João Gonçalves realizou um trabalho positivo no encontro entre o FC Porto e o Santa Clara, da 34.ª e última jornada da Liga
João Gonçalves realizou um trabalho positivo no encontro entre o FC Porto e o Santa Clara, da 34.ª e última jornada da Liga

A análise de Pedro Henriques ao FC Porto-Santa Clara

Especialista de A BOLA em arbitragem entende que num encontro em que o grau de dificuldade foi quase nulo, João Gonçalves e seus pares tomaram boas decisões técnicas e disciplinares no encontro realizado no Estádio do Dragão

1' É um lance recorrente, onde normalmente a decisão de não assinalar infração é o mais correto. Quando a bola vai diretamente ao corpo de um jogador e depois, ato contínuo, ressalta para a sua mão/braço, sobretudo quando não há movimento deliberado, o ressalto significa que a bola não foi de forma direta e que é para o jogador algo inesperado e que esse contacto também não é intencional. Foi o que aconteceu nesta situação de jogo, onde Pedro Pacheco cabeceou de muito perto, bola à queima, com esta a ir bater na zona do baixo ventre de Deniz Gul, e ato contínuo, a ressaltar para a sua mão esquerda. Ressalto é a tal atenuante chave para a não marcação de pontapé de penálti, que em conjunto com o facto de não ter havido movimento da mão na direção da bola e de estar numa posição natural para o gesto técnico que estava a executar levou o árbitro, e bem, a nada assinalar. Decisão correta.

16’ Ressalto. Na área dos dragões e após pontapé de canto, a bola foi cabeceada por Pedro Pacheco, acabando bater na zona do baixo ventre de Deniz Gul, ressaltando de imediato para a sua mão esquerda. Toque não deliberado com mão em posição natural. Sem razão para penálti.

33’ Sem cartão. Decisão correta do árbitro em assinalar livre direto, sem ação disciplinar, pela entrada fora de tempo e imprudente na tentativa de jogar a bola de Pedro Pacheco sobre Rodrigo Mora. O jogador dos açorianos chocou com o jovem médio dos azuis e brancos, derrubando-o.

43’ De perto. Remate de Rodrigo Mora, à queima, com a bola a bater em Andrey. Talvez até tenha batido entre a mão e a cara, não há repetições esclarecedoras, mas, com o remate tão em cima, mesmo que a bola fosse à mão/braço não seria penálti. Decisão correta.

45’ Foram dados quatro minutos de tempo extra no final do primeiro tempo, em virtude das três assistências médicas que houve dentro do terreno de jogo, sendo que uma dessas paragens redundou numa substituição por lesão.

54’ À queima. Mais um lance na área sem qualquer repetição televisiva, mas que merecia melhor observação. Na ocasião, Bednarek cabeceia e a bola vai ao braço Sidney Lima, que tinha o braço junto e encostado ao corpo, sem qualquer tipo de volumetria. Sem motivo para penálti.

Positivo:

Pouquíssimas faltas (20) e a não amostragem de cartões. Aproveitou a equipa de arbitragem, que cumpriu.

84’ A propósito do lance de choque frontal entre Paulo Victor e Bernardo Lima, sempre que há um choque entre dois jogadores que envolva a cabeça e que daí um deles (ou ambos) fiquem no chão, desde que não haja de imediato um golo iminente, deve o árbitro interromper o jogo e deixar que sejam prontamente assistidos. Está em causa uma zona do corpo onde uma lesão pode ter e trazer consequências graves e onde a assistência em tempo útil pode fazer a diferença. De tal maneira, o IFAB tem isto em consideração, que se um jogador se lesionar, por uma eventual concussão cerebral, a equipa pode efetuar uma substituição extra, que não entram nas cinco que a lei permite, sendo que o delegado ao jogo dessa equipa, no ato da substituição, levanta um cartão roxo, para sinalizar a todos o motivo da troca. Neste caso, diz a lei que automaticamente a outra equipa ganha também o direito de fazer mais uma substituição, para que assim haja e fique numa situação de equidade.

Negativo:

Tempo útil de jogo muito baixo: jogaram-se apenas 54 minutos em 99 possíveis — 54 por cento.

69’ Legal. No golo dos dragões (autogolo), na construção da jogada no corredor direito do ataque e no momento do passe de William Gomes para Victor Froholdt, este está em posição legal e sem estar em fora de jogo, pois estava a ser colocado em jogo por Paulo Victor. Tudo certo.

84’ Choque. Paulo Victor chegou primeiro à bola e cabeceou, com Bernardo Lima, ato continuo e também na tentativa de cabecear o esférico, a chegar depois e a chocar de frente, cabeça com cabeça. Entrada imprudente. Livre direto, sem merecer sanção disciplinar.

90’ Foram adicionados cinco minutos de tempo extra na etapa complementar, algo que se justifica com a necessidade da recuperação de tempo perdido. Tal facto teve na sua génese as cinco paragens para substituições (em que entraram, no total de ambas as equipas, oito jogadores), assim como o tempo que tinha de ser reativado após o golo do FC Porto, bem como pela assistência médica.

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Árbitro: João Gonçalves (AF Porto) — Nota 7; Assistentes: João Bessa Silva e Miguel Martins; 4.º Árbitro: Diogo Araújo; VAR/AVAR: João Bento/Pedro Sousa

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