Andrew August vence terceira etapa da Volta à Comunidade Valenciana

Volta a Valência: João Almeida firme no pelotão

Vitória do jovem Andrew August, o mais rápido de um quarteto que se formou em fuga tardia. Português da UAE Emirates concluiu no grupo principal com os restantes candidatos da geral

A terceira etapa da Volta à Comunidade Valenciana decidiu-se com emoção até ao fim: um ataque tardio, um quarteto audaz na frente e um sprint final que sorriu ao jovem Andrew August. O norte-americano de apenas 20 anos, da INEOS Grenadiers, foi o mais rápido entre os quatro resistentes e conquistou a primeira vitória da sua carreira profissional.

João Almeida (UAE Emirates) terminou etapa no grupo principal, na 22.ª posição, a quatro segundos do vencedor, e ocupa a 30.ª lugar da classificação geral, a 10 segundos do camisola amarela, o eritreu Biniam Girmay (NSN), que manteve a liderança, mas em igualdade de tempo com o nortueguês Adne Holter (Uno-X), que foi um dos integrantes do quarteto final que se destacou. 

O segundo português em competição, Nelson Oliveira (Movistar), concluiu a etapa na 90.ª posição, com mais 8.36 minutos do que o Andrew August e desceu ao 65.º posto, a 8.42 minutos de Girmay. 

O que parecia ser uma etapa tranquila ao longo da Costa Blanca ganhou outra vida na subida ao Puerto de Tibi. Foi aí que a fuga se desfez e os candidatos à geral começaram a mexer com a corrida, lançando uma série de ataques que baralharam as contas.

A escapada inicial, que chegou a ter mais de três minutos de vantagem, começou a perder força com o ritmo imposto pela Red Bull BORA hansgrohe e pela INEOS. Ainda assim, Raúl García Pierna aproveitou o momento para brilhar, somando pontos de montanha e três segundos de bonificação, ficando virtualmente a apenas quatro segundos de Girmay na geral.

No topo, o pelotão passou praticamente compacto, com Girmay bem protegido, antes de enfrentar uma descida rápida e técnica rumo à costa. E foi aí que a corrida voltou a incendiar-se.

Acelerações sucessivas no planalto e na descida esticaram o grupo em fila indiana, com nomes como Evenepoel, Brandon McNulty e Aleksandr Vlasov bem ativos, num verdadeiro jogo de forças entre as equipas.

O momento-chave surgiu quando Florian Vermeersch arriscou tudo na descida e ganhou alguns metros preciosos. Andrew August reagiu de imediato, com Adne Holter e Jonathan Vervenne a juntarem-se, formando um quarteto na frente da corrida.

A dez quilómetros da meta, a vantagem rondava os 20 segundos. A NSN ainda organizou a perseguição para tentar lançar Girmay num sprint reduzido, mas o terreno não ajudou e a colaboração na frente manteve o grupo coeso, apesar de uma aceleração tardia de Holter.

Dentro do último quilómetro, a diferença ainda era curta, mas suficiente. Vervenne tentou surpreender com um ataque final, porém August leu tudo na perfeição, lançou o sprint no momento certo e aguentou até à linha, mesmo com o pelotão a aproximar-se a grande velocidade.

August cruzou a meta com poucos segundos de vantagem, selando uma vitória sofrida, daquelas que só se confirmam mesmo em cima do risco. O pelotão chegou logo a seguir, deixando bem claro o quão equilibrado foi este final.

Depois de um dia intenso, marcado por pressão constante, ataques e uma aposta corajosa na descida, a terceira etapa mostrou que, quando a corrida está em aberto, coragem e velocidade fazem toda a diferença — e Andrew August não teve medo de arriscar.