Francesco Farioli, treinador do FC Porto - Foto: MANUEL FERNANDO ARAUJO/LUSA
Francesco Farioli, treinador do FC Porto - Foto: MANUEL FERNANDO ARAUJO/LUSA

«Altura de celebrar», os 88 pontos e os dois 'bichos' na baliza: o que disse Farioli

Treinador italiano dos azuis e brancos analisou na sala de imprensa do Estádio do Dragão a partida de consagração de campeão frente ao Santa Clara

— Como avalia este título?

— Desta vez, e pela primeira vez, vou mesmo dizê-lo: é altura de celebrar. Honestamente, acho que foi um título muito merecido. Estivemos em primeiro desde o primeiro dia até ao último, com muito trabalho e um grande compromisso de todos. Quero deixar um agradecimento profundo a todas as pessoas que trabalharam comigo. Hoje é mais um dia para celebrar este grupo: os jogadores, o staff e, claro, especialmente a administração e o clube por tudo o que nos deram. E aos jogadores, obviamente, que conseguiram realizar uma época fantástica.

— A próxima época será obrigatoriamente mais exigente, com a Liga dos Campeões. Já fez muitos pedidos ao presidente ou a lista é curta? E em relação a Rodrigo Mora, terá espaço nas suas ideias para a próxima temporada?

Gosto da vossa pressão esta noite (risos), mas digamos que a lista sobre o que pretendemos fazer já está pronta. Estamos totalmente alinhados sobre os movimentos a fazer em relação aos nossos jogadores

— Gosto da vossa pressão esta noite (risos), mas digamos que a lista sobre o que pretendemos fazer já está pronta. Estamos totalmente alinhados sobre os movimentos a fazer em relação aos nossos jogadores e àqueles que queremos considerar para o futuro. Mas agora, repito, vamos dar a este grupo o crédito que merece — a todos eles — porque fizeram uma época fantástica. Não faz sentido falar de um mais do que de outro neste momento.

— É conhecido por ser um perfecionista. Já consegue festejar ou a sua cabeça já está na próxima época?

— Desde que garantimos matematicamente o título, tínhamos o objetivo de tentar chegar aos 91 pontos. Ficámo-nos pelos 88 que, se não estou em erro, é a terceira marca mais alta de pontos na história da liga. Não é o cenário ideal, mas continua a ser uma excelente marca. Nestes últimos dias trabalhámos para terminar bem, com uma vitória, como fizemos hoje. No tempo livre, tentámos antecipar e preparar as exigências da próxima época. Não apenas sobre o mercado, mas sobre como podemos melhorar internamente: instalações e todos os detalhes onde possamos ganhar pequenas percentagens para sermos melhores. Hoje, amanhã e talvez até segunda-feira, será tempo livre para todos. A celebração é importante e precisamos deste momento. A partir de terça-feira, estaremos totalmente focados na próxima temporada.

Tínhamos o objetivo de tentar chegar aos 91 pontos. Ficámo-nos pelos 88 que, se não estou em erro, é a terceira marca mais alta de pontos na história da liga. Não é o cenário ideal, mas continua a ser uma excelente marca

— As vitórias trazem adeptos, mas sente que aproximar os adeptos da equipa também era uma missão sua quando chegou ao FC Porto?

— Senti uma receção muito forte desde o primeiro dia. O clube e os adeptos abriram-me as portas. Desde o primeiro momento, estabelecemos um ritmo muito importante. Durante a época, com os altos e baixos que naturalmente surgem no caminho, mantivemo-nos sempre muito próximos. Jogámos 34 jogos no total na Liga e em 32 deles sentimos que estávamos a jogar em casa. Nos outros dois fomos em menor número, mas fizemos barulho suficiente para cumprir a nossa parte. Isso é algo notável. Eles nunca deixaram de apoiar a equipa. Este é o primeiro passo. Para a próxima época, queremos a mesma energia — ou mais, se possível — porque é disso que realmente precisamos.

— Sabe bem o que é a solidão do número um. O que significou para si lançar o João Costa e o Cláudio Ramos nestes últimos jogos, sabendo que ser suplente de um guarda-redes como o Diogo Costa é, talvez, a tarefa mais difícil numa equipa?

Ter estes dois ‘bichos’ na baliza a puxar por toda a gente e a manter o ritmo alto até ao final da época é um valor invisível para quem está fora, mas muito claro para quem está dentro. A forma como os jogadores reagiram à entrada do João diz tudo sobre o nível de apreciação que têm por eles.

— Ambos, o Cláudio e o João, desempenharam um papel enorme nesta temporada. Ter um guarda-redes do nível do Diogo torna a competição difícil, porque todos conhecemos o valor dele, não só como jogador, mas como líder. No entanto, tanto o Cláudio como o João, um pouco na sombra e nos bastidores, fizeram um trabalho fantástico nos treinos. Tenho na memória muitos treinos de ‘dia de jogo mais um’, que são sessões de compensação fundamentais para nós e nada fáceis de realizar. Ter estes dois ‘bichos’ na baliza a puxar por toda a gente e a manter o ritmo alto até ao final da época é um valor invisível para quem está fora, mas muito claro para quem está dentro. A forma como os jogadores reagiram à entrada do João diz tudo sobre o nível de apreciação que têm por eles.

— O FC Porto volta a estar invicto em casa na Liga quatro anos depois. Qual foi a chave para fazer do Dragão esta fortaleza?

— Como já disse, o poder dos nossos adeptos e o sentimento de estarmos realmente em casa é o que dita a temperatura aqui no Dragão. Foi um fator decisivo esta época. Esperamos que na próxima seja igual e, se possível, ainda melhor.

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