Em 2023, João Mário ainda adiantou a turma de Roger Schmidt, mas Larrazabal fez o empate já perto do final da partida. Foto: Miguel Nunes
Em 2023, João Mário ainda adiantou a turma de Roger Schmidt, mas Larrazabal fez o empate já perto do final da partida. Foto: Miguel Nunes

A noite em que o Casa Pia deixou de temer o Benfica... 93 anos depois

Filipe Martins recorda a A BOLA o jogo em que os casapianos fizeram história na Luz. Em 2023, um empate pôs fim a uma espera de 93 anos e abriu caminho a um histórico recente favorável com as águias

Há noites que ficam na memória de um clube e há outras que ajudam a mudar a forma como esse clube olha para os grandes. Para o Casa Pia, a visita à Luz em 2023 pertence às duas categorias. Foi aí que os gansos, pela primeira vez desde 1930, conseguiram pontuar em casa do Benfica, num empate que abriu caminho a uma história recente bem mais equilibrada: nos últimos três encontros, o conjunto de Pina Manique soma uma vitória e dois empates. É com esse passado recente na bagagem que os gansos recebem as águias na próxima segunda-feira. Filipe Martins, treinador dos casapianos naquele primeiro capítulo, recordou a A BOLA a noite em que começou a mudar o paradigma.

Era outubro de 2023 e o Benfica de Roger Schmidt tinha toda a responsabilidade do seu lado. O Casa Pia chegava à Luz sem grandes expectativos e, no fim, saiu com um ponto que o técnico classifica como «inesperado».

«A responsabilidade estava toda do lado do Benfica, mas fizemos um jogo bastante competente», lembrou o técnico, antes de lembrar um detalhe que poderia ter mudado ainda mais a história daquela noite: «Acabámos até por desperdiçar um penálti. Podia ter ficado 2-1 para nós. Mas foi um ponto, na altura, inesperado. Foi a primeira vez que o Casa Pia pontuou no Estádio da Luz.»

O Benfica adiantou-se aos 44 minutos, por João Mário, e o intervalo chegou com os encarnados na frente, mas o treinador dos gansos não quis que o golo alterasse o plano. «A única coisa que lhes pedi ao intervalo foi para continuarem a cumprir a estratégia, porque bastava marcarmos um golo e as coisas mudavam para o nosso favor», explicou.

E mudaram. O conjunto visitante entrou forte na segunda parte, teve o penálti que Felippe Cardoso desperdiçou, mas não perdeu o foco.

A recompensa surgiu já perto do fim. Larrazabal (81') apareceu para fazer o 1-1 e consumar um resultado histórico: pela primeira vez desde 1930, o Casa Pia conseguia pontuar em casa do Benfica. «Não nos desconcentrámos e também soubemos aproveitar o momento de alguma intranquilidade do Benfica. Ninguém esperava que conseguíssemos ir à Luz tirar pontos», recordou.

Para Filipe Martins, aquele resultado foi o primeiro sinal de um Casa Pia que começava a ganhar outra dimensão na elite. «O Casa Pia é um projeto que tem vindo a crescer e a afirmar-se como um clube de Liga. Tem tido plantéis e treinadores competentes.»

A prova está no que aconteceu depois. O Casa Pia voltou a pontuar na Luz na época passada, num empate a 2-2, e já conseguiu também bater o Benfica, por 3-1, em Rio Maior, em 2024/25. Para Filipe Martins, há uma explicação para essa capacidade de contrariar os grandes: «Tem que ver com a competitividade que o Casa Pia tem vindo a adquirir ao longo dos anos e a experiência de Liga, que leva a aparecerem estas surpresas.»

«Benfica é favorito, mas tudo pode acontecer»

A experiência de 2023 faz com que Filipe Martins não descarte uma nova surpresa, embora reconheça que o contexto atual coloca o Benfica como claro favorito. «Perspetivo um jogo onde o Benfica está claramente mais rodado do que o Casa Pia», explica, lembrando que os encarnados já somam vários jogos competitivos, enquanto os gansos apenas disputaram uma partida oficial.

Filipe Martins comandou o Casa Pia entre 2020 e 2023. Levou os gansos à Liga em 2021/22. Foto: Miguel Nunes

O antigo treinador dos gansos também não acredita que o play-off da Liga Europa possa desviar a atenção do Benfica e, depois de os encarnados terem poupado jogadores frente ao Hearts, não espera facilidades: «Não vai olhar a poupanças, até porque conseguiu poupar agora contra o Hearts.»

Do outro lado estará um Casa Pia que, apesar de menos rodado, tem motivos para acreditar. «Vai ser um jogo muito complicado para o Casa Pia, mas vão querer pontuar e vão querer fazer o máximo possível. O Benfica é claramente favorito, já o Casa Pia vai tentar contrariar esse favoritismo seguramente com uma boa organização defensiva e depois tentar sair para o contra-ataque e surpreender.»

A evolução dos gansos desde aquele histórico empate na Luz também não deve ser ignorada: «O Casa Pia já conseguiu surpreender o Benfica e pode voltar a fazê-lo. Em teoria, as águias são claramente favoritas, mas, num jogo de futebol e numa Liga tão competitiva como a portuguesa, tudo pode acontecer. Cabe ao Benfica fazer valer esse favoritismo e ao Casa Pia tentar repetir a surpresa que já conseguiu no passado.»

É nesse contexto que chega o encontro de segunda-feira, da segunda jornada da Liga. As duas equipas, ainda a procurar a melhor versão de si próprias, com treinadores novos e vários rostos a entrar e sair dos plantéis, procuram responder aos resultados da primeira jornada e somar os três pontos.

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