A portuguesa Kika Cerqueira Gomes é presença assídua no paddock com Gasly. IMAGO
A portuguesa Kika Cerqueira Gomes é presença assídua no paddock com Gasly. IMAGO

Gasly e Kika alvos de 13 mil ameaças de morte após polémica com Colapinto

Piloto francês e a namorada portuguesa receberam abuso nas redes sociais, após o Grande Prémio de Espanha, em Madrid, na sequência de uma situação com o colega da Alpine

A tensão gerada no Grande Prémio de Espanha entre Pierre Gasly e Franco Colapinto continua a produzir ecos no mundo do desporto motorizado. Mais de um mês e quatro corridas volvidos sobre a prova em Madrid, Mohammed Ben Sulayem, presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), revelou a dimensão estarrecedora dos ataques dirigidos ao principal piloto da Alpine.

Numa entrevista concedida ao órgão de comunicação social norte-americano The Drive, o líder da FIA expôs a gravidade da situação: «Pierre Gasly teve 13 mil ameaças contra a sua vida. 13 mil! Se lutarmos contra isto sozinhos, vamos fracassar! Não podemos fazê-lo sozinhos.»

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A origem da controvérsia remonta à última volta do traçado espanhol. Gasly, que ainda tinha pendente a sua paragem nas boxes e rodava a um ritmo mais lento, seguia à frente de Colapinto, que por sua vez sofria forte pressão de Oscar Piastri. O piloto argentino solicitou insistentemente via rádio a troca de posições, mas essa ordem nunca chegou ao rádio do colega francês. Gasly acabaria por recolher às boxes e Colapinto cruzou a meta no sétimo lugar.

Apesar do desfecho em pista, eclodiu nas redes sociais uma vaga violenta de contestação que rapidamente descambou em ameaças de morte dirigidas a Gasly e à sua companheira, Francisca Cerqueira Gomes, por parte de adeptos de Colapinto. O episódio mereceu pronto repúdio generalizado no universo da Fórmula 1, tendo o próprio piloto argentino publicado um vídeo a condenar os ataques e a alertar para o impacto negativo que tais comportamentos poderiam ter na sua própria carreira.

Durante a mesma entrevista, Ben Sulayem sublinhou que a questão do ódio virtual ultrapassa os pilotos, recordando o caso de uma comissária desportiva que enfrentou ameaças de morte e de violação, ponderando mesmo abandonar as suas funções. Perante este cenário, a FIA tem promovido a iniciativa United Against Online Abuse e aposta no recurso à inteligência artificial para desmascarar contas anónimas.

«Corremos o risco de perder este desporto pelo abuso na internet», alertou o dirigente máximo do organismo, admitindo sanções que passam pela interdição de entrada em circuitos para espectadores envolvidos e medidas contra elementos da comunicação social que participem nestas práticas. Ben Sulayem reforçou ainda o papel pedagógico dos protagonistas: «Os pilotos também têm responsabilidade porque são embaixadores e modelos a seguir. Proteger a outro piloto também os protege a eles.»

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