Festa na seleção do Irão
Festa na seleção do Irão

Vistos recusados, mudança de base e muita tensão: Irão já está nos EUA para o Mundial

Do outro lado do mundo, longe dos seus adeptos e depois de meses marcados por obstáculos políticos e diplomáticos, o Irão prepara-se para disputar o Mundial mais atípico da sua história

O Mundial 2026 começou para o Irão muito antes do apito inicial. Entre tensões diplomáticas, problemas com vistos, mudanças de plano e um conflito militar com os Estados Unidos, a presença da seleção iraniana no torneio esteve envolta em incerteza até aos últimos dias.

A situação ganhou contornos inéditos na história dos Campeonatos do Mundo. Pela primeira vez, uma seleção participa numa prova organizada por um país com o qual manteve, até há pouco tempo, um confronto militar ativo. Durante meses, Washington e Teerão estiveram envolvidos num conflito que apenas terminou após o anúncio de um acordo de paz mediado pelo Paquistão e confirmado por Donald Trump. Foi precisamente depois desse entendimento que a seleção iraniana conseguiu finalmente aterrar em solo norte-americano para disputar os jogos da fase de grupos.

Antes disso, o cenário era bem diferente. Face às dificuldades de entrada nos Estados Unidos, o Irão foi instalado no México, por decisão articulada entre a FIFA e as autoridades mexicanas. A equipa realizou a preparação em Tijuana, depois de abandonar o plano inicial de estagiar em Tucson, no Arizona.

A consequência é que o Irão terá de viajar milhares de quilómetros entre o México e os Estados Unidos para disputar cada partida do Mundial.

Os problemas não ficaram por aí. Vários membros da comitiva iraniana viram os pedidos de visto recusados pelas autoridades norte-americanas. Alguns casos foram posteriormente revertidos, incluindo elementos importantes da equipa técnica, mas nem todos obtiveram autorização para entrar no país.

Pelo meio, a preparação iraniana ficou também marcada por um episódio insólito e perturbador. Dias antes da viagem para os Estados Unidos, foi encontrado um cadáver nas imediações do Estádio Caliente, utilizado para a seleção do Irão realizar as suas sessões de trabalho de preparação do Mundial. As autoridades locais iniciaram de imediato uma investigação para apurar as circunstâncias da morte, não tendo sido estabelecida qualquer ligação ao estágio da equipa.

Também os adeptos foram afetados. O Irão integra a lista de países abrangidos por severas restrições de entrada nos Estados Unidos e muitos apoiantes ficaram impedidos de viajar para acompanhar a seleção. Além disso, a Federação Iraniana denunciou o cancelamento de lotes de bilhetes que estavam destinados aos seus adeptos.

O avançado ex-FC Porto e Rio Ave Mehdi Taremi assumiu mesmo o desconforto vivido pela seleção. «Já participei em três Campeonatos do Mundo e costuma dizer-se que, assim que se sai do avião e se entra no país anfitrião, sente-se uma atmosfera única de amizade e de união global», afirmou.

«Infelizmente, não estou a sentir isso neste momento. Há muita tensão neste Mundial. Sente-se no ambiente e, infelizmente, isso deve-se a situações como estas [as recusas de vistos]. Talvez seja apenas uma sensação minha.»

Apesar de todos os obstáculos, o Irão está finalmente nos Estados Unidos e pronto para iniciar a campanha mundialista.

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