Sporting e João Pinheiro: um historial de queixas
João Pinheiro expulsa Coates no jogo com o FC Porto, no Dragão, em 2022. ASF

Sporting e João Pinheiro: um historial de queixas

NACIONAL10.12.202321:02

Os leões, pela voz do presidente Frederico Varandas, queixaram-se da arbitragem de João Pinheiro em Guimarães. Mas a história começa mais atrás…

Frederico Varandas não esperou por chegar a Lisboa e a meio caminho, no Núcleo do Sporting de Brasfemes, Coimbra, comentou as incidências (nomeadamente a arbitragem de João Pinheiro) do jogo de sábado, que os leões perderam por 2-3 no terreno do V. Guimarães. O presidente leonino apontou o dedo ao árbitro da AF Braga, que há muito é alvo das queixas sportinguistas:

Sporting, 2-Rio Ave, 3 (2019)

As primeiras queixas leoninas aconteceram em agosto de 2019, num jogo em Alvalade em que o Rio Ave ganhou por 3-2 com três golos de penálti. Coates foi expulso. 

A expulsão de Coates. ASF

FC Porto, 2-Sporting, 2 (2022)

O jogo com o FC Porto na Liga 2021/2022, 2-2 no Dragão, que terminou com enorme confusão, também mereceu duras críticas dos leões, nomeadamente devido a expulsão de Coates, ainda com o resultado em 2-1 para os verdes e brancos.

Sporting, 0-FC Porto, 2 (2023)

Outro jogo com os dragões, final da Taça da Liga 2023, que os azuis e brancos venceram por 2-0. Queixam-se os leões sobretudo de dualidade de critérios.

Paulinho expulso. ASF

Sporting, 2-Benfica, 2

Foi no 2-2 da Liga na época passada, em Alvalade, que os leões se queixaram de falta sobre Coates no segundo golo encarnado. 

Coates pede falta no lance do 2-2. ASF

V. Guimarães, 3-Sporting, 2 (2023)

Penálti mal assinalado e expulsão de Ricardo Mangas, eis as queixas leoninas no encontro de sábado passado.

João Pinheiro no jogo do passado sábado. ASF

VAR

Em setembro de 2021 João Pinheiro foi VAR no 1-1 com o FC Porto, em Alvalade, para a Liga. Queixou-se o Sporting que passou em claro agressão de Pepe a Coates.

O lance em que os leões acusam Pepe de dar soco a Coates. SPORT TV

Voltemos a Brasfemes.

Varandas queixou-se que o penálti em Guimarães, de que resultou o 1-1 mesmo antes do intervalo, foi inexistente, por simulação de Ricardo Mangas, o que teria de resultar na expulsão, por acumulação de amarelos, do jogador vimaranense. A derrota leonina permitiu que o FC Porto, a uma semana do clássico de Alvalade, alcançasse os verdes e brancos na liderança da Liga e fez com que o presidente dos leões quebrasse o silêncio que por norma tem acontecido depois dos jogos. «O que aconteceu está à vista, é claro, é unânime e não é preciso dizer muito: antes do intervalo, um lance que daria para ir a vencer por 1-0 e com a expulsão de um jogador, o que muito provavelmente daria que saíssemos dali com uma vitória», começou por dizer Varandas em declarações reproduzidas pela Sporting TV, garantindo que o resultado «já está mais do que digerido».

O presidente dos verdes e brancos logo apontou baterias ao árbitro do encontro. «Um lance infeliz que virou o jogo. João Pinheiro tem sido um árbitro que tem tido muita infelicidade com o Sporting. Hoje não há um sportinguista que não esteja traumatizado quando vê João Pinheiro. Também o vejo constantemente como um dos árbitros mais bem classificados da Liga Portuguesa, mas penso que se fosse avaliado apenas pelos jogos do Sporting se calhar desceria, seria despromovido. Penso que João Pinheiro tem sido muitas vezes infeliz, o Sporting tem tido muitas vezes azar com ele e ontem [sábado] infelizmente foi mais um jogo», desabafou o líder sportinguista, para vaticinar de seguida, com ironia à mistura: «Iríamos para a próxima jornada com quatro pontos sobre um rival, três sobre outro, mas devido a um mau juízo estamos assim, com um campeonato mais competitivo.»

Frederico Varandas, presidente do Sporting. ASF

A questão do VAR

A pretexto do VAR, ou do erro que beneficiou o Sporting na jornada 2 no 2-1 com o Casa Pia — tal como em Guimarães, o videoárbitro foi Hugo Miguel — e que mereceu comunicado do Conselho de Arbitragem, o dedo de Varandas também apontou ao órgão da FPF. «Queria falar também do VAR, e aqui estou à vontade para dizer isto, porque já o disse mais do que uma vez ao presidente do Conselho de Arbitragem. Cometeu-se um erro grave este ano, foi uma maneira de agir que eu discordei mas que, então, o fizesse sempre. À segunda jornada crucifica publicamente Hugo Miguel quando era VAR do jogo Casa Pia-Sporting, quando existe um lance que dá um golo ao Sporting, em fora de jogo, inequivocamente, mas onde também existe um penálti claríssimo sobre o Edwards que também não foi assinalado. Mas só se falou desse lance do VAR. O VAR esteve mal, mas em dois erros. Porém o Conselho de Arbitragem faz um comunicado onde crucificou o árbitro Hugo Miguel pelo erro do fora de jogo. Hoje não tenho dúvidas nenhumas de que foi um erro, mas passa-se mensagem muito perigosa, porque nas jornadas seguintes vi ‘n’ erros gravíssimos de VAR, como a semana passada, e não vejo ninguém a fazer um comunicado. E ponho-me na posição de um árbitro, dos mais jovens, e penso: se faço um erro grave a favor do Sporting sou crucificado e nos outros não sou», acusou.

Frederico Varandas terminou, ainda com este caso do VAR em destaque: «Por muito que as pessoas sejam sérias, é preciso ter cuidado com o que se faz. E foi um erro, e estou de consciência tranquila a dizer aqui publicamente porque já o disse por mais do que uma vez ao presidente do Conselho de Arbitragem. Admito o erro, mas então se fez aquele procedimento, tem de o fazer mais. A mensagem que passa internamente para os árbitros não é tranquila. Já o devia ter feito mais vezes. Eu acredito e aceito o erro. É difícil quando, num árbitro com a categoria de João Pinheiro, o erro contraria a teoria das probabilidades, sempre, sempre para um determinado lado. O erro aceito, o que é grave e condiciona Hugo Miguel é que no último erro em que foi VAR foi crucificado e isso condiciona o VAR.»