita Alvalade-2004 e Munique-2025!
Primeiro jogo da história da Seleção Nacional: Espanha. Próximo: Espanha. Adversário mais vezes defrontado: Espanha. Adversário a quem Portugal mais golos marcou: Espanha. Adversário que mais golos marcou a Portugal: Espanha. Como se vê, é Espanha, Espanha, Espanha. E hoje assim voltará a ser. Duelo ibérico como os anteriores 44.
Hoje é em Arlington. Como, em Mundiais, já foi na Cidade do Cabo (2010) e em Sochi (2018). Tirando os óbvios Portugal e Espanha, as duas Seleções já se defrontaram em mais cinco países: França, África do Sul, Ucrânia, Rússia e Alemanha. Hoje, os Estados Unidos serão o sexto palco.
O balanço é claramente favorável a nuestros hermanos nos 44 jogos já realizados: 8 vitórias de Portugal, 18 empates e 18 triunfos de Espanha, com um saldo negativo de golos: 50-82. É uma diferença assinalável, sim, mas que se explica sobretudo pelos primeiros 12 jogos (entre 1921 e 1935), nos quais houve 10 triunfos de Espanha, dois empates e zero vitórias de Portugal, com uns expressivos 8-37 em golos.
Se excluirmos os jogos dessa quase inicial década e meia, instala-se o equilíbrio absoluto: 8 vitórias para Portugal, 16 empates e 8 triunfos de Espanha, com 42-45 em golos. Esqueçamo-nos, pois, desse período cinzento e concentremo-nos nos últimos 90 anos (1935 a 2025).
Sobretudo no dia 15 de junho de 2018: 3-3, numa épica exibição de Ronaldo (3 golos!) na fase de grupos do Mundial da Rússia; e a 8 de junho de 2025: 2-2 e 5-3 no desempate por grandes penalidades na final da Liga das Nações. Aqui, em Munique, Ronaldo e Nuno Mendes marcaram os golos lusos e Rúben Neves marcou o penálti que entregou a taça a Portugal. Este jogo marca também o último na carreira de Diogo Jota, que entrou ao minuto 106 para o lugar de Pedro Neto. Último golo de Jota pela Seleção Nacional: Croácia. Último jogo da sua carreira: Espanha.
O jogo de hoje será o sétimo jogo entre Portugal e Espanha a contar para as mais diversas fases finais: Campeonato da Europa (1984, 2004 e 2012), Campeonato do Mundo (2010 e 2018) e Liga das Nações (2025). Ronaldo só não jogou no primeiro. E a razão é simples: ainda não tinha nascido.
Vejamos como foram os anteriores seis confrontos, nos quais Portugal teve seis selecionadores diferentes: Fernando Cabrita, Luiz Felipe Scolari, Carlos Queiroz, Paulo Bento, Fernando Santos e Roberto Martínez. Hoje, o xadrez tático pertence, de novo, a este ultimo.
Euro 1984: Marselha (17 de junho de 1984) — 1-1
Na primeira parte, os portugueses tiveram cerca de 80 por cento de posse de bola, mas faltou-lhes verticalidade. O jogo ativava-se quando a bola chegava a Chalana, um diabo à solta que partia os rins à defesa espanhola, embora pecasse por não rematar. Aos 52 minutos, Álvaro Magalhães, o expresso da Luz, ligou o turbo pela esquerda, combinou com Chalana e serviu António Sousa para um golo monumental de chapéu. Contudo, a vantagem expôs as fragilidades lusas. Sem soluções no flanco direito (João Pinto e Carlos Manuel estiveram furos abaixo), a equipa quebrou fisicamente. O selecionador Fernando Cabrita demorou a mexer, ao contrário de Miguel Muñoz, que refrescou a Espanha. O empate castigou o recuo luso.
FICHA DE JOGO
Árbitro: Michel Vautrot (França)
PORTUGAL: Bento; João Pinto, Lima Pereira, Eurico e Álvaro; Carlos Manuel, Frasco (Diamantino, 77’), Jaime Pacheco, Sousa e Chalana; Jordão.
Treinador: Fernando Cabrita.
ESPANHA: Arconada; Urquiaga (Señor, 78’), Maceda, Goicoechea e Camacho; Júlio Alberto (Sarabia, 71’), Víctor Muñoz, Gallego, Carrasco e Gordillo; Santillana.
Treinador: Miguel Muñoz.
Golos: 1-0 por Sousa (52’); 1-1 por Santillana (73’).
Euro 2004: Lisboa/Alvalade (20 de junho de 2004) — 0-1
Autêntico jogão na final ibérica da fase de grupos. Portugal jogou com uma mentalidade ultracompetitiva, desinibido e com uma inteligência tática de elite. A primeira meia-hora foi um autêntico rolo compressor. Figo e Deco assumiram as despesas do jogo e Cristiano Ronaldo deu um nó cego à defesa espanhola. Costinha e Maniche limparam o meio-campo, mas faltou eficácia: criámos muito, mas faltou o golo.
