Racing Santander - Foto: IMAGO

Racing Santander volta à LaLiga 14 anos depois

Clube esteve à beira da falência e foi salvo pela massa associativa

O Racing Santander está oficialmente de regresso à Primeira Divisão do futebol espanhol, colocando um ponto final num longo e doloroso calvário de 14 anos. Apesar de ter sido uma temporada extremamente dura, a equipa da Cantábria dominou o escalão com mão de ferro, superando os momentos de hesitação e as derrotas difíceis que, a determinada altura, chegaram a levantar dúvidas sobre a viabilidade do projeto.

O último jogo na máxima categoria teve lugar a 13 de maio de 2012, numa pesada derrota por 2-4 frente ao Osasuna no Estádio El Sardinero, que culminou uma campanha desastrosa com três treinadores diferentes e um autêntico caos institucional que deixou o clube à beira da falência e do desaparecimento.

Perante o cenário de descalabro, a massa associativa deu um passo em frente e salvou o clube de uma morte quase certa. Ao longo desta última década e meia, o Racing transformou-se num habitante habitual da Segunda Divisão B ou da Primera RFEF, somando breves passagens pela Segunda Divisão onde mal conseguia segurar a permanência. O balanço deste percurso pelas divisões inferiores fixou-se em 600 jogos disputados, divididos por 270 vitórias, 150 empates, 180 derrotas, quatro subidas, três descidas e cinco play-offs disputados.

Para Santander e para toda a região da Cantábria, esta subida representa o regresso à elite de um dos clubes mais emblemáticos de Espanha, que ostenta no seu currículo o estatuto de membro fundador da Liga, 44 presenças no principal escalão, um vice-campeonato espanhol, duas meias-finais da Taça do Rei e a fama de possuir uma das melhores escolas de formação do país.

O feito histórico é o prémio merecido para uns adeptos inabaláveis que nunca abandonaram o emblema nas horas mais negras e que, nos últimos anos, esgotaram sucessivamente as bancadas do El Sardinero, além de acompanharem a equipa em comitivas massivas nos jogos fora de casa. Mas o sucesso desta época deve-se também à estabilidade trazida pela nova propriedade liderada pelo argentino Sebastián Cería, que pacificou o clube após os anos conturbados de gestões ruinosas como as de Piterman, Pernía ou Ali Syed. Cería deu total autonomia à estrutura desportiva e o diretor desportivo, Chema Aragón, acabou por ser decisivo ao demonstrar uma enorme competência nas contratações de verão e de inverno, construindo um plantel equilibrado e com garantias de sucesso.

Dentro das quatro linhas, o treinador José Alberto provou o valor da sua filosofia de pendor marcadamente ofensivo. Inicialmente alvo de algum ceticismo, o técnico asturiano soube reajustar e equilibrar a equipa a tempo de liderar a tabela classificativa em 30 das 40 jornadas da competição. O futebol do Racing foi carregado às costas pela dupla letal composta por Íñigo Vicente e Andrés Martín, referências do ataque mais produtivo da liga. Mesmo quando o mercado de inverno trouxe contrariedades, como a saída de Jeremy e as constantes lesões de Arana, jogadores como Asier Villalibre, Guliashvili, Gustavo Puerta e Peio Canales assumiram a responsabilidade na intermediária e no ataque, garantindo a consistência necessária para carimbar uma promoção incontestável e devolver o Racing de Santander ao convívio dos grandes.

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