Mundial
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'Mister', isto agora vai complicar-se... e muito
Muito mais que o resultado, é a exibição coletiva que preocupa. Mais do que Portugal se ter encolhido após uma vantagem madrugadora, serão os factos de Cristiano Ronaldo ter jogado 90 minutos e ter falhado dois golos que nunca falhava a alimentar a mais do que expectável pressão sobre a Seleção Nacional. Sim, porque isto agora vai complicar-se e muito. Mister Roberto Martínez já tem Portugal suficiente para saber isso mesmo.
Vivemos, com a Seleção, uma relação complicada de 8 ou 80, sobretudo os adeptos regulares de futebol, que aliás só lhe ligam verdadeiramente nestas ocasiões — fases finais de grandes competições. Tão depressa nos achamos sem quaisquer hipóteses como entendemos ter jogadores com qualidade suficiente para chegar a um Campeonato do Mundo na pele de favoritos.
A história do futebol está cheia de exemplos de equipas que não ganharam o primeiro jogo de uma fase final e acabaram a levantar o troféu. Um deles é nosso, curiosamente, como bem nos lembramos porque ainda só passaram dez anos.
Já agora: nas duas vezes em que empatou o primeiro encontro de um Mundial, Portugal passou a fase de grupos. Mas agora pouco vai interessar, isso, aos tais adeptos regulares de futebol, sempre mais críticos que os ocasionais.
Uma tendência da moda é culpar Cristiano Ronaldo, ou a sua manutenção na equipa, pelas coisas menos boas. Já houve bons jogos sem ele, claro, mas também os houve com ele, e recentes.
Enquanto o Mundo, de um modo muito generalizado, continua a colocar o capitão nos píncaros, muitos portugueses (e até adeptos/críticos estrangeiros) cobram-lhe o triplo ou o quádruplo do que cobram a qualquer outro internacional.
Um jornalista inglês escrevia, ontem, que a exibição de CR7 estava a ser «embaraçosa» para Martínez. Realmente esteve longe de ser boa, mas quantos, entre os que jogaram, podem orgulhar-se de ter feito muito mais?
A pressão, não duvidemos, vai aumentar exponencialmente nos próximos dias. De fora para dentro certamente; cabe a toda a comitiva portuguesa (e não apenas à equipa técnica) garantir que não existirá de dentro para dentro, algo que poderá ser fatal, como a história já nos ensinou.
O Selecionador tem razão: mais do que pensar num eventual (e, convenhamos, improvável) título, é preciso pensar em jogar bem agora. E, sobretudo, em ganhar ao Uzbequistão.