Instagram/Daria Kasatkina e Natalia Zabiiako
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Casamento de Kasatkina com patinadora acende polémica entre tenistas ucranianas

A tenista de origem russa, ex-número 8 do mundo e atual 63.ª no 'ranking' mundial, casou em Atenas, onde a união entre pessoas do mesmo sexo é legal desde 2024, e juntou na cerimónia tenistas russas e ucranianas

O casamento de Daria Kasatkina e Natalia Zabiiako, celebrado na Grécia, transformou-se num dos temas mais comentados da semana no circuito feminino de ténis. O que começou por ser uma celebração da relação entre a tenista australiana de origem russa e a antiga vice-campeã olímpica de patinagem artística acabou por desencadear uma nova polémica envolvendo atletas ucranianas.

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Kasatkina, que representa a Austrália desde 2025 e recebeu a cidadania australiana no início deste ano, casou-se com Natalia Zabiiako numa cerimónia intimista junto ao mar. Nas redes sociais, o casal partilhou uma mensagem que rapidamente se tornou viral: «Tivemos o melhor dia. Celebrámos o amor, a liberdade e a aceitação. Agora, não há palavras, apenas gratidão.»

A antiga número um da Rússia tornou pública a sua homossexualidade em 2022 e, desde então, tornou-se uma das vozes mais críticas do desporto russo relativamente à guerra na Ucrânia e às políticas do Kremlin contra a comunidade LGBTQ+. A mudança de nacionalidade para a Austrália foi encarada como mais um passo na procura de liberdade para viver a sua vida pessoal e profissional sem constrangimentos.

A cerimónia reuniu várias figuras do circuito WTA, como as tenistas russas como Anastasia Pavlyuchenkova, Mirra Andreeva e Viktoria Panteleeva, mas também duas ucranianas, Nadia Kichenok e Yuliia Starodubtseva, cuja presença não passou despercebida.

A compatriota Oleksandra Oliynykova criticou publicamente as duas tenistas através das redes sociais, depois de ter visto um vídeo onde ambas surgiam a dançar durante a festa.

«Pelas danças no casamento, vi que têm muita energia. Não gostariam de canalizá-la para angariar dinheiro para um veículo para os fuzileiros navais ucranianos? Com a vossa audiência e recursos conseguiam fazê-lo rapidamente. Ou não podem porque as vossas amigas russas não iriam compreender?», escreveu.

A publicação rapidamente ganhou repercussão, reacendendo um debate que acompanha o circuito feminino desde fevereiro de 2022.

Desde o início da invasão russa da Ucrânia, as tenistas ucranianas adotaram uma posição de unidade, recusando cumprimentar adversárias russas e bielorrussas no final dos encontros, independentemente das posições públicas de cada atleta sobre o conflito. A presença de Kichenok e Starodubtseva no casamento de Kasatkina é vista por alguns setores como uma quebra dessa frente comum.

O caso ganha, contudo, contornos particulares devido ao percurso de Daria Kasatkina. A atual número um australiana não só condenou publicamente a invasão da Ucrânia como criticou a legislação russa contra a comunidade LGBTQ+, assumindo que já não se sentia segura para regressar ao país. A decisão de abandonar a representação da Rússia e passar a competir pela Austrália foi amplamente interpretada como uma consequência dessas posições.

Ao lado de Natalia Zabiiako — antiga medalhada olímpica de prata em pares nos Jogos de PyeongChang 2018 — Kasatkina tornou-se também uma das figuras mais mediáticas do circuito, com ambas a partilharem regularmente os bastidores da vida no ténis através do canal de YouTube What The Vlog.

Ainda assim, a polémica demonstra que, mais de quatro anos depois do início da guerra, as feridas permanecem abertas no circuito WTA. Mesmo uma atleta que rompeu com a Rússia e se assumiu contra a invasão continua a ser motivo de divisão entre as próprias jogadoras ucranianas, num episódio que evidencia como o conflito continua a marcar profundamente as relações pessoais no desporto de elite.

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