Gustavo Alfaro, selecionador do Paraguai
Gustavo Alfaro, selecionador do Paraguai

Selecionador critica rigor da 'lei Prestianni' e o Paraguai como 'cobaia'

«Receio que o futebol perca a essência», disse Gustavo Alfaro, referindo outras falhas nas novas regras que a sua equipa tem sofrido

Gustavo Alfaro, selecionador do Paraguai, criticou o rigor excessivo da nova regra da FIFA, conhecida como «Lei Vini Jr.», após a expulsão de Miguel Almirón na vitória por 1-0 sobre a Turquia, em jogo a contar para o Mundial 2026, por ter falado para um turco com a mão à frente da boca.

O médio paraguaio recebeu cartão vermelho direto, após consulta do VAR, por ter tapado a boca durante uma discussão com um adversário perto do final da primeira parte. Esta foi a primeira vez que a nova diretriz, implementada para coibir atos discriminatórios, foi aplicada num jogo oficial.

Apesar da inferioridade numérica durante toda a segunda parte, o Paraguai conseguiu segurar a vantagem e somar os três pontos, ascendendo ao terceiro lugar do Grupo D, com o jogador a publicar nas redes sociais um agradecimento aos companheiros, sem, no entanto, se referir à expulsão.

Em conferência de imprensa, Alfaro admitiu que a regra foi aplicada corretamente, mas manifestou preocupação com a severidade da mesma. «O facto de o Miguel cobrir a boca é um ato reflexo. Às vezes, isso acontece no calor do jogo, nas discussões. O regulamento diz que é expulsão. Cobrir a boca é expulsão, é cartão vermelho. Contra isso não posso fazer nada», afirmou o técnico.

O facto de o Miguel cobrir a boca é um ato reflexo. Às vezes, isso acontece no calor do jogo, nas discussões. O regulamento diz que é expulsão. Cobrir a boca é expulsão, é cartão vermelho. Contra isso não posso fazer nada

O selecionador expressou, no entanto, o desejo de que a sanção não seja demasiado pesada. «A única coisa que eu espero é que não seja uma punição exemplar. Que, de repente, acabem por dar uma sanção tão pesada que ele não perca apenas este Campeonato do Mundo, mas também o próximo», acrescentou, sugerindo que um cartão amarelo teria sido suficiente.

«Há coisas que são punidas com um rigor excessivo, e o meu receio é que o futebol perca a sua essência. Porque o futebol tem características de contacto, disputa, luta, demonstração de coragem, firmeza», defendeu Alfaro.

Recorde-se que a nova regra da FIFA, proíbe os jogadores de cobrirem a boca durante discussões. A medida surgiu na sequência de um incidente no ano passado entre o brasileiro Vinícius e o argentino Gianluca Prestianni, no Benfica-Real Madrid, no qual o jogador brasileiro alegou ter sido alvo de racismo.

Outras regras

Além da expulsão, Gustavo Alfaro queixou-se de outras novas normas da FIFA, que considerou terem sido aplicadas de forma desigual. «Custa-me jogar este desporto novo, porque estamos a jogar um desporto novo. Respeito todas as novas normas que foram implementadas, mas às vezes há determinadas situações que são conduzidas de uma maneira para um lado e de outra maneira para o outro», lamentou.

O técnico mencionou ainda o tempo de compensação excessivo e o período em que a sua equipa ficou com menos dois jogadores, devido à assistência médica a Diego Gómez fora de campo, como exemplos de uma aplicação rigorosa dos regulamentos contra a sua equipa. «O regulamento completo foi aplicado ao Paraguai, da primeira à última página», concluiu.

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