Cristiano Ronaldo atuou durante os 90 minutos do empate entre Portugal e RD Congo - Foto: IMAGO

«10 homens e uma estátua»: Cristiano Ronaldo 'arrasado' após estreia no Mundial 2026

'The Independent' não poupou o astro luso após o empate de Portugal frente à RD Congo (1-1), considerando que a Seleção Nacional continua condicionada pela presença do capitão

A exibição de Cristiano Ronaldo no empate de Portugal frente à RD Congo (1-1), na estreia do Mundial 2026, mereceu duríssimas críticas por parte do jornal inglês The Independent, que publicou um artigo com o título «10 homens e uma estátua», a dissecar a atuação do capitão da Seleção Nacional nessa partida, para além de abordar outros temas, como o tratamento dado pelo selecionador Roberto Martínez.

O texto começa por comparar diretamente o português a Lionel Messi, que na véspera assinou um hat-trick pela Argentina: «Tudo o que Lionel Messi fez, Cristiano Ronaldo não conseguiu fazer melhor.»

«Enquanto Messi começou o Mundial de forma a sugerir que o seu talento é intemporal, o seu grande rival começou de uma forma que mostra que os seus poderes diminuíram com a passagem do tempo.»

Para o jornal inglês, a política da Argentina de construir a equipa à volta de Messi continua a resultar. Já no caso português, a realidade é diferente. «Pela terceira vez consecutiva num grande torneio, o perigo é que Ronaldo esteja a travar Portugal. O empate com a RD Congo destacou as dificuldades de tentar ganhar um Campeonato do Mundo com uma equipa de 10 homens e uma estátua.»

O artigo considera que o avançado esteve praticamente ausente do jogo. «A impotência de Ronaldo condenou Portugal a um empate. Portugal tentou bater uma defesa obstinada com uma não-presença na área.»

«Faltava-lhe velocidade para atacar as costas dos defesas e movimentação para escapar à marcação. Não conseguia pressionar, esticar a defesa ou arrastar adversários para fora de posição. Em vez disso, Ronaldo ficou à margem do jogo. Mesmo quando um cruzamento ia na direção para o que parecia ser um golo típico de Ronaldo, o marcador foi, na verdade, o pequeno médio João Neves

Nem os números escapam à análise. O The Independent destaca que Ronaldo terminou com três remates, nenhum enquadrado, e recorda um lance em que deveria ter deixado a bola para Bruno Fernandes.

«Ronaldo permaneceu em campo durante todo o jogo. De certa forma, há uma lógica nisso: por que substituir um jogador com um recorde de 143 golos pela Seleção e quase mil no futebol profissional, quando a sua equipa precisava de um golo? Ele movimentou-se tão pouco que nem mesmo um homem na casa dos quarenta estaria exausto.»

O jornal reserva também críticas para Roberto Martínez e para a gestão do estatuto do capitão. «A impressão é a de que recebe tratamento preferencial. A estranha aliança entre capitão e selecionador faz com que as decisões afetem apenas os outros jogadores.»

O artigo questiona ainda se Portugal não teria beneficiado da suspensão que muitos consideravam inevitável após a expulsão frente à Irlanda. «Se Ronaldo estivesse indisponível, Portugal teria sido forçado a explorar a vida sem ele. Teria tentado outro ponta de lança ou outra forma de jogar.»

«É difícil escapar à sensação de que Portugal teria vencido se tivesse jogado sem Ronaldo

O fecho do texto deixa pouca margem para dúvidas sobre a posição do autor relativamente ao papel do capitão português na Seleção. «Como no Euro 2024, Portugal corre o risco de sacrificar outra oportunidade de glória no altar do ego dele.»

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