Miguel Almirón
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Roy Keane e a sanção do tapar a boca: «Território perigoso»

Roy Keane, lenda do Manchester United, e agora comentador, viu a nova regra ser aplicada pela primeira vez no jogo Turquia - Paraguai (0-1), e lançou um aviso.

Miguel Almirón tornou-se o primeiro jogador a ser expulso por cobrir a boca com a mão, um gesto passível de castigo de acordo com a regra introduzida pela FIFA no final de abril. O jogador viu o cartão vermelho à beira do intervalo do Turquia-Paraguai, decisão controversa que foi seguida por discussão entre as duas equipas.

O momento ocorreu aos 45+3 minutos, quando o jogador do Atlanta United se dirigiu ao adversário turco Mert Muldur tapando a boca com a mão, um gesto agora proibido para impedir que o conteúdo da conversa seja ocultado, desde a polémica entre Prestianni e Vinícius Júnior num Benfica-Real Madrid no início do ano. Na altura, o argentino confrontou o brasileiro tapando a boca. O lance foi ao VAR e Almirón acabou expulso.

Após o jogo, o irlandês Roy Keane analisou o sucedido e apontou o perigo que pode existir, sugerindo que a regra seja aplicada de acordo com a mensagem transmitida pelo jogador que cobre a boca, e que só entre em vigor se for algo reprovável.

«Digo-vos o que me incomoda sinceramente no futebol moderno. Cada vez mais, passamos tempo a discutir regras, controvérsias e decisões disciplinares, em vez de falarmos sobre o futebol em si que se joga em campo. Se Almirón disse algo ofensivo, injurioso, discriminatório ou ultrapassou um limite que não tem lugar neste desporto, então que seja punido adequadamente. Não tenho absolutamente nenhum problema com isso, porque os jogadores devem ser responsáveis pelo que lhes sai da boca», começou por dizer, porém deixou uma ressalva.

«Mas se chegarmos agora ao ponto em que um jogador pode ser expulso apenas por cobrir a boca enquanto fala com um adversário, independentemente de alguém conseguir provar exatamente o que foi dito, então acredito que o futebol está a entrar num território muito perigoso. O futebol sempre foi um desporto cheio de emoção. Os jogadores discutem entre si, trocam farpas, provocam os adversários mentalmente e tentam obter vantagens. Isso acontece há gerações e é uma das realidades da competição de elite. O que mais me preocupa é a falta de consistência em toda esta situação», notou.

«Punimos uma linguagem ofensiva que pode ser claramente demonstrada ou punimos um comportamento que os árbitros acreditam que pode esconder uma linguagem ofensiva? Estes são dois padrões completamente diferentes. Porque, se formos honestos, a suspeita e a prova não são a mesma coisa», continuou.

«Não é que os jogadores devam ter permissão para abusar dos adversários, mas porque um gesto, um mal-entendido ou um momento pode mudar completamente o rumo de um jogo. O Campeonato do Mundo é o maior palco do futebol. Os jogadores passam anos a sonhar com estes momentos, nações inteiras investem emocionalmente em cada jogo, e ninguém quer que um jogo seja mais lembrado por um cartão vermelho controverso do que pelo futebol em si», referiu ainda.

«Se eu fosse jogador, estaria preocupado», sentenciou.

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