«A emoção do jogador brasileiro não impede que seja rigoroso, profissional e trabalhador»
— No Brasil, fala-se muito do jogador mais como pessoa do que realmente como atleta. Há ali uma parte emocional também muito ligada ao próprio jogador. Acha que isso, de certa forma, afasta o jogador da exigência ou é algo que pode ser perfeitamente ultrapassável?
— É verdade aquilo que dizes e não é nenhuma crítica, antes pelo contrário. Há essa parte emotiva do jogador não ser visto só como o atleta. Até o próprio relacionamento entre eles é diferente na Europa. É mais frio, de «eu chego aqui, faço o meu trabalho e acabou». Aqui há uma conexão maior entre os elementos da equipa. Isso, por um lado, é positivo e perfeitamente compatível com a exigência e com o rigor. Muitas vezes a imagem que se tem do Brasil não é tanto essa do rigor, da exigência, de uma cultura de trabalho…
— Até havia a questão do jogador moleque, que influenciou o futebol brasileiro com a ginga e o engodo…
— Tive a sorte de trabalhar com muitos brasileiros no Shakhtar. E tudo aquilo que se dizia do jogador brasileiro eu rebatia. Era precisamente o contrário. Porque a capacidade de adaptação à Ucrânia, a 16 graus negativos, onde a maneira de viver, a cultura das pessoas, a frieza dos povos do norte da Europa… Eles adaptavam-se perfeitamente. O facto de tu seres mais emotivo, de teres um lado emocional muito presente no teu caráter nada tem que ver depois com o ser rigoroso, profissional e trabalhador.
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