Rui Borges, 45 anos, chegou ao Sporting 
em dezembro de 2024 e tem contrato com os verdes e brancos válido até junho de 2028 - Foto: MIGUEL NUNES
Rui Borges, 45 anos, chegou ao Sporting em dezembro de 2024 e tem contrato com os verdes e brancos válido até junho de 2028 - Foto: MIGUEL NUNES

Terminou o prazo de validade de Rui Borges no Sporting

Neste processo tem a administração leonina de reconhecer algo que talvez tivesse sido prudente preparar comunicacionalmente em ano de revolução: assumir que esta época será isso mesmo, um ano zero de início de nova era. Este é o 'Nunca mais é sábado', espaço de opinião de Nuno Raposo

Nunca foi fácil ser Rui Borges e Rui Borges nunca conseguiu desprender-se da desconfiança com que, sejamos sinceros, os adeptos do Sporting sempre olharam para ele. Nem mesmo na fase em que assumiu alguma arrogância que lhe era permitida e até pedida, estas últimas semanas, o treinador se livrou da imagem de alguém a quem os sportinguistas iriam olhar sempre de lado. Os maus resultados anteciparam o momento atual: Rui Borges está a prazo. Resta saber até quando dura a validade…

Frederico Varandas ficou sem margem de manobra. Por muito que queira ainda defender a sua dama numa organização em que será nesta altura o único ainda a acreditar nela (na sua dama, neste caso o treinador), ao presidente do Sporting não resta já outra solução que não refazer o futuro. O problema é que nesta altura as opções não são muitas, ou melhor, opções para o presente há, para um projeto a longo prazo é que escasseiam.

Sérgio Conceição não entra no leque. O líder leonino, que ficou de mão estendida em plena tribuna do Estádio Nacional, não perdoa a afronta e nem olha para o antigo treinador do FC Porto com perfil Sporting. Encontrar outro Rui Borges também seria adiar, ou prolongar, um problema que mais tarde ou mais cedo se revelaria… Para ter quem se deseja é preciso esperar. Por isso, pelo menos enquanto houver algum ar para respirar (enquanto não aparecer novo desaire insustentável), o problema poderá andar a ser empurrado com a barriga. Até à paragem das seleções que antecede o jogo da Taça de Portugal com o União da Serra (fim de semana de 21 e 22 de novembro)? Até dezembro?...

Também concordo que não há nesta altura uma alternativa que considere viável, estável e criteriosa ao alcance imediato. Abel Ferreira ou Leonardo Jardim estão, na melhor das hipóteses, disponíveis a partir de dezembro, altura em que termina o Brasileirão e mesmo assim sob contratos com Palmeiras e Flamengo. Estes serão os dois mais desejados em Alvalade mas não deixa de ser curioso e até irónico que esteja nos bons resultados de Rui Borges a margem de tempo necessária para poder esperar por eles… Ou seja, um treinador a prazo cujos bons resultados permitirão ao Sporting poder ganhar tempo para atacar quem pensa para o lugar do treinador com os dias contados…

Mas tem a administração do Sporting, neste processo também, de reconhecer algo que talvez tivesse sido prudente preparar comunicacionalmente em ano de transição, de revolução dum plantel que nesta altura tem 23 anos de média de idade: assumir que esta época será isso mesmo, um ano zero de início de nova era como aconteceu em 2020 — e já com a rede de segurança do 3.º lugar no campeonato abrir a porta da UEFA Champions League. Para isso é preciso o treinador certo e não uma escolha apressada que se revele em mais um funcionário a prazo.

A Rui Borges há porém que agradecer. Nunca foi fácil ser Rui Borges dada a herança Amorim — a quem se perdoou até um 4.º lugar (não consideremos 2019/2020, que também terminou em 4.º, mas chegado já com meio caminho andado e para lançar as bases do novo Sporting) — e mesmo que na primeira temporada tenha recuperado a posição para chegar ao bicampeonato e à dobradinha. Mas o fim está mesmo traçado.

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