«A ilusão dos 17%»: o comunicado do antigo presidente do conselho fiscal do V. Guimarães antes da polémica AG
É já nesta sexta-feira que os sócios do Vitória de Guimarães vão votar, em Assembleia Geral Extraordinária, a venda de ações representativas de 17% do capital social do emblema minhoto à V Sports.
São várias as vozes na cidade-Berço que, nos últimos dias e semanas, se têm pronunciado sobre (e contra) a alienação de ações ao grupo que já detém 29% do emblema minhoto. Nesta quinta-feira foi a vez de Ricardo Martins Lobo, ex-presidente do conselho fiscal (de março de 2022 a março de 2025) do clube.
O sócio número 2.644 dos conquistadores pronunciou-se através de um comunicado do Movimento VSC (Vencer. Sentir. Crescer.), que considera que «esta decisão não apresentada como uma resposta isolada às dificuldades de tesouraria». «Há dois problemas que não podem continuar a ser adiados: um défice económico estrutural e um passivo que já ultrapassa os 85 milhões de euros, podendo aproximar-se dos 100 milhões a curto prazo», pode ler-se.
Em cinco pontos, Ricardo Martins Lobo explica o porquê de a alienação de mais 17% do capital à V Sports não ser, na sua perspetiva, a melhor solução. No primeiro, aponta que os resultados líquidos negativos «exigem uma resposta estrutural e não conjuntural, revelando um modelo de funcionamento que, sem reestruturação, continuará a consumir recursos e a acumular responsabilidades».
Depois, o ex-dirigente aponta que o acordo de 2026 não tem comparação com o de 2023. Isto depois de o atual conselho fiscal ter dado parecer favorável à venda de mais ações à V Sports, fundamentando num dos pontos que a operação recupera um modelo já aprovado pelos sócios em 2023. Ricardo Martins Lobo reconhece que «a comparação com 2023 é indispensável». No entanto, «não pode ignorar as diferenças entre as duas operações», uma vez que houve um «agravamento financeiro».
«O passivo da SAD cresceu acentuadamente desde 2023. A pressão sobre a tesouraria, a dimensão das responsabilidades de curto prazo e os encargos com juros reduzem a margem de autonomia do Vitória», justifica, acrescentando que há três anos «a preservação da maioria do capital pelo Vitória era assumida como um princípio central. É precisamente essa salvaguarda que importa defender agora, num contexto financeiro muito mais exigente».
Em terceiro, o vitoriano aborda «a ilusão dos 17%». «A operação agora proposta representa, segundo os elementos apresentados, um encaixe de 3,8 milhões de euros para a SAD, sob a forma de prestações acessórias. Mas que problema estrutural pode esse montante resolver quando os resultados negativos recorrentes, os encargos financeiros e as responsabilidades acumuladas assumem a dimensão revelada pelos indicadores?», questiona, respondendo, desde logo, que esse valor «não resolverá o desequilíbrio económico da SAD, não reestruturará o passivo e não restituirá, por si só, a sustentabilidade financeira». «Constitui um alívio pontual, não uma solução», remata.
No quarto ponto, Ricardo Martins Lobo aponta «outro caminho para o Vitória»: «Uma reestruturação completa da SAD, orientada por dois objetivos indissociáveis — adequar a estrutura de gastos às receitas correntes e renegociar o passivo para reduzir os encargos financeiros e recuperar margem de atuação (...) A gravidade da situação não justifica que se aceite qualquer solução. Pelo contrário, impõe maior exigência na escolha.»
Por fim, o antigo líder do conselho fiscal esclarece que «a oposição a esta proposta não é um voto contra pessoas nem contra uma direção, mas uma posição fundada na convicção de que a operação não enfrenta as causas da crise financeira e poderá agravar a dependência futura da SAD», apelando, por isso, à participação massiva dos sócios na AG.
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