Antes do intervalo, valeu a muralha defensiva, com Ricardo Carvalho e Jorge Andrade imperiais. Na segunda parte, Scolari leu o jogo no timing certo: tirou Pauleta e lançou Nuno Gomes. Aos 57 minutos, quando a Espanha começava a carregar, fez-se luz: passe de Figo, Nuno Gomes rodopiou sobre Juanito e disparou um autêntico míssil contra as redes de Casillas. Golaço! A Espanha meteu a carne toda no assador e ainda mandou uma bola ao poste por Fernando Torres, mas Scolari fechou o bloco com Petit e Fernando Couto. Portugal ganhou com alma e soube sofrer.
FICHA DE JOGO
Árbitro: Anders Frisk (Suécia)
ESPANHA: Casillas; Puyol, Helguera, Juanito (Morientes, 80’) e Raúl Bravo; Xabi Alonso, Albelda (Baraja, 65’), Joaquín (Luque, 71’) e Raúl; Vicente e Fernando Torres.
Treinador: Iñaki Sáez.
PORTUGAL: Ricardo; Miguel, Ricardo Carvalho, Jorge Andrade e Nuno Valente; Costinha, Maniche, Figo (Petit, 78’) e Deco; Ronaldo (Fernando Couto, 84’) e Pauleta (Nuno Gomes, 46’).
Treinador: Luiz Felipe Scolari.
Golo: 0-1 por Nuno Gomes (57’).
Mundial 2010: Cidade do Cabo (29 de junho de 2010) — 1-0
Portugal queria a vitória, mas ganhou a melhor equipa. Portugal caiu frente a uma Espanha superior, num jogo decidido no detalhe e onde o guarda-redes Eduardo foi um autêntico gigante. Carlos Queiroz desenhou um plano reativo: dar a bola à Espanha, defender em bloco e contra-atacar em transição rápida, com Hugo Almeida a libertar Ronaldo.
O sistema até fazia sentido na teoria, mas as opções na prática foram um flop. Apostar em Pepe a meio-campo retirou critério à circulação e a substituição de Hugo Almeida (que dava imenso trabalho aos centrais) por Danny matou o nosso ataque. Faltou eficácia na primeira parte e sobrou ansiedade a Cristiano Ronaldo, totalmente isolado. O golo de David Villa, após um ressalto caprichoso, castigou a nossa marcação passiva e a incapacidade de reter a bola. Para bater esta Espanha era preciso um jogo perfeito e os deuses do futebol não quiseram ajudar.
FICHA DE JOGO
Árbitro: Héctor Baldassi (Argentina)
ESPANHA: Casillas; Sergio Ramos, Piqué, Puyol e Capdevila; Xavi, Busquets, Xabi Alonso (Marchena, 93’) e Iniesta; David Villa (Pedro, 88’) e Fernando Torres (Llorente, 59’).
Treinador: Vicente del Bosque.
PORTUGAL: Eduardo; Ricardo Costa, Ricardo Carvalho, Bruno Alves e Fábio Coentrão; Tiago, Pepe (Pedro Mendes, 72’) e Raul Meireles; Ronaldo, Hugo Almeida (Danny, 58’) e Simão (Liedson, 72’).
Treinador: Carlos Queiroz.
Golo: 1-0 por David Villa (63’).
Euro 2012: Donetsk (27 de junho de 2012) — 0-0 (2-4, g.p.)
O futebol decide-se nos detalhes e, desta vez, a moeda caiu para o lado espanhol nas meias-finais. Portugal saiu do Euro pela porta grande, após obrigar a campeã do mundo a baixar o bloco. Del Bosque surpreendeu com Negredo a titular, mas as "formiguinhas" do meio-campo português — Meireles, Veloso e um Moutinho gigante — meteram um grão na máquina do tiki-taka. Tapámos os caminhos e forçámos o erro. Portugal não queria bola, queria espaço. E teve-o. Ronaldo ameaçou as redes de Casillas (um muro inexpugnável), mas pecou no remate final.
Na segunda parte, as entradas de Jesús Navas e Pedro deram asas à Espanha. Com Meireles e Veloso esgotados, o meio-campo ruiu e o prolongamento foi de puro sofrimento, valendo Rui Patrício e Coentrão. A decisão foi para a lotaria dos penaltis por meros centímetros: a bola de Bruno Alves bateu na barra e saiu; o remate final de Cesc Fàbregas bateu no poste e entrou. Detalhes cruéis para uma exibição épica.
FICHA DE JOGO
Árbitro: Cuneyt Çakır (Turquia)
PORTUGAL: Rui Patrício; João Pereira, Bruno Alves, Pepe e Fábio Coentrão; João Moutinho, Miguel Veloso (Custódio, 105’) e Raul Meireles (Varela, 112’); Nani, Hugo Almeida (Nélson Oliveira, 81’) e Ronaldo.
Treinador: Paulo Bento.
ESPANHA: Casillas; Arbeloa, Piqué, Sergio Ramos e Jordi Alba; Busquets, Xabi Alonso e Xavi (Pedro, 87’); Iniesta, David Silva (Jesús Navas, 60’) e Negredo (Fàbregas, 54’).
Treinador: Vicente del Bosque.
Desempate por penáltis: Iniesta, Piqué, Ramos e Fàbregas marcaram; Xabi Alonso falhou. por Portugal, Pepe e Nani marcaram; João Moutinho e Bruno Alves falharam.
Mundial 2018: Sochi (15 de junho de 2018) — 3-3
Jogo louco na estreia, uma autêntica roleta russa. Ter o campeão da Europa e o melhor do mundo em campo tornou Portugal um osso duro de roer. Ronaldo, com 33 anos, assinou uma noite de autor e provou que é intemporal. Fernando Santos surpreendeu com Bruno Fernandes a titular e Portugal entrou a mandar: Ronaldo sofreu penálti de Nacho e faturou.
A Espanha respondeu à PlayStation com Isco e David Silva. Empatou por Diego Costa e operou a reviravolta para 3-2 com um míssil de Nacho, após CR7 já ter bisado aproveitando um "frango" de De Gea. Aos 88 minutos, Ronaldo sacou uma falta a Piqué e executou um livre com assinatura divina à gaveta. De Gea nem se mexeu. Monumental CR7.
FICHA DE JOGO
Árbitro: Gianluca Rocchi (Itália)
PORTUGAL: Rui Patrício; Cédric, Pepe, José Fonte e Raphael Guerreiro; William Carvalho, João Moutinho e Bruno Fernandes (João Mário, 68’); Bernardo Silva (Ricardo Quaresma, 69’), Gonçalo Guedes (André Silva, 80’) e Ronaldo.
Treinador: Fernando Santos.
ESPANHA: De Gea; Nacho, Piqué, Sergio Ramos e Jordi Alba; Busquets, Koke e Iniesta (Thiago Alcântara, 70’); Isco, David Silva (Lucas Vázquez, 86’) e Diego Costa (Iago Aspas, 77’).
Treinador: Fernando Hierro.
Golos: 1-0 por Ronaldo (4’, g.p.); 1-1 por Diego Costa (24’); 2-1 por Ronaldo (44’); 2-2 por Diego Costa (55’); 2-3 por Nacho (58’); 3-3 por Ronaldo (88’).
Liga das Nações 2025: Munique (8 de junho de 2025) — 2-2 (5-3, g.p.)
A Allianz Arena vestiu-se de gala para uma final ibérica na Liga das Nações. Portugal bateu a Espanha nas grandes penalidades (5-3), após um eletrizante 2-2 no fim do prolongamento, tornando-se a primeira seleção a erguer este troféu por duas vezes. A La Roja entrou melhor e inaugurou o marcador aos 21' por Zubimendi, aproveitando uma desatenção defensiva lusa. A resposta portuguesa chegou com estrondo: aos 26', Nuno Mendes — eleito o homem do jogo pela sua exibição avassaladora na esquerda — fuzilou as redes de Unai Simón. Contudo, em cima do intervalo, Oyarzabal recolocou a Espanha em vantagem.
Na segunda parte, Roberto Martínez mexeu no xadrez tático. A recompensa chegou aos 60 minutos, quando o capitão Ronaldo desviou um cruzamento de Nuno Mendes, fixando o 2-2. Ronaldo viria a sair lesionado aos 88', mas o marcador não sofreu alterações até ao fim dos 120 minutos.
Na lotaria dos penáltis, os batedores portugueses estiveram perfeitos. Gonçalo Ramos, Vitinha, Bruno Fernandes e Nuno Mendes faturaram. Do lado espanhol, Morata vacilou. Rúben Neves assumiu a responsabilidade do castigo máximo decisivo e não falhou, soltando o grito de campeão. Ronaldo isolava-se como o único presente nos três grandes títulos da história do futebol português (Euro 2016, Nations 2019 e Nations 2025).
FICHA DE JOGO
Árbitro: Sandro Scharer (Suíça)
PORTUGAL: Diogo Costa; João Neves (Nélson Semedo, int.), Rúben Dias, Gonçalo Inácio e Nuno Mendes; Vitinha, Bernardo Silva (Renato Veiga, 73’) e Bruno Fernandes; Francisco Conceição (Rúben Neves, int.), Ronaldo (Gonçalo Ramos, 88’) e Pedro Neto (Diogo Jota, 106’).
Treinador: Roberto Martínez.
ESPANHA: Unai Simón; Óscar Mingueza (Pedro Porro, 93’), Dean Huijsen, Robin Le Normand e Marc Cucurella; Martin Zubimendi, Fabián Ruiz (Mikel Merino, 74’) e Pedri González (Isco, 73’); Nico Williams (Álex Baena, 92’), Lamine Yamal (Yéremy Pino, 106’) e Mikel Oyarzabal (Álvaro Morata, int.).
Treinador: Luis de la Fuente.
Golos: 0-1 por Zubimendi (21’); 1-1 por Nuno Mendes (26’); 1-2 por Oyarzabal (45’); 2-2 por Ronaldo (60’).
Desempate por penáltis: Gonçalo Ramos, Vitinha, Bruno Fernandes, Nuno Mendes e Rúben Neves marcaram. Na Espanha, Merino, Baena e Isco faturaram; Morata falhou.