Mundial
Mundial
Vítima da 'lei Prestianni' explica-se após expulsão histórica no Mundial 2026
Miguel Almirón tornou-se o primeiro jogador a ser expulso num Campeonato do Mundo por tapar a boca durante uma discussão, um momento que ocorreu a segundos do intervalo na vitória do Paraguai sobre a Turquia por 1-0, na madrugada da passada sexta-feira. Apesar de ter ficado reduzido a dez jogadores, o Paraguai conseguiu segurar a vantagem obtida logo aos dois minutos, com um golo de Matías Galarza, e mantém vivas as esperanças de apuramento para a fase a eliminar.
O avançado paraguaio já reagiu ao sucedido nas redes sociais, embora sem abordar diretamente a expulsão, publicando uma mensagem em espanhol, acompanhada por uma fotografia dos seus colegas a celebrar o triunfo. «Quero agradecer o esforço dos meus colegas hoje, que deram tudo em cada bola. Obrigado, obrigado, obrigado. É um orgulho fazer parte desta seleção», escreveu.
Após uma falta sobre o seu colega de equipa Isidro Pitta, gerou-se um confronto entre jogadores de ambas as seleções. Ao passar pelo turco Mert Muldur, Almirón tapou brevemente a boca com a mão. O jogador turco alertou imediatamente o árbitro, Ivan Barton, que, após consultar o VAR, decidiu expulsar o paraguaio.
A nova regra, implementada em abril para combater o racismo, esteve na origem desta decisão. A medida foi motivada por um alegado incidente de racismo envolvendo Vinícius Júnior, do Real Madrid, e Gianluca Prestianni, do Benfica, num jogo da Champions na Luz, onde o argentino tapou a boca ao dirigir-se ao brasileiro. Apesar da expulsão de Almirón, não há qualquer indicação de que o jogador tenha proferido insultos racistas.
O chefe de arbitragem da FIFA, Pierluigi Collina, explicou em junho que a regra não visa proibir o hábito comum de tapar a boca em conversas amigáveis, mas sim em situações de confronto. «Quando é um confronto, a história é completamente diferente. Tapar a boca significa que se está a fazer algo potencialmente muito errado», afirmou Collina, acrescentando que é um ato deliberado e não instintivo.
A expulsão de Almirón, de 32 anos, deixou-o visivelmente surpreendido, mas o jogador pareceu compreender o erro enquanto era consolado pelos colegas. Todas as equipas foram avisadas antes do torneio que esta infração resultaria em expulsão imediata. Este cartão vermelho direto significa que Almirón falhará o último e decisivo jogo da fase de grupos contra a Austrália, na próxima quinta-feira, o que poderá ditar o fim da sua participação no Mundial. O Paraguai luta por um lugar nos 16 avos de final.
Artigos Relacionados